Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”

Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”



O Fundo Monetário Internacional e o setor financeiro estão repetindo velhos erros que já prejudicaram a vida de milhões de pessoas na Argentina, Indonésia, Coréia e Tailândia,
entre outros países, denuncia o economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel
de Economia. É o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma
família com a de uma nação. Se uma família não pode pagar suas dívidas,
recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia
nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica,
ninguém investe, cai a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se
por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas.





“Nos Estados Unidos entregamos ao sistema financeiro 700 bilhões de dólares. Se tivéssemos investido apenas uma fração dessa quantidade na criação de um novo banco, feríamos financiado
todos os empréstimos que eram necessários”, disse Joseph Stiglitz em
declarações ao jornal Independent na segunda-feira. Se os bancos
não emprestam, os governos deveriam criar seus próprios bancos e
encomendar-lhes essa tarefa, propôs o prêmio Nobel de Economia.

Na verdade, seria possível fazer isso com muito menos: “Tomemos 100
bilhões, alavanquemos essa quantidade por um fator de dez a um (atraindo
fundos do setor privado) e obteremos uma capacidade creditícia de um
bilhão de dólares, mais do que a economia real necessita”, explicou
Stiglitz. O problema nos EUA é que o estímulo fiscal não foi o
necessário: “Consistiu em boa medida em cortes de impostos e quando se
deu dinheiro aos bancos, foi para aqueles que não deviam ter recebido”.
“A conseqüência de tudo isso é que não se restabeleceu a atividade
creditícia. É previsível que este ano se embarguem dois ou mais milhões
de casas do que no ano passado”, advertiu o economista.

Por trás dos ataques dos mercados financeiros a Grécia, primeiro, e depois contra
a Espanha, o consenso parecer ser o de que os governos devem
economizar, critica Stiglitz, que compara a situação atual a dos Estados
Unidos durante a presidência de Herbert Hoover. Os governos, como o
britânico, não só se negam a estimular a economia, como também se
dedicam a cortar gastos públicos, como fez Hoover em 1929, com a
conseqüência de o “crack” de Wall Street degenerou na Grande Depressão.

“Hoover acreditava que, quando se entra em recessão, aumentam os déficits, pelo
que optou pelos cortes, e isso é precisamente o que querem agora os
estúpidos mercados financeiros que nos meteram no meio dos problemas que
enfrentamos agora”, assinalou o prêmio Nobel. Segundo Stiglitz, é o
clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de
uma nação. “Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que
gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta
gastos, provoca a queda da atividade econômica; ninguém investe,
diminui a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem
dinheiro para pagar as dívidas”, explicou.

“Há muitos experimentos que demonstram isso graças a Herbert Hoover e ao Fundo
Monetário Internacional”, disse ainda Stiglitz. Ele lembrou que o FMI
aplicou essas receitas errôneas na Coréia, Tailândia, Argentina,
Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento nos anos 80 e 90.
“Sabemos o que ocorre. As economias vão se debilitar, os investimentos
cairão e se produzirá uma terrível espiral descendente”, assinalou,
lembrando o que ocorreu com o Japão que experimentou uma receita similar
em 1997, quando estava em vias de recuperação e acabou metido em uma
nova recessão.

A resposta, enfatizou, não é reduzir o gasto público, mas sim redirecioná-lo: “Pode-se cortar o dinheiro que se gasta
na guerra do Afeganistão. Pode-ser cortar várias centenas de bilhões de
dólares desperdiçados no setor militar. Podem se reduzir os subsídios
ao petróleo. Há muitas coisas que podem ser cortadas. E é preciso
aumentar o gasto em outras áreas como a pesquisa e o desenvolvimento, a
infraestrutura e a educação, todas elas áreas nas quais o governo pode
obter uma boa rentabilidade de seus investimentos”.

Ainda segundo o economista, não há tampouco nenhuma razão pela qual não se pode
aumentar em cerca de 40% os impostos sobre os lucros especulativos do
setor imobiliário, por exemplo. Esse tipo de especulação, concluiu, não
beneficia a sociedade e a terra vai seguir aí, independentemente de que a
gente especule ou não. Em troca disso, poderíamos baixar o ônus que
pesa sobre outras atividades como pesquisa e desenvolvimento.

Tradução: Katarina Peixoto


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Comentário de Francisco de A. P. da Silva em 30 junho 2010 às 21:52
Esse Stiglitz tá virando comunista! Daqui um pouco ele vai recomendar à galerinha de Chicago que crie por lá o Banco do Brasil, prá "punhá" dinheiro no comércio, a Caixa Econômica, prá "punhá" dindin na construção civil e o BNDES prá "punhá" bufunfa na industria. Onde já se viu? Vão tirar fotocópia do Brasil e vender por aí como se fosse tese de doutorado em ser Brasil. Vou querer meus royaltes! Essa revolta dele com o povo (e ateoria econômica...) que lenhou com o mundo é um despautério, ômi quá! Veja se tem cabimento se zangar com os caras (e ateoria econômica...) que fizeram barbeiragem e agora, dando de regular como é que o mundo deve ser depois da barbeiragem! São os barbeiros dando aula na auto-escola! Até mesmo depois da barbeiragem! O apelido deles é Chicago Boys por que depois daquele conversê leberal usual sobre liberdade disto e daquilo, de trolóló (é isso mesmo, trolóló!) de "mão invisivel", de que quem passa fome é porque é vagabundo e que quem não passa é porque trabalha e economiza et coetera, eles, de dentro de seus iates exclamam (condoidos com a sorte dos que não criaram sua própria Pirâmide de Madoff): Xí, cagou... Uns cínicos...

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