SOLAMENTE UNA VEZ

 

Se os fatos se tivessem passados no Rio, poderíamos começar o relato, com as palavras da canção que Moreira da Silva cantava: na gafieira segue o baile calmamente, com muita gente dando volta no salão, tudo vai bem, mas eis porém que de repente... Mas... não...nenhum deles era carioca. Nem siquer brasileiros. Eram latinos, sul-americanos, mas de língua espanhola. O cenário: uma danceteria em Vinha del mar. Verão de 1967. Vários pares dançando langorosos boleros, embalados pelo som de uma orquestra cubana de 70 figuras. Ele, um moço alto, bonito, de finos bigodes, cabelos pretos penteados a brilhantina, repartidos ao meio, trajando brilhante terno branco, de linho 120 e calçando um bicudo sapato Clark ponteado com “vira francesa”. Ela, uma escultural ruiva, de longos cabelos caindo em cascata sobre os ombros, toda solta em um vestido longo, de lamê vermelho que deixava à mostra seus ombros nus e parte da coxa esquerda, por um comprido corte que ia da barra até os quadris.

Sentado em uma banqueta alta, junto ao balcão, sorvendo lentamente, em pequenos goles, o seu HI-FI (ele não gostava do Fidel, por isso não bebia cuba-libre) sentiu o coração saltar e as pernas tremerem, quando seu olhar cruzou com o da estonteante ruiva. Ela, que vinha volteando no salão, ao som de uma rumba, enlaçada a um sujeito não muito bom de dança, também sentiu as pernas fraquejarem. A comoção foi tão forte, que num filme de Lelouch, os dois correriam um para o outro e se abraçariam sem procurar explicações. A música parou, ela desvencilhou-se do já indesejado par e dirigiu-se tropegamente à sua mesa, sem tirar os olhos do rapaz. Ele também acompanhou-a com os olhos, sem desviar o olhar de suas espaduas nuas e suas buliçosas nádegas.

Quando a orquestra tirou os primeiros acordes de El Choclo, ele desceu da banqueta e se empertigou, fitando-a fixamente enquanto ela mordia o pecíolo de uma rosa vermelha. Começaram a caminhar um para o outro, dardejando olhares lascivos e pecaminosos. Ele sorrindo, ela séria! Também, se ela sorrisse a flor cairia! Enlaçaram-se e iniciaram um show de tango, que nenhum dos presentes já havia visto igual. Do tango aos finalmente foi um instante só. Sairam dali, para um lugar mais intimo e aconchegante. Esivessem em Buenos Aires, iriam para um ambiente calmo, num recanto sedutor, la na Rua Corrientes 348, no segundo piso, onde tem uma vitrola que toca velhos tangos e canções e um gato de porcelana que mudo assite o amor. E foi ali, num modesto motel de beira de estrada, que aconteceu o vibrante dialogo, entre beijos, amassos e frenéticas transas. Se fosse em Goiás, seria entre tapas e beijos. Eis o diálogo:

Ele: Bessame, bessame mucho, como se fuera esta noche, la ultima vez.

Ela: Yo sé qui soy una aventura mas para ti.

Ele: Quero tenerte mui cerca, mirarrme em tus ojos, querote junto a mi. Piensa que quiça mañana yo yá estaré lejos, muy lejos de ti.

Ela: Yo sé que soy una aventura más para ti e que después desta noche te olvidarás de mi.

Ele: Dicem que em la distancia se olvido, pero yo no consigo esta razon. Yo sé qui seguiré siempre contigo por los capriccios de mi corazon.

Ela: Aunque me besses com loca passion e yo te besse feliz, por un capriccio de l'alma te olvidarás de me.

Ele: Hoy mia barca tiene que partir, pero yo sé que por ti estaré esperando, hasta que tu decidas regressar.

Ela: Es la historia de un amor, como no hay otra igual. Adiós campano de mi vida. Adiós Pampa mia.

Ele: Que bonitos ojos tienes a bajo de sus cejas. Como te llamas?

Ela: Adriana Varela. Usted tambien eres mui guapo, como te llamas?

Ele: Lucho Gatica.

 

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Comentário de Marco Antônio Nogueira em 31 julho 2011 às 21:00

 

Quequeisso,

EAURÍPEDES!

 

Nota máxima

pra ti, amigo!

 

 

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 31 julho 2011 às 21:00

 

Corrijo:

 

Quequeisso,

EURÍPEDES!

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