Portal Luis Nassif

Começo afirmando de que estou definitivamente convencido de que as generalizações tendem a produzir mais injustiças do que Justiças, e que induzem à Crítica Desqualificada e às Perseguições seletivas e de Classe.
Não poucas vezes tenho ouvido, inclusive de pessoas que se alimentaram bem dos Zero aos Cinco  e tiveram acesso à Educação, que os Programas Governamentais de Transferência de Renda e de apoio às Classes menos Favorecidas são injustos e um grande estímulo à Preguiça e à Vagabundagem.
Não estou falando que ouvi isso apenas da boca de cidadãos simples, mas de Gente que conhece o Mundo mais que o próprio Brasil, que fala tão bem, ou melhor, idiomas estrangeiros do que o Português, com 20 ou mais anos de Estudo.
Muitos chamam esses Programas de Bolsa Esmola, Bolsa Vagabundo e para “Ilustrar sua Opinião” usam, inclusive sem autorização, a Canção “ Vozes da Seca “do Ilustre Luis Gonzaga; Arriscam as vezes cantarolando  trecho da Música:
......
Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
.....

Outros em tom mais agressivo e com acesso livre aos Meios de Comunicação vociferam:
Esses Programas tornam seus Beneficiários Preguiçosos e Vagabundos.

Muito incomodado com essa interpretação gostaria de apresentar um olhar sobre o Brasil e os Brasileiros oferecendo minha vivência e minha reflexão sobre o tema.

Recebeu verbas públicas a título de apoio, ajuda, ou qualquer adjetivo de preferência:
Necessariamente pode ser chamado de Preguiçoso ou Vagabundo?
Podemos nessas circunstâncias virar Preguiçosos ou Vagabundos?

Reparem só o nosso Brasil:
Industriais e Comerciantes ( Nacionais e estrangeiros) recebem subsídios/incentivos à produção (máquinas, equipamentos, matérias prima, energia); no caso dos que operam no Comércio de Exportação recebem Anualmente isenções Fiscais(ICMS, IPI, PIS, COFINS, IR) da Ordem de 150 Bilhões de Reais;  que quando se instalam em determinadas Regiões obtém e desfrutam de décadas de Isenções;
Agricultores para o plantio de suas safras , recebem à título de empréstimos - 120 Bilhões safra  de 2012 – à Juros muito Baixos e   muitas vezes à Juros negativos;
Concessionários de Meios de Comunicação, a despeito de serem Concessões Públicas, recebem compensações tributárias pelo Horário Eleitoral, dito Gratuito,  quando deixam de veicular suas programações; além disso recebem Vultosas Verbas Publicitárias Públicas cujos volumes  são determinados pelos índices de audiência, medidos pelos meios próprios dos receptores ou por seus parceiros;
Donos de Jornais, Editores de Revistas e Livros, historicamente tem isenções para aquisição de Máquinas, Equipamentos e Material (papel, tinta, etc...); para venda de seus produtos acabados conseguem, na maioria das vezes sem licitação, vantajosos contratos para fornecerem às Escolas Públicas (1º, 2º e 3º Grau) e Órgãos Públicos – Federais, Estaduais e Municipais - centenas de Milhares de assinaturas de suas  publicações;
Instituições Religiosas ( de todas as vertentes), Clubes Sociais,  ONG’s,  que estão livres da maioria dos tributos e que sem qualquer imputação de responsabilidades sobre seus malfeitos  transferem dinheiro, tanto internamente no País quanto para fora, livremente;
Estudantes de Mestrados, de Doutorados e Pesquisadores, recebem Bolsas para estudar /pesquisar no Brasil e no Exterior;
Artistas, para produzirem suas obras e/ou para viabilizarem suas apresentações, recebem o direito ao uso de Incentivos de Apoio á Cultura, leia-se Leis de Incentivo à Cultura; são verbas oriundas de Renúncia Fiscal do Governo de parte dos impostos recolhidos das atividades das empresas privadas e do Imposto de Renda dos Cidadãos;
Políticos Eleitos, Ministros do Supremo, têm regimes diferenciados para a definição de Salários, Vencimentos, Subsídios, Verbas de representação , seja lá que nome seja adotado, além períodos de descanso, férias, licenças remuneradas, de tempos, integralidade de aposentadoria, determinados por si próprios, e ainda por Competência Exclusiva decidem, legislam e julgam sobre esses assuntos.

Porque é assim?
Sem fazer juízo de valor sobre ser bom ou ruim, é assim porque "escolheu-se" que seríamos administrados num determinado Modelo Capitalista e "adotou-se" esse formato.
Bem, observem com a devida atenção.
Será que podemos, necessariamente, chamar de Vagabundos,  Todos Industriais e Comerciantes, Agricultores, Concessionários de Meios de Comunicação, Donos de Jornais, Editores de Revistas e Livros, Líderes de Igrejas ( de todas as vertentes), Associados de Clubes, Dirigentes de ONG’s,  Estudantes de Mestrados, Doutorados e Pesquisadores, Artistas, Políticos Eleitos e Ministros do Supremo?
Isso mesmo!
Será que somos uma Sociedade de Vagabundos que aparelhou o Estado?
Será que somos todos uns incorrigíveis Preguiçosos?
Será que somos todos Cigarras, mas alguns, seguindo a lógica da Fábula de La Fontaine,  discursando como Formigas?

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