Lendo uma entrevista do cantor/compositor Lobão ao jornalista Marco Rodrigo Almeida à Folha de São Paulo, fiquei imaginando até onde pode chegar uma mente doentia, corroída talvez pelo consumo excessivo de combinações químicas, ou então seguindo a sua natural índole egocêntrica. Falando sobre Chico Buarque, Lobão ironiza "O que será" e joga farpas na música brasileira em geral e diz que a MPB é de uma "mediocridade galopante". Desnecessário lembrar que seu maior sucesso foi a insignificante "Me Chama". Digo insignificante perto da grandiosidade da obra do Chico.

       Na mesma entrevista, não satisfeito com seus insanos ataques verborrágicos à MPB, e como que para  confirmar que ele sente necessidade de ser diferente para ser observado, Lobão volta sua metralhadora despersonalizada para aqueles que lutaram contra a ditadura militar. Diz ele: Há um "excesso de vitimização na cultura brasileira. Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização para quem sequestrou embaixadores e crucificam os torturadores que arrancaram umas unhazinhas". Completa inversão de valores: Nas palavras dele, não podemos condenar quem arrancou umas "unhazinhas", eufemismo hipócrita para VIDAS.

      Pior que a infeliz entrevista, só mesmo os ridículos comentários postados sobre a matéria ( diferente da imantação, os iguais se atraem ) parabenizando o cantor por leitores que escrevem sem o mínimo senso crítico, como se o compositor algum dia pudesse pelo menos sonhar em ser Chico Buarque, ou falar sobre o que ele não conhece, ou seja, tortura. Entrevistas como essa, feitas por "artistas" que por sua natural aproximação com o povo e com sua capacidade de indução, não acrescentam em nada, ao contrário, denigrem nossa resistente cultura.

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