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Mistura de festa e diva. Nada de espaço alternativo: área de amizade. Ser Tábata não é opção é circunstância. Helena, uma das primeiras Tábatas,
usou de sua beleza e gostosura, no mito, para enlouquecer um homem e
causar uma guerra. Não traiu, mas também não ajudou. O que foi feito
dela? Falando em mito, Penélope não foi Tábata. Fazia e desfazia o
bordado, enquanto espera Ulisses que, heroico, brigava contra o desejo
assobiado pelas nereidas. Teve de amarrar num poste, para não pular na
água. Enquanto isso, a outra resistia ao assédio dos machos de plantão
em terra, bordando, bordando, bordando... Jamais poderia ser Tábata.

Aurélia, personagem de José de Alencar já foi tida como Tábata. Mas duvido. Quase chegou lá, não fosse sua insistência (consciente) em agir como
homem para se liberar como mulher. Ai, muita confusão, dose, pra minha
cabeça de Tábata. Há Tábatas e Tábatas. Carmem Miranda foi uma, da pá
virada. Elis foi outra, combativa e duríssima. Não há se ser diva para
ser Tábata: são dois estados mentais opostos, incompatíveis. Plagiando o
poeta, as Tábatas pensam que sempre vale e pena, mesmo seguindo Helena.
Vejam lá no começo. Tábata não defende “gênero”, “faz” gênero, por isso
é homem e mulher ou mulher e homem, para não ferir a suscetibilidade
dos politicamente (in)corretos. Clarice Lispector e Kavafis, fazem a
cabeça das Tábatas mais intelectualizadas, nem por isso elas são chatas.
A marrom e Marina Lima também chegaram perto de ser Tábatas, mas uma
tem repertório quase execrável, apesar da voz invejável, a outra prima
pelo repertório, mas perdeu a voz. Ney Matogrosso é Tábata, pela
transgressão, talento e resistência. Aos quase 70 ainda causa inveja, e
não é pouca. Clodovil tentou ardentemente ser Tábata, mas a frescura e a
chatice impediram. Foi-se (perdoem o cacófato), sem ter sido... Padre
Marcelo jamais será Tábata: as orelhas impedem. Já o outro padre, o
“gato” – esqueci do nome dele, ô merda – esse quer porque quer ser, está
muito perto, mas me dá a impressão de que falta alguma coisa. Não
convence. Na América do Norte e na Europa não há Tábatas. Tábata é coisa
tropical, sub equatorial, onde não há pecado. Bananas, cerveja e muita
falação: ideal de Tábata, no genérico. No particular, a coisa muda um
pouco. Fernando Pessoa não pode ser Tábata, por que genial, mas Caio
Fernando Abreu foi Tábata, sem a menor sombra de dúvida – e também foi
genial. Ser Tábata é um mistério que vai cortar os tempos e, do lado de
Cronos, vai imperar incólume, até o fim dos tempos.

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