SPARTACUS , BALÉ DE ARAM KHACHATURIAN COM COREOGRAFIA DE GRIGOROVICH

O blog de ópera e Ballet publicou em Setembro de 2009 o seguinte texto sobre o balé Spartacus : "O Estado Soviético tinha a mania de se meter em tudo, queria controlar a vida de seus cidadãos. Nas artes não foi diferente: desenvolveu uma estética que ele, (o Estado), achava ideal. Valores como o coletivo, o trabalho em comunidade, a simplicidade do campo eram os mais queridos dos comunas do século passado. Impostos de cima para baixo são uma aberração do século XX.
Toda arte produzida de forma artificial, por encomenda, através de algum burocrata do Kremlin, fica sem graça. Não é o resultado da criatividade de algum gênio da música, das letras e da dança. Primeiro Stalin adorou a idéia desse balé, embora tenha morrido sem assisti-lo. Aran Khachatarian ficou incumbido da composição, seguiu a cartilha comunista, fez uma música sem inspiração, fria, marcial, que abusa dos metais.
Spartacus tem seu ponto forte na coreografia. Yuri Grigorovich coreografa belos números, muitas vezes utiliza passos de dificuldade máxima para mostrar a superioridade soviética nas artes sobre o ocidente. Quebra a seqüência dramática, tira o ritmo da dança, o que importa é a dificuldade técnica. Joga para a galera, aplausos efusivos a cada momento. Algum burocrata deve tê-lo obrigado a isso.
O balé Spartacus é um trabalho que os comunas julgavam ser dessa estética. A luta dos escravos contra os poderosos romanos simboliza a própria luta do comunismo contra o capitalismo, opressor contra oprimido. Não podemos nos esquecer que o balé foi composto e produzido por encomenda na década de 50. Os soviéticos tinham na lembrança a hercúlea luta contra os nazistas. Mais uma simbologia."

A coreografia e a produção desse DVD, gravado em 1970, é a mesma da comentada em setembro do ano passado. A diferença são os solistas, todos exigidos ao extremo de sua técnica e força.

Vladimir Vasiliev faz um Spartacus másculo, heróico e forte. Tecnicamente rígido, mas combina com o personagem. Ekaterina Maximova é pura sensualidade, charme. Sua Phrygia combina passos leves com movimentos de dificuldade máxima, consegue a proeza de fazer passos difíceis parecerem fáceis, assim são as estrelas. Maris Liepa é um Crassus burocrático, viril e sem emoção. Dança bem, tem grande estilo, mas não emociona. Nina Tymofyeva faz de sua Aegina uma bela traidora, interesseira.

A imagem do vídeo é em preto e branco, de péssima qualidade, as câmeras se perdem diversas vezes nas tomadas. O som esta uniforme, audível. Os cenários quase inexistentes , os figurinos rústicos , a luz é uma penunbra assustadora que mais parece um filme de terror. Versão histórica para quem ama o balé e quer conhecer Vasiliev e sua esposa Maximova em sua melhor forma. Trata-se de um documento ,para entendidos, novatos vão se espantar .

Exibições: 70

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