Software inédito auxilia trabalho de catadores

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Parceria desenvolve sistema online inédito para auxiliar catadores de materiais recicláveis em todo o Brasil. O programa de software livre promove a chamada “inteligência geográfica” ao determinar as melhores rotas para os trabalhadores, além de evitar sobreposição de territórios e definir pontos ideais para a implantação de novos galpões.

O sistema consiste num banco de dados criado por técnicos do Parque Tecnológico da Usina de Itaipu (PTI) e representantes do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Os trabalhos estão em fase final de implementação. Segundo o coordenador do MNCR de Minas Gerais, Luis Henrique da Silva, foram selecionados dois membros de cada comitê regional para alimentar o sistema com informações – o grupo recebeu treinamento durante a Expo Catadores 2009. O software pode ser acessado livremente pela internet a partir de senha fornecida pelo MNCR.

O superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Jair Kotz, explica que o acesso não terá custo algum às cooperativas ou associações que participarem do banco de dados. “O software é uma expertise, uma estrutura que já tínhamos instalada e com a parceria deixamos a disposição do MNCR”. O movimento de catadores é quem coordenará e disponibilizará os dados, enquanto o PTI dará suporte e atuará como servidor do sistema.

Banco de Dados

O coordenador de comunicação do MNCR, Davi Amorim, destaca que no banco de dados, chamado de Cadastro Nacional de Cooperativas, serão incluídas também informações como número de catadores, situação socioeconômica do trabalhador, número de homens e mulheres por associação, quantos contribuem com a previdência, e quantos são alfabetizados, “tudo isso irá contribuir para que a demanda dos catadores seja melhor discutida. E dados concretos favorecem articulação e reivindicação de políticas públicas”, completa.

Estima-se que em todo Brasil existam cerca de 800 mil catadores de materiais recicláveis, mas apenas 5% deles, ou 40 mil, estão devidamente cadastrados. Amorim explica que o desenvolvimento do banco de dados levou cerca de seis meses. “Uma coisa que contribuiu muito foi a disposição dos programadores [de Itaipu] que tiveram que entender primeiro o funcionamento das cooperativas para então criar uma estrutura simples de ferramentas que se adaptasse a realidade sociativista”, coloca.

A principio, o programa foi preparado para receber conteúdo e determinar a melhor rota de atuação de cada cooperativa ou associação. Kotz conta que o próximo passo será incluir ferramentas que permitam registrar a quantidade de materiais coletados para que no futuro seja possível estabelecer o total de recicláveis que o país recupera. Amorim completa informando que os coordenadores treinados serão novamente reunidos, após um ano do uso do sistema, para discutirem a aplicação de novas ferramentas no software.

O movimento dos catadores desenvolve junto à Universidade Federal de São João Del Rey, de Minas Gerais, outro sistema chamado Cata Fácil. O software foi programado para melhorar a gestão das cooperativas ao registra o total coletado por tipo de material. “Podemos estudar a possibilidade de conectar futuramente os dois sistemas [Cata Fácil e Cadastro Nacional de Cooperativas]”, propõe Amorim.

Os dados oficiais sobre os materiais recolhidos são imprecisos. O último levantamento do Ministério das Cidades – 6º Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos – foi realizado em 418 das 5.564 cidades do país. A amostragem aponta que o Brasil recicla o equivalente a 2,2 quilos por habitante/ano. O mesmo estudo revela que em 2007 os catadores foram responsáveis por 83% das coletas realizadas nos municípios pesquisados.

Parcerias

O trabalho de Itaipu faz parte do Programa Coleta Solidária, iniciado em 2003, na Bacia do Paraná 3 - região que compreende 9 municípios e trabalham cerca de 2,6 mil catadores. No início do projeto foram implementadas associações e cooperativas. A parceria com o MNCR se deu em 2008 e inclui o teste de carrinhos movidos a energia elétrica, com capacidade para carregar até 500 quilos, em cinco estados, além do Paraná: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grade do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Dentre os objetivos do programa está o de melhorar a parceria entre municípios e cooperativas para que os catadores participem efetivamente da gestão dos resíduos. A Lei Nacional de Saneamento Básico, nº 11.445/07, contém as diretrizes gerais que permitem a contratação direta desses trabalhadores pelos municípios, “mas muitas vezes isso não acontece com a alegação de que falta organização e por isso vulnerabilidade na prestação desse serviço”, explica Kotz.

O representante do MNCR de Minas Gerais, Luis Henrique Silva, ressalta que o intuito de convênios, como os realizados com Itaipu e Universidade Federal de Del Rey, é melhorar o acesso à tecnologia, logo, a competitividade das cooperativas no serviço de gestão de resíduos.

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Comentário de BLOG DAS IGUARIAS - em 31 outubro 2009 às 18:51
Beneficiando à todos, será uma ótima investida.
Comentário de Juarez Marques Salgado em 3 novembro 2009 às 13:47
Alguém pode me forncere o endereço para que as cooperativas acessem, pois trabalho com Desenvolvimento Regional Sustentável e estamos apoiando um plano para catadores em Vespasiano MG
Comentário de Saneamento em 4 novembro 2009 às 17:18
O site só pode ser acessado por senha, fornecida pelo MNCR. Sugerimos que entre em contato com o próprio movimento: http://www.mncr.org.br/

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