Senado retira impeachment de Collor da nova galeria de fatos históricos

30/05/2011 17h21 - Atualizado em 30/05/2011 22h09

Nova galeria do ‘túnel do tempo’ foi inaugurada nesta segunda.

Para presidente da Casa, José Sarney, fato 'não é tão marcante'.

Robson BoninDo G1, em Brasília

O impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) foi retirado dos painéis de fatos históricos da nova galeria do chamado “túnel do tempo” do Senado, inaugurada nesta segunda-feira (30) pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

Para Sarney,  o impeachment de Collor “foi um acidente que não deveria ter acontecido” e, por tal motivo, foi retirado da lista de fatos expostos nos 16 painéis da galeria.

 “Túnel do tempo” é como ficou conhecido o amplo corredor que passa sob o Eixo Monumental, em Brasília, onde estão as salas das comissões permanentes e gabinetes dos parlamentares. O espaço integra o roteiro da visita guiada ao Congresso Nacional e abriga textos e imagens de momentos importantes da história do Brasil e do Senado.

De acordo com a assessoria de Comunicação do Senado, é um dos locais que mais despertam o interesse dos visitantes. Segundo dados da Casa, apenas em abril, o Senado recebeu 20 mil visitas.

O painel retirado da galeria tinha fotos panorâmicas de manifestantes nas ruas pedindo o impeachment do ex-presidente Collor. O painel relatava que, em 29 de dezembro de 1992, o Senado aprovou por 76 votos a cinco a perda do cargo por Collor e de seus direitos políticos até 2000. Collor renunciou ao mandato antes do início do julgamento, mas a sessão teve continuidade.

A exposição de painéis com fatos históricos no chamado "túnel do tempo" do Senado (Foto: Celso Júnior / Agência Estado)Mostra de painéis com fatos históricos no  "túnel do tempo" do Senado (Foto: Celso Júnior / Agência Estado)

 

“Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não deveria ter acontecido na história do Brasil. Mas não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que foram os que construíram a história, não os que de certo modo não deveriam ter acontecido”, afirmou Sarney ao ser questionado sobre a retirada do episódio da cassação de Collor dos painéis.

No final da tarde, a  assessoria do Senado divulgou a seguinte nota:

"Os fatos históricos da mais antiga Casa legislativa do país são narrados em dezesseis painéis, com textos e imagens, seguindo a linha cronológica da história do Brasil desde 1822. A partir da Constituição de 1988, a opção dos historiadores foi destacar os fatos marcantes da atividade legislativa. O foco da exposição é mostrar a produção legislativa do Congresso Nacional . A discussão e aprovação das leis é a essência do que faz o parlamento como poder republicano."

Linha do tempo
Os painéis da galeria contam a história a partir de uma linha do tempo, que exibe as antigas sedes do Senado até a atual Praça dos Três Poderes. A exposição também conta com um painel que mostra como o cidadão pode participar do trabalho parlamentar e conhecer as leis diariamente discutidas e aprovadas na Casa.

As fotos e textos que relatam o impeachment de Collor foram suprimidos do painel que conta os fatos históricos de 1991 a 2011. O espaço cita leis importantes como a que estipulou o tratamento gratuito para portadores de HIV, a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e do Código de Trânsito, em 1997, e do Estatuto da Micro e Pequena Empresa, em 1999. Entre 1991 e 1996, período no qual está o governo Collor, o painel não oferece registros históricos.

 

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Comentário de Jorge Cortás Sader Filho em 31 maio 2011 às 16:15

José Luiz, depois desta que você postou, acredito que nada é mais impossível em matéria de falsidades na nossa história política.  Mais:  não entendi como o Supremo disse não ter provas para condená-lo.  Gosta de poesia?  Visite a minha escrivaninha.  Obrigado.

Grande abraço.

Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 31 maio 2011 às 17:56
Mas, com o Presidente que tem o Senado Federal, um homem cheio de histórias também e que histórias, só faltava anular o ato de cassação do Collor sob alegação de inocencia e idenizar-lhe com o nosso dinheiro pelo tempo que ficou sem o poder presidencial

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