Filho de índia com português, nascido em Jatobá (PE), em 02/11/1883, João Teixeira Guimarães, depois apelidado pelos amigos cariocas de João Pernambuco,aos 12 anos migra para a capital pernambucana e, infuenciado pelos cantadores e violeiros, começa a tocar viola. Em 1904 parte para o Rio de Janeiro levando na bagagem pouca instrução escolar e um violão que aprendera tocar informalmente.

Inicialmente mora com a irmã e trabalha de ferreiro de fundição. Depois consegue um emprego melhor e muda-se para uma pensão, a mesma onde moravam, simplesmente, Pixinguinha e Donga, os quais atraiam visitantes do naipe de Catulo da Paixão Cearense e Quincas Laranjeiras(divulgador do método de violão de Tárrega) que ensinava violão na famosa loja de instrumentos musicais "Cavaquinho de Ouro", frequentada com assiduidade por João Pernambuco visando o aprimoramento violonístico. Alguns anos depois junta-se ao mestre no ofício prazeroso de ministrar aulas de violão.

Com a inspiração nordestina arraigada na alma, sua música refletia a essência do sertão, fornecendo combustível para que Catulo da Paixão Cearense criasse seus dois maiores sucessos: "Cabocla do Caxangá" (1913) e "Luar do Sertão" (1914). Por muitos anos Catulo conseguiu "esconder" seu parceiro. O certo é que a co-autoria de João Pernambuco nunca foi reconhecida oficialmente, apesar do super time de "advogados" que defenderam sua causa: Heitor Villa-Lobos, Mozart Araújo e Henrique Foreis Domingues, o popular Almirante.

Implementou o Grupo Caxangá, onde seus sete integrantes vestiam-se à moda do sertão: lenço no pescoço, sandálias de couro e chapéu de palha, como nos mostra a foto acima, de 1918. O Grupo fez sucesso e passou a contar com as participações de Pixinguinha, Donga, Quincas Laranjeiras, Bonfíglio Oliveira entre outros. Participou, também , dos "Turunas Pernambucanos", com Jararaca e Ratinho, e do famoso "Oito Batutas", organizado por Pixinguinha e Donga.

Sua forma de compor e tocar viria mostrar sua influência por várias gerações depois do reconhecimento do seu talento como violonista. Criou um repertório de "Choros" escritos especialmente para o violão, que segundo diz a lenda, Villa-Lobos teria dito que "Bach não teria vergonha de assinar". Em seus "Estudos nº 1" para violão, o maestro faz referência à obra de João Pernambuco. Outro que opina é o musicólogo Mozart de Araújo: "ele está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o piano".

Violonistas de vários países tocam e gravam suas músicas e isso se deve, principalmente, ao violonista Turíbio Santos que não mede esforços para publicar e divulgar o trabalho desse pioneiro.

No Brasil o número de instrumentistas que visitam sua obra em suas gravações não é pequeno, ao contrário, Altamiro Carrilho, Jacob do Bandolim, Laurindo Almeida, Marco Pereira, Dilermando Reis, Garoto, Yamandú Costa, Mário Adnet, Paulo Moura, Toquinho, Nonato Luiz, João Lyra...

João Pernambuco morreu no Rio de Janeiro, no dia 16 de outubro de 1947, aos 64 anos de idade, mas até hoje ecoam pelo mundo afora, em sua justíssima homenagem, os Sons de Carrilhões.

Fonte: Violões do Brasil

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Comentário de Gregório Macedo em 14 setembro 2008 às 5:29
Querida,
Mais um primoroso texto! As fotos e o vídeo completaram o "serviço". Você é mesmo uma danadinha, como disse a Luzete.
Beijos do seu querido
Dodó Macedo
Comentário de lucianohortencio em 18 julho 2013 às 0:30

Comentário de lucianohortencio em 18 julho 2013 às 0:31

Comentário de lucianohortencio em 18 julho 2013 às 0:32

Com um abraço do Luciano.

Comentário de Laura Macedo em 18 julho 2013 às 0:56

Luciano, é um prazer enorme quando você aparece com seus vídeos fantásticos.

Eternamente grata, querido amigo.

Abraços.

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