LILIAN MILENA
Da Redação - ADV
Sistema de tratamento de resíduos sólidos transforma lixo em energia elétrica, gasolina e diesel. Após oito anos de estudo, empresa brasileira, com a ajuda de pesquisadores das universidades federais de Santa Catarina e Mato Grosso, diz ter chegado a um processo economicamente viável.
A tecnologia envolve a utilização de micro-ondas para desidratar resíduos de alto potencial energético, que normalmente são dispostos em aterros sanitários. Ou seja, o lixo urbano, hospitalar ou industrial, é encaminhado a uma Unidade de Tratamento (UT), passa por uma esteira de triagem, onde são separados os materiais recicláveis – papel, papelão, metal e vidro. O que sobra é triturado e levado ao reator de micro-ondas que, numa temperatura controlada, desidrata o material e esteriliza eliminando qualquer microorganismo patogênico – é importante destacar que resíduos como pedra, areia e blocos, não participam do processo por não terem potencial energético.
O resultado é uma biomassa sem cheiro e sem riscos a saúde humana, transferida a uma Unidade Termogeradora para ser queimada e transformada em energia elétrica – cerca de 15% da energia produzida é consumida pelo sistema de tratamento, o restante (85%) sobra, podendo ser comercializado.
“Normalmente calculamos a produção de 1 quilo de lixo por habitante, numa cidade como São Paulo. Desse 1 quilo, entre 50% e 60% são resíduos orgânicos [transformados em energia], 20% são materiais recicláveis [papel, papelão e plástico] e os outros 20% são os não recicláveis [como pedra e materiais de construção em geral]”, explica Luciano Prozillo, proprietário da Propower Energy, empresa que desenvolveu o método de tratamento.
Dessa forma, a implantação da tecnologia resultaria na necessidade de acomodar apenas 20% do lixo produzido em uma cidade, permitindo aumentar o tempo de vida útil dos aterros sanitários – que geralmente são encerrados após 20 anos de uso.
A transformação dos resíduos em energia é ambientalmente menos agressiva do que a decomposição do material nos aterros. Apesar da geração de energia no modelo de tratamento também resultar na emissão do dióxido de carbono (CO2) – gás de efeito-estufa – a decomposição natural da matéria, chamada de biodigestão, que ocorre em aterros sanitários, emite o gás metano (CH4), cerca de 20 vezes mais potente que o CO2 em relação ao processo intensificador do aquecimento global.
O custo médio para a implantação do sistema de tratamento a micro-ondas seria de R$ 15 milhões, para atender a população de uma cidade com 100 mil habitantes.
Gasolina e diesel
O sistema também é capaz de eliminar 100% do lixo hospitalar – materiais orgânicos são transformados em energia elétrica e o plástico em gasolina e diesel a partir do processo chamado de Craqueamento Catalítico. “O plástico é formado por uma cadeia longa de carbono. É possível quebrá-la e formar composições mais curtas, chamadas de hidrocarboneto, ou seja, a mesma matéria que compõe os combustíveis”, completa Prozillo. Uma quantidade fechada de polímeros (plástico) proporciona uma fração de 60% de diesel e 40% de gasolina, ou seja, 100% dos resíduos plásticos, que seriam depositados em aterros, são transformados em combustíveis.
A água, resultante da desidratação sofrida pelos resíduos submetidos ao reator de micro-ondas, sai em forma de vapor e em seguida é condensada e filtrada para ser reaproveitada no sistema ou lançada na rede convencional, sem causar prejuízos ao meio ambiente. O vapor da água também é importante para a produção de energia elétrica, enquanto a biomassa é queimada na caldeira, num conjunto termogerador, o vapor produzido é levado a uma turbina viabilizando a produção de energia elétrica.
Já a gasolina e o diesel, fabricados a partir do craqueamento catalítico, não emitem enxofre – presente nos dois combustíveis produzidos na forma convencional –, pois o elemento tóxico é inexistente na composição do plástico.
O sistema já está sendo apresentado a alguns municípios, sobretudo de pequeno porte. A empresa também aguarda aprovação de dois projetos para atender cidades do entorno de Belo Horizonte e Bacia do Rio das Velhas, no âmbito do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (Fhidro), uma vez que o modelo não foi testado para atender quantidades significativas de lixo.
Tags: ambiente, aterros, energia, lixo, meio, resíduo, sanitários
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