postado originalmente no: http://klaxonsbc.wordpress.com/2009/04/30/toca-raul/


Confesso para vocês que escrever esse post foi dificil para mim. Desde moleque eu fui daqueles caras que procuravam na música, algo mais que o prazer de só ouvir. Gostava (gosto) de conhecer músicas e histórias diferentes, de descobrir coisas, bandas, artistas