TEMPORADA CULTURA ARTÍSTICA, ORQUESTRA DE MUNIQUE E UMA JAPA AO PIANO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

A expectativa era enorme para a apresentação da Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera em São Paulo no dia 12 e 13 de Maio. Motivos não faltavam para tamanha espera. Uma das grandes orquestras do mundo tocando na Sala São Paulo pela temporada da Sociedade de Cultura Artística e acompanhada da renomada pianista Mitsuko Uchida em um programa de deixar todo o amante da música clássica embasbacado. O grupo sediado em Munique sempre é elogiado pelo público e pela crítica e já teve grandes maestros como regentes titulares, da importante lista constam Lorin Mazel, Colin Davis e o mais longevo foi Rafael Kubelík. Desde 2003, Mariss Jansons está no comando da batuta.
O programa escolhido é deveras interessante, abrindo os trabalhos o Concerto para Piano e Orquestra N. 4 de Beethoven. Mitsuko Uchida mostra no primeiro solo da abertura toda a qualidade técnica, só isso não é suficiente para formar um grande solista. A japa tem diversas armas nas mãos, consegue momentos de lirismo com uma delicadeza no toque que se assemelha a seda e nas passagens tensas mostra expressividade intensa. Uma pianista que capta as contradições do suave e denso, consegue momentos expressivos de tirar o fôlego no primeiro movimento. Suas notas soam claras, limpas e sem distorções, não é por acaso que ela faz questão de trazer seu próprio piano. Esse caro capricho parece fazer enorme diferença em sua musicalidade.
Mitsuko Uchida parece pertencer ao quadro da Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera, tamanha sua interação com os músicos. Existe uma cumplicidade entre solista e orquestra onde a música está em primeiro plano. As cordas soarem líricas em um volume delicado e quente, as madeiras harmoniosas e os metais em volume correto fizeram esse concerto para piano e orquestra ser inesquecível. Pessoas comentavam no intervalo as diversas qualidades da orquestra e da solista, cada um com sua impressão e todos de comum acordo, uma grande apresentação.
É sabido que o sucesso da Sinfonia N. 5 de Shostakovich livrou o compositor de congelar na Sibéria. Stalin estava enfurecido com ele devido à ópera Lady Macbth de Mtsensk, naquele período deixar Stalin puto era Sibéria na certa. O sucesso da quinta fez o ditador recuar e dar mais uma chance ao compositor, ainda bem, caso contrário o mundo não conheceria as outras dez sinfonias compostas futuramente.
Ouvir a Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera tocando a Sinfonia N. 5 de Shostakovich é uma experiência única, sua sonoridade fascina em todos os momentos. Músicos e maestro interagem para proporcionar ao público uma experiência que beira a perfeição. Todos os naipes coesos e equilibrados com sonoridade uniforme em todas as passagens. Os metais muito exigidos nessa sinfonia se mostraram com uma sonoridade limpa e volume correto. Marin Alsop estava em seu famoso camarote nove, espero que ela aprenda como os metais tocam de verdade e introduza isso na OSESP.
Sala lotada é sinônimo de difusão musical e acesso a cultura para todos, tenho a obrigação de elogiar a direção da Sociedade de Cultura Artística por abrir a venda de ingressos a preços populares minutos antes do início da apresentação. A Sala São Paulo estava com 1370 espectadores, 80 deles entraram pelo ingresso popular. Pena que o diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Artur Nestrovski, que estava sentado com toda a pompa e circunstância no camarote nove não goste de casa cheia. As apresentações da OSESP tem tido público cada vez menor e o que fez o genial diretor, acabou com o ingresso da hora. Ele deve ter ficado furioso ao ver a Sala São Paulo lotada.
Ali Hassan Ayache

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