Srs. e Sras " o T do TEATRO CARIOCA " Orlando Miranda e Moyses Ajhaenblat

ORLANDO MIRANDA
TEATRO PRINCESA ISABEL / COPACABANA



Orlando Miranda de Carvalho é um empresário e produtor teatral nascido no Rio de Janeiro. Começou fazendo teatro no curso Martins Pena em fins dos anos 50.

É dono do Teatro Princesa Isabel no Rio. O teatro foi fundado por Orlando, Pedro Veiga e Pernambuco de Oliveira em 27 de Janeiro de 1965.

Nas décadas de 70 e 80 foi presidente do antigo Serviço Nacional de Teatro atual Funarte.

Desde 1988 é presidente da Escolinha de Arte do Brasil, entidade educacional voltada para a arte-educação fundada por Augusto Rodrigues

Moyses Ajhaenblat 

OI CASA GRANDE

Moysés Ajhaenblat é empresário, músico, ator, diretor teatral, provocador político e cultural. Nasceu no Rio de Janeiro, em 15 de julho de 1935.
Seus pais eram poloneses imigrados da Europa em 1929, à procura de melhor opção de vida. O pai, membro do Partido Comunista Polonês, era um excelente alfaiate. Já a mãe foi extremamente religiosa até se incorporar à luta política na corrente judaica do PCB.
De 1949 a 1961, Moysés foi membro da UJC (União da Juventude Comunista). Em razão de sua militância, foi preso pelo DOPS aos 14 e aos 16 anos. Foi também fundador do Partido MDB.
Além de atuar em diversas orquestras como violinista, fundou e dirige, desde 1966, o Teatro Casa Grande – teatro de resistência cultural e política. Em 2005 fundou ainda o Instituto Casa Grande, em defesa da cultura brasileira.
Moysés produziu e dirigiu dezenas de espetáculos teatrais e musicais, entre os quais: Carnavália, de Eneida Moraes; Yes, nós temos Braguinha, de Sidney Miller e Paulo Affonso Grisolli; O Homem de La Mancha, de Dale Wasseman; Gota D'Água, de Paulo Pontes e Francisco Buarque de Hollanda; Roque Santero, O Musical, de Dias Gomes; As Primícias, de Dias Gomes; O Grande Amor de Nossas Vidas, de Consuelo Castro; Um Rubi no Umbigo, de Ferreira Gullar; Um Edifício Chamado 200, de Paulo Pontes; Dr. Fausto da Silva, de Paulo Pontes; Lola Moreno, de Bráulio Pedroso. Foi também premiado pela direção do musical juvenil O Dragão e a Fada (ou Essa Fada Safada), de Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros.

PRIMEIROS ANOS: NASCIDO COM GRANDEZA

1966 - Moysés Ajhaenblat convida os amigos de infância Max Haus e Moisés F***, que se uniram ao companheiro “de mesmos ideais políticos e culturais” Sergio Cabral Santos (pai do atual governador do Rio de Janeiro), e fundaram, no dia 25 de agosto de 1966, o Café-Teatro Casa Grande. Por lá passaram, nos primeiros anos, grandes artistas da época: Nara Leão, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e muitos outros. Em 1968, Moisés F*** se desligou da sociedade por razões pessoais e Sergio Cabral deixou a apresentação do Casa Grande para se dedicar exclusivamente ao Pasquim, publicação jornalística de muito sucesso na época.

Então, o teatro passou a ser administrado por Moysés Ajhaenblat e Max Haus. No mesmo ano, ápice da ditadura militar, o Casa Grande abrigou as revistas de Oduvaldo Vianna Filho De Lenin a Costa e Silva e De Frente e de Costa; as parcerias musicais de Paulo Affonso Grisolli e Sidney Muller em Catiti Catiti, com Joyce e Guttemberg Guarabyra; Yes, Nós Temos Braguinha, show em homenagem ao compositor João de Barro; Carnavália, que relançou Nuno Roland, Blecaute e Marlene, comandados pela cronista Eneida de Morais – depois transformado em antológico álbum duplo gravado pelo MIS; Alice No País Divino Maravilhoso, escrito a dez mãos por Luis Carlos Maciel, Marcos Flaksman, Paulo Afonso Grisolli, Sidney Muller e Tite de Lemos, que lançou no Rio a cantora e compositora Sueli Costa e teve a participação de Hildegard de Angel, Marlene, Grande Otelo, Ary Fontoura e mais 30 artistas e músicos.

Nos anos 70 foram apresentados espetáculos teatrais de peso, como Woyzeck, de Buchner, com Maysa Monjardim Matarazzo como produtora e atriz; A Mandrágora, de Maquiavel (direção de Paulo José, com Dina Sfat, Ney Latorraca, Toni Ferreira e Thelma Reston) e Brasileiro: Profissão Esperança, de Paulo Pontes (direção de Bibi Ferreira, com Maria Bethânia e Ítalo Rossi). E shows musicais inesquecíveis, como Cena Muda, de Maria Bethânia (direção de Fauzi Arap), Vem Quem Tem, Vem Quem Tem, com João Nogueira e Roberto Nascimento, e Tempo e Contratempo (direção de Ruy Guerra). Neste último, o grupo vocal MPB-4 abria cantando sucessos de Chico Buarque e, na segunda parte, o próprio Chico apresentava o repertório de sua peça censurada Calabar. No Casa Grande, os sucessos Ana de Amsterdã, Bárbara e Tatuagem foram ouvidos pela primeira vez. No espetáculo Fado Tropical, houve fato inédito e inusitado: pela primeira vez, o cenário de uma peça teatral foi proibido pela censura. O cenógrafo Helio Eichbauer foi informado na véspera da estreia e, sem muito tempo para modificações, virou o cenário original ao contrário. O público aplaudiu de pé...

