Faz muito tempo que acompanho o Portal e mais recentemente, o Luis Nassif Online. Sempre encontrei nestes espaços, muito material informativo do meu interesse. E ao contrário dos espaços semelhantes, principalmente ligados à grande mídia (no qual incluo o Portal Terra (do Grupo Telefônica), aqui havia poucas manifestações toscas, do tipo 'torcidas organizadas'. Temo que isto esteja mudando. Esse fenômeno começa a me incomodar. A ponto de cogitar meu desligamento desta 'confraria'. Imagino que eu não seja o único. Refiro-me especificamente, a discussões em parâmetros falsamente regionalistas, que vêm ocorrendo, com crecente frequência. Na época da campanha eleitoral, houve o foco sobre a discriminação ao nordeste. E isso, quero crer, abriu espaço, para posterior surgimento de contrapontos vários. Ocorre que a grande maioria dos comentários, diria uns 80% até, se pauta em argumentos p'rá lá de toscos - típico de torcidas organizadas de futebol. Citaria alguns casos recentes: o paulista/paulistano, de uma ou duas semanas atrás - onde se tentava explicar ou contrapor, a 'hegemonia' paulista. E o de hoje (29/01), de gaúchos, uruguaios, 'maragatos' e assemelhados. Acompanhei pari passu a ambos, embora a maioria dos argumentos fosse primária, em termos históricos, econômicos políticos ou sociais. Acho que a maior riqueza do nosso País é a diversidade. Ela só existe em contrapontos. Não sobrevive, por si mesma. E deve ser objeto de muito respeito, por ambos os 'lados' - se é que há lados nesta questão. A ponto de permitir a convivência, democrática e republicana desses nossos dois bens maiores - diversidade e  convivência de diferentes, em relativa harmonia. Não é o que se vê na maioria dos comentários. Aprofundar a análise das diferenças atuais, com certeza, não envolvem hipóteses que a história não contemplou - como o 'se' do historiador 'neo maragato'. Certamente, estas diferenças têm a melhor explicação, na nossa história econômico-social, de País continental, tanto nas suas relações de trocas externas, quanto internas. Não há como diminuir, no aspecto interno, o papel da região de São Paulo (Capital e interior), como beneficiárias de um processo de relações de troca, típicas do capitalismo monopolista - todo País gerando um excedente econômico, nas relações de troca externas, cujo maior beneficiário interno foi São Paulo. Nem precisaria ser citado, por exemplo, a constatação de Celso Furtado, que o nordeste brasileiro, no auge do ciclo canavieiro, era a região que gerava o maior excedente econômico do mundo. Outras regiões e comodities vieram depois - muitas até de dentro daquele Estado. Ou seja, a hegemonia de São Paulo, não veio 'do nada'. Por isso, nada melhor do que nos concentrarmos nos problemas maiores do Brasil e deixarmos de lado, regionalismos toscos. O caso dos gaúchos, 'Freud explica'. E da mesma forma, tem pouca consistência histórica e econômica. Nos últimos 10 anos, o aparelho-de-estado gaúcho talvez tenha sido o que esteve em piores condições, de toda a federação. Sobreviveu certamente, nas relações de troca ou com ajuda dos demais. Acho que cada um dos membros desse Portal, faria 'melhor negócio', num esforço para destacar questões que nos aproximam, como brasileiros de todas as cores, gêneros, modos de pensar e expectativas e não naquilo que sinaliza para o preconceito, para a desagregação, ou para 'cizânia', termo predileto dos nossos ditadores de plantão, do ciclo iniciado em 1964.

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