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Temas privados precisam sumir da pauta dos presidenciáveis

Opção sexual, religião, famílias tradicionais, recompostas, dentre outros temas começam a fervilhar nas redes sociais e nos debates como se eles, uma vez discutidos, fossem resolver nossos maiores problemas. As filas intermináveis nos hospitais públicos, a carência de insumos, a falta de leitos e de cirurgias e a corrupção não terão agendas resolutivas se as questões de cunho privado continuarem sendo as bandeiras principais nos debates e entrevistas.

Os candidatos a presidente precisam encarar os temas centrais que prejudicam e matam milhares de brasileiros, todos os dias, pelo país afora. Estamos vivendo uma grande crise econômica, a concentração de renda continua absurda, o número de desempregados aumenta em milhões, a insegurança é alta, a educação pública um vexame e o poder aquisitivo de nossa moeda é cada vez menor.

Sendo assim, inadmissível permitirmos que as pautas eleitorais dos candidatos ao Planalto Central sejam praticamente formadas por temas polêmicos, mas que não dizem respeito ao coletivo. Não há como perder tempo debatendo a sexualidade de um cidadão pagador dos seus tributos e deixar de discutir a morte de milhares de brasileiras com câncer que não conseguem fazer mamografia no setor público.

Inadmissível julgar cidadãos divorciados ao passo que milhares de crianças nascem cardiopatas por que o SUS (Sistema Único de Saúde) não oferece o exame.

Absurdo debater a adoção por casais homossexuais em detrimento ao retorno em nosso país de doenças que já haviam sido erradicadas. Afinal, hoje no Brasil ainda se morre por sarampo e hanseníase. Inconcebível inserir religião e espiritualidade nas pautas políticas enquanto centenas de cidades brasileiras não possuem tratamento de esgoto e as crianças de zero a três anos não possuem alimentação correta que as protejam na absorção intelectual futura.

Os candidatos a Presidente da República precisam deixar de lado os temas privados e aprenderem, de uma vez por todas, que uma vez eleitos eles deverão se dedicar ao coletivo, ao bem estar geral e não à representação calhorda de interesses de pequenos grupos. O Brasil é plural, laico e com uma diversidade enorme de culturas, crenças e posturas.

Ao novo chefe do poder executivo caberá formar uma boa equipe de trabalho que possa minimizar os problemas gerais que nos empurra para o empobrecimento. A pauta coletiva precisa ter a vida, o bem maior reconhecido pela Constituição Brasileira, como a estrela a ser sustentada e não atacada e exterminada a cada falha de gestão.

Os assuntos de caráter privado devem continuar onde nunca deveriam ter saído, ou seja, da intimidade e dos corações de cada brasileiro.

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