ANOS DE CHUMBO: PALCO DA DEMOCRACIA 

Em 1974, realizou-se no teatro a primeira reunião política aberta do País depois de muitos anos de proibição. No ano seguinte, durante sete semanas, o I Ciclo de Debates da Cultura Contemporânea reuniu expressivos representantes das artes plásticas, cinema, televisão, teatro, música, propaganda e literatura. Dentre elas, Plínio Marcos, Rubens Gerschman, Muniz Sodré, Walter Avancini, Sergio Cabral, Chico Buarque, Ziraldo, Zuenir Ventura, Mino Carta, Antonio Houaiss, Alceu de Amoroso Lima, Leon Hirshman, Luis Carlos Barreto, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade, Affonso Romano de Santana e Paulinho da Viola.

Em 1976, realizou-se o Segundo Ciclo de Debates sobre Cultura e o I Ciclo de Debates sobre Economia, que contou com a participação de Bresser Pereira, Cláudio Bardella, Célio Borja, Kurt Mirrow, Almir Pazzianoto, Alceu Collares e Fernando Henrique Cardoso, futuro presidente da República. Esses debates trouxeram pela primeira vez ao Rio o então sindicalista e metalúrgico Luiz Inácio da Silva, que falou a uma plateia formada por políticos e estudantes.

Entre 1976 e 1980, o teatro foi palco de diversos atos pela anistia política e reuniões de artistas e produtores culturais contra a censura então vigente. Em novembro de 1984, o então candidato democrático à presidência da República, Tancredo Neves, recebeu documento de intelectuais e artistas brasileiros contra a censura. Na ocasião, declarou que “O Teatro Casa Grande é o território livre da democracia do Brasil.” 

No mesmo ano, foi realizada a primeira reunião da campanha Diretas Já, com a participação de Ulisses Guimarães e Teotônio Vilella. A grande aceitação permitiu que o movimento fosse levado às praças públicas do País, em uma das mais marcantes e impetuosas campanhas político democrático da história do Brasil.

ATÉ OS DIAS ATUAIS: SUCESSO E RENASCIMENTO

Em 29 de julho de 1985, em reconhecimento ao papel desempenhado pelo Casa Grande na luta contra a censura, o Ministro da Justiça Fernando Lira escolheu o teatro para assinar o decreto que pôs fim à censura, diante de intelectuais e artistas de todo o País.

Durante o governo de Brizola no Rio, ao implantar o programa Cada Família, Um Lote, atravéz da Secretário de Habitação com Carlos Alberto de Oliveira (Caó), Moysés cedeu o espaço do teatro para que seus vizinhos, os moradores da Cruzada São Sebastião se reunissem e organizassem os debates para a luta pelo reconhecimento da posse de seus apartamentos. E foi no Casa Grande que o Governador Leonel Brizola entregou a eles os títulos de propriedade . 

De volta ao período democrático, o Teatro Casa Grande abrigou sucessos como O Mistério de Irma Vap, de Charles Ludlam (direção de Marília Pera, com Marco Nanini e Ney Latorraca); Louro Alto Solteiro Procura, monólogo de Miguel Falabella (direção de Jaqueline Laurence e texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa); Como Encher Um Biquíni Selvagem (texto e direção de Miguel Falabella, com Claudia Gimenez); Nardja Zulpério, de Hamilton Vaz Pereira, com Regina Casé; Um Gordoidao no País da Inflação, show de Jô Soares; Confissões de Adolescente, de Maria Mariana e direção de Domingos de Oliveira; O Reverso da Psicanálise, de Charles Ludlam (direção de Marília Pera, com Luiz Fernando Guimarães e Yoná Magalhães); O Lobo de Rayban, de Renato Borghi (direção de José Possi Neto, com Raul Cortez e Christiane Torloni); Um Edifício Chamado 200, de Paulo Pontes (direção de João Bethencourt, com Milton Moraes no elenco).

Em 5 de abril de 1997, um incêndio durante a temporada da peça O Burguês Ridículo (adaptação de João Falcão e direção de Gol Arraes para o clássico de Molière, com produção e atuação de Marco Nanini) abalou o Casa Grande. Mas o teatro manteve as portas abertas. Nesta fase, destacou-se o sucesso de A Máquina, com direção de João Falcão, que revelou jovens talentos como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão. Outros espetáculos de destaque foram O Que Diz Molero, dirigido por Aderbal Freire Filho, Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Antonio Pedro, e Woyzeck, com Matheus Nachtergaele, Marcélia Cartaxo e os atores do Grupo Piollin.

Além de acolher grandes espetáculos, o Casa Grande produziu em outros palcos O Homem de La Mancha, de Dale Wasserman e direção de Flavio Rangel, que inaugurou o Teatro Bloch, com Bibi Ferreira, Paulo Autran, Grande Otelo e grande elenco, e Gota D’água, de Chico Buarque de Hollanda e Paulo Pontes, direção de Gianni Ratto, com Bibi Ferreira e mais 40 atores, assistido por mais de 1 milhão de pessoas.

A luta ideológica, Moysés sempre a manteve viva. A campanha Casa Grande Vive! levou apresentações teatrais, debates e exposições à Sala Teresa Aragão, foyer do antigo teatro. Em 2005, no dia 25 de abril, para celebrar os 30 anos dos históricos debates políticos, ele lançou na sede do Clube de Engenharia, o Instituto Casa Grande, para desenvolver eventos, novos ciclos de debates e múltiplos projetos e pesquisas.

Em 2008 o teatro volta ao local no qual, na realidade, nunca deixou de existir. Renasce como TEATRO OI CASA GRANDE.

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