TENOR DESAPARECE E MARINA CONSIDERA, MERE OLIVEIRA E RICHARD BAUER DETONAM NA CAVALLERIA RUSTICANA & I PAGLIACCI. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

 

A desigualdade vocal predominou no segundo elenco das óperas Cavalleria Rusticana & I Pagliacci apresentadas no último dia 28 de Outubro no Theatro Municipal de São Paulo. Alguns cantores conseguiram atuações cênicas e vocais exorbitantes enquanto outros estiveram em nível insatisfatório. A orquestra regida por Ira Levin manteve o mesmo padrão da apresentação anterior e o Coro Lírico Municipal mostrou equilíbrio vocal em uma apresentação convincente. 
   O soprano Marina Considera esbanjou talento como Nedda, sua voz sempre afinada se destacou pela beleza do timbre e pelo colorido no médios. Manteve a qualidade vocal durante toda a apresentação através de grande capacidade de recursos como belos pianíssimos, filaturas, mezza-voce e agudos ora fortes ora contidos. Cenicamente mostrou uma Nedda forte, esbanjou sensualidade no dueto com Silvio e exibiu todas as facetas da personagem, de apaixonada a tensa e do ódio ao sensual. Grande apresentação, uma cantora que possuí beleza e graça ímpares. Merece ser vista em todos os palcos do Brasil, tem a plena capacidade de enfrentar papéis como Norma, Aida, Trovatore , Tosca e La Bohème.

Marina Considera, foto Internet


   Elena lo Forte teve uma atuação cênica primorosa com toda a dor sofrida por Santuzza explorada no limite. Vocalmente pecou ao cantar substituindo agudos por gritos em um timbre que soa desagradável em vários momentos. Marcello Vannucci soltou excelentes agudos como Turiddu embora sua voz tenha perdido qualidade ao fim da récita. Alberto Gazale apresentou os mesmo bons graves da estréia dando ao personagem Alfio boa sonoridade.
   A metamorfose aconteceu com Mere de Oliveira, a moça apresentou o mesmo papel ano passado onde foi recatada demais para uma mulher que mete uns galhos no maridão. Dessa vez se soltou, a cena em que dá um pega em Turiddu explodiu em sensualidade, extrapolou os limites do sensual e atacou para o sexual. Deslumbrante, sexy e empolgante. Exibiu todo o corpão e avançou devorando o amante com tudo em uma cena que faz os pensamentos da macharada irem a outra dimensão. Vocalmente sua pequena participação esteve à altura de Lola, uma voz que tem os graves sedutores e escuros e uma projeção enorme que enche todo o teatro.

                                       Mere Oliveira, foto Internet
   O tenor Richard Bauer se encontrou no verismo, como Turiddu ano passado e como Canio esse ano ele mostrou um talento enorme. Seus agudos brilhantes munidos de um colorido especial e um timbre com um fraseado correto e que se adapta ao verismo fazem dele ser o cara quando o assunto e Cavalleria Rustica & I Pagliacci. Uma interpretação cênica densa que emocionou o público, na ária Vesti la Giubba levou o público ao delírio e foi uma pena que não tenha atendido aos inúmeros pedidos de bis.


   A dobradinha Cavalleria Rusticana & I Pagliacci  apresentou cantores nacionais de alto nível vocal e cênico. Enquanto isso o tenor chileno Giancarlo Monsalve, que se apresentou como Turiddu nos dias 18 e 21 e levou algumas vaias, desapareceu das outras apresentações que estava previamente escalado. Dizem que uma gravação enviada ao diretor, este na Europa, selou o fim do tenor no Theatro Municipal de São Paulo. 
   Ali Hassan Ayache

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