Quem se deu ao trabalho de assistir o programa da Rede Cultura, Roda Viva, na última segunda feira aprendeu ricamente.

 

   De um lado poucas vezes se viu tantos bons jornalistas no encalço de um Ministro do Supremo, tamanha a verve e a colocação riquíssima dos argumentos, todos endereçados ao corporativismo de classe e à defesa deste, por parte do mesmo entrevistado; de outro o Ministro, dada sua qualidade de polemista incansável, formidável, destes que não fogem – de modo nenhum ao debate.

 

   Chamou atenção também a riqueza da argumentação do mesmo entrevistado. Sua ponderação e admoestação, sua visão de vida e uma extrema coerência prática como jurista,  bem ao lado de seus dotes de tribuno, fazem ouvi-lo ser, de fato e sob a maior parte das vezes, uma delícia para os ouvidos. Inegavelmente.

 

   Chamou também atenção a classe do ministro em não, sob qualquer forma e em momento algum, furtar-se ao debate. Fosse um espadachim, golpearia como golpeou. Em todo diâmetro da arena do programa. Tal a sanha de legítimo desejo de informação, pelos profissionais envolvidos em entrevistá-lo. E bem entrevistá-lo, como se viu. E como  aprendemos, nisso...

 

   Seu... ou, mais propriamente, sua adversária funcional momentânea parece claramente que não lhe fica atrás. Ser-lhe-á oferecida uma desta pública e qualificada tribuna, igual? A esperarmos...

 

   Porém esta mesma adversária (por hora) fustigou-lhe um argumento que o brilhante polemista sequer viu o público perigo que o espreita. Na exata e mesma dimensão e altura do homem público notável: visão, percepção, e voz crítica – do excelente cidadão brasileiro de sempre, em seus mais de vinte anos de serviços prestados àquela Corte.

 

   O brilhante Tribuno argumentou, em síntese, o excesso e abuso de poder inflingido pela Corregedora às práticas de fiscalização que lhe cabiam.

 

   Fundou, sabe-se,  em toda e total confiança, em que esta tenha de fato procedido assim ...

 

   E de onde, e de que fato, brotou esta informação?

 

   Da FSP, jornal que levantou a bola sem que se lhe impusessem a  apuração do fato ...

 

   Hora nenhuma foi ouvida a Corregedora. Na entrevista de hoje, argumenta ela que sua investigação se deu em estritos termos da lei, aliás imposta a todos. Togados ou nem tanto (a conferir, em http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,estou-vendo-a-serpente-...).

 


   Ou seja,  balizou e gabaritou o debate: se o nobre Tribuno apenas fundou toda sua força, potência e nobreza argumentativa em um único e simplório “balão de ensaio” midiático, o momento de alforria do discurso vencedor – no debate – será precioso, educativo e profundamente cidadão.

 

   Momento raro será. Da nação, e com os espadachins de alto e digníssimo nível, a bem manejar seus respectivos floretes ...

 

    Aprenderemos.

 

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Comentário de Luiz Antonio em 11 janeiro 2012 às 20:24
Deixando de lado o floreio de mero ornato, Marco Aurélio é o paradigma do nepotismo no judiciário, um nepote dos anos 90 do século passado. Nessa época, esse poder da república ainda era uma capitania hereditária, que passava de um parente a outro.

Muito se andou desde então, mas esse nepote bem usufrui de todas as benesses que vem recebendo da sociedade brasileira, e em troca fornece seus votos vencidos. (Vencidos porque insanos, irresponsáveis).

Não tem o siso de juiz, não tem carreia a defender, sobra-lhe os fugazes momentos da gloria do pérfido. Daí postar-se junto as forças do atraso sem pejo, com muito sofisma e retórica no mal sentido da palavra.

"Fosse um espadachim..." merecia uma salva de baixo calão de torcida em dia de derrota.
Comentário de nocti vago vago em 16 janeiro 2012 às 20:01

  O calor do contendor, a sua qualidade e inegáveis floreios, despertam uma resposta: o Ministro, queiramos ou não, é Ministro. Podemos preferir outros, mas são todos Ministros. Quis a pena do humilde escrevente destacar o fato que Sua Excelência, polemista irretocável ( esta qualidade não lhe pode sequer ser negada, coerentemente) apoiou-se num fato definido. Pela imprensa, onde se tenha notícia, a Corregedoria do CNJ apoiou-se em ilícito administrativo ( e, segundo atribuído, quiçá penal ). Ora, pela irretratável qualidade do polemista, e se assim não tiver sido ? E se assim não for, veraz, o fato?

A ver.

Floretes e floreios em respeito à qualidade do precioso comentário.

Fraterno abraço.

Missivista originário floreador (no entanto humilde).

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