O que posto abaixo é resultado da leitura das declarações dos dirigentes iranianos sobre a possibilidade de sucesso de um processo de paz na Palestina. Há uma lacuna no meu texto original: com democracia temos a liberdade religiosa. Mas em alguns lugares, vide USA, tal liberdade é a liberdade de culto da religião. Não existe abertura, na grande revolução americana, para a liberdade total, incluindo o não culto e a irreligiosidade. Tal liberdade tem que ser conquistada sempre e sempre. Num país formado por cristãos, conceder aos cristãos a liberdade de culto fica uma coisa bem estranha.

O post está centrado na questão religiosa e nos preconceitos contra o "outro" que em cada momento assume uma forma, seja judeu até a segunda guerra, seja muçulmano atualmente.


"
Muitos estão a ver nos líderes iranianos os fundamentalistas mais desvairados da história. Quando lemos algo de acordo com eles, os líderes iranianos, de acordo com o que eles fazem e falam, a questão muda radicalmente.

Primeiro não há como não ver os crimes dos sionistas israelenses no momento atual.

Depois, não vejo como não ver que o Estado de Israel seria melhor chamado de República Judaica de Israel. Mesmo que haja um que de democracia, é uma democracia capenga, voltada para os judeus. E apresentada, desde a fundação insólita, pois feita pela ONU e "Pelas Armas", do Estado de Israel em terras Palestinas, como baluarte da civilização. Talvez da Civilização Européia, principalmente a do sec XIX.

A Europa ainda não consegue se livrar daquilo que foi tão criticado no sec XIX, qual seja, a existência de Estados Cristãos. Um trem virado desses é a negação de toda democracia que tem por base a República e o Laicismo. Somente com base na República e, tautológicamente, no Laicismo é que se pode ter os famosos Direitos do Homem, incluindo a prática livre da religião.

Mas tem muita gente que esquece dos princípios das grandes revoluções burguesas na Europa: "Liberté, Egalité, Fraternité... and/or Surêté". O quarto princípio (depois alguém pode corrigir a forma de escrever "segurança para a propriedade privada") é sempre esquecido ou deixado de lado como irrelevante. Não por Marx e Engels e Domenico Losurdo.

A "segurança" termina por fazer surgir anacronismos do tipo Monarquia Britânica, onde o Rei é Líder da Igreja Anglicana e nomeia os Lordes. E a Câmara dos Lordes decidiu sobre a questão da extradição de Pinochet, tal e qual uma Corte Suprema. Ou seja, tem poder.

Como não ver um ranço de fundamentalismo e de velharia prehistórica na Monarquia Democrática da Grã Bretanha?

O pior foi a formação do Estado Judaico de Israel em meados do século XX. E baluarte da prehistórica civilização européia. Em meados do sec XX...

Muitas vezes é assim, dois pesos, duas medidas. Os erros dos outros são algo de terrível e repugnante. Mesmo quando os outros não sejam tão errados assim por estarem de acordo com tradições milenares. Como poderia o Iran buscar uma democracia européia, quanda ela não existe nem na Europa? E o que fizeram os "civlizadores" quando Mossadegh, primeiro ministro iraniano, implementou uma série de reformas progressistas no Iran: um golpe de estado pra lá de sangrento.

Tomando como exemplo o Iran não vejo como eles poderiam seguir um caminho democrático diferente do atual. Tem eleição, optativa, para Presidente, Parlamento e Guardiães da República Islâmica. Sei que República Islâmica é uma contradição em termos. Mas sei que eles têm que levar em conta, no mais alto grau, as tradições, a soberania de seu povo. Pelo menos assumem o que fazem e procuram melhorar. Democracia capenga e dual, devido à presença do Presidente e do Líder Supremo. Mas é o caminho deles e é mais um caminho.

Israel e os guardiães da prehistória não assumem nada. Cerceiam a democracia com Estados que são Religiosos na prática e querem ensinar democracia aos outros. Levam o terror infinito, o massacre, o genocídio, como em Gaza e tantos outros lugares, tantas vezes.

Faz lembrar uma música cantada por João Bosco: "Faces sob o sol, os olhos na Cruz/ os heróis do bem, prosseguem na brisa da manhã/ Vão levar ao reino dos minaretes, a paz na ponta dos arietes/ a conversão para os infiéis..." O que muito mudou desde as cruzadas foi o uso das sofisticadas armas de destruição em massa, usadas por Israel e USA. E a permanência anacrônica de Reinos e Repúblicas Cristãs, travestidas de democracia.

Desse jeito a liberdade religiosa sequer existe. E fica difícil a formação do Indivíduo Pleno, do Indivíduo Genérico, que mostra em seu ser o próprio Gênero Humano. Temos que lutar, ainda, para que a consciência do Ser Humano seja livre. Em outros termos, lutar pela liberdade de opção, religiosa e irreligiosa, se quisermos falar de democracia. Sei que a questão não é só religiosa. Abordo apenas um aspecto.
"


Vicente Cariri da Costa Júnior
vicente.cariry@gmail.com

Exibições: 141

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço