Sonora Brasil / Violão Brasileiro, Henrique Annes e Marcello Fernandes

Como divulguei na aba de Eventos desse Portal aconteceu, ontem a noite (14/09/09), na cidade de Teresina (PI), na Oficina da Palavra, mais uma edição do projeto - "Sonora Brasil - Formação de Ouvintes Musicais - Violão Brasileiro" -, desenvolvido pelo Sesc, apresentando os violonistas Marcello Fernandes e Henrique Annes.



MARCELLO FERNANDES

Bacharel em Violão e Mestre em Artes pela Universidade da São Paulo. Há mais de dez anos, empreende carreira internacional, tendo realizado recitais e masterclasses em teatros,conservatórios e universidades na Espanha, França, Suiça, Portugal, Colômbia e Chile.

Recentemente lançou seu primeiro disco solo - "Música Latino Americana para Violão", que flerta com a música regional do Estado de Mato Grosso do Sul, onde reside atualmente.

Repertório executado:

- Canção em Lá Menor e Bourrè em Ré Maior, de Eurípedes Fontenele.
- Música para Violão nº 1, de Estércio Marquez Cunha.
- Dois Fragmentos da Paisagem, de Rodrigo Lima.
- Gente da Terra, de Fabiano Chagas.
- Impressões sobre Formação Rochosas, de Gilberto Stefan.
- Lembrança e Há quem Resista?, de Levino da Conceição.

Essas duas últimas músicas executadas por Marcello Fernandes, a valsa "Lembrança" e a polca/choro, "Há quem resista?", na minha opinião foram as mais belas do repertório escolhido, traduzindo o grande talento do autor Levino da Conceição (1895-1955), violonista cego, que foi professor de Dilermando Reis.

Ouçam, "Vê se Te Agrada", de Dilermando Reis.



"Estudo nº 6, de Francisco Mignone.





HENRIQUE ANNES

Hoje com 63 anos de idade, foi testemunha e agente histórico da tradição violonística de Pernambuco, sua terra natal. Iniciou sua prática aos dez anos de idade quando ganhou do pai um cavaquinho. Em continuidade à sua habilidade nata, aprendeu a tocar violão e aos 14 anos já executava músicas de Dilermando Reis e João Pernambuco. Nos anos de 1960, trabalhou em programas de rádio ao lado de Canhoto da Paraíba, Romualdo Miranda e José do Carmo.

Sua formação acadêmica teve início no Conservatório Pernambuco de Música. Sempre em busca de maior aprimoramento técnico, em 1978 foi estudar na Universidade da Geórgia, com John Sutherland, que foi aluno de Andrés Segóvia.

Participou das Orquestras: "Armorial" e "Cordas Dedilhadas". Em 1985 fundou a Oficina de Cordas de Pernambuco. Como compositor e instrumentistas desenvolveu estilo próprio, à luz de seus mestres como fonte de inspiração.

Repertório apresentado:

- Choro Íntimo e Maria Antonieta, de Alfredo de Medeiros.
- Rio Doce e Primavera, de Romualdo Bezerra de Miranda.
- Conta-Gotas, de José do Carmo.
- Nicélia, de Canhoto da Paraíba.
- Garoto "Choro nº 3", de Antonio Argolo.
- Olhos de Mulher, de Armando Cunha.
- Suíte Pernambucana: Recife Antigo (valsa), Rua da Aurora (choro) e Pátio do Terço (frevo).

Ouçam do autor, "Recife Antigo", acompanhado de Maurício Carrilho, Luciana Rabello e Jorginho do Pandeiro.




"Lembranças de Gravatá", acompanhado de Paulo Sérgio Santos.






A apresentação do Henrique Annes (foto acima) foi recheada de informações, como por exemplo, que o Alfredo de Medeiros fez amizade com o Agustín Barrios quando da sua passagem por Pernambuco e o homenageou com a composição "Choro Íntimo"; que a Nicélia, da música do Canhoto foi feita para homenagear sua esposa...e, também, falou bastante do grande bandolinista Luperce Miranda que era irmão do Romualdo Miranda.

Após as apresentações individuais os bambas do "Violão Brasileiro" formaram um Duo e intepretaram uma linda valsa de Levino da Conceição - "Saudades do Rio Grande".

O público, em estado de graça, aplaude com estusiasmo.


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O mais interessante dessa noite foi o contato que tive com Henrique Annes sobre vários assuntos ligados ao violão e ao choro pernambucano.
Na conversa tirei uma grande dúvida sobre o que ocorreu de fato, em 1959, na casa de Jacob do Bandolim, quando a turma de pernambuco esteve lá.

Quem acompanha minhas postagems de blog, possivelmente, lembrará do post "A Vibração Etílica de Radamés Gnattali" (para lembrar e/ou conhecer clique no título sublinhado), onde coloco as opiniões contrárias de Henrique Cazes/Radamés e Canhoto da Paraíba.
Henrique Annes garante que o depoimento do Canhoto da Paraíba, dado ao Museu da Imagem e do Som, é verdadeiro. E, segundo ele, as testemunhas oculares, também.

O escritor pernambucano Urariano Mota (nosso colega de Portal) em comentário feito na minha Página diz, também, a mesma coisa.

Às 23:32 em 2 novembro 2008, Urariano Mota disse...
"Revi Chocho e pedi a um casal próximo que batesse foto do nosso encontro. Tão logo eu a receba, posto a imagem aqui.
Quanto ao entusiasmo de Radamés, com arremesso de copo para o teto, ao ouvir Canhoto na casa de Jacob, acredito ser possível. O próprio Canhoto nunca negou o fato. E ele, o nosso violonista, não era homem de mentir, de contar pabulagem. Pelo contrário, Canhoto possuía a franqueza de um menino, de uma criança.
Um dia, Laura, eu conto algumas confidências sobre o mundo da música que ele me fez. Tem gente de fama que não sai bem no filme.
Abraço".


Conclusão: Eu não tenho mais dúvidas sobre "A Vibração Elílica de Radamés Gnattali".

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Exibições: 236

Comentário de Gregório Macedo em 17 setembro 2009 às 4:24
Parabéns ao SESC e à Oficina da Palavra pela contribuição na formação de ouvintes musicais em nossa Teresina. Quanto à reação incontida de Radamés ao ouvir Canhoto, está, sim, imortalizada.
Beijos.
Comentário de herbenia leite cruz rufino em 19 setembro 2009 às 20:14
laura, amei a sua nova foto e a postagem sobre o evento em teresina... parabens a voce, com carinho, herbenia.
Comentário de Laura Macedo em 22 setembro 2009 às 18:10
Urariano,
Hoje nem é meu aniversário e acaba de ganhar dois presentes de uma lapada só: seu comentário e a perspectiva de receber a valsa "Único Amor", de Alfredo de Medeiros, executada por Canhoto, com acompanhamento de Henrique Annes.
Valeu mesmo!
Beijos.

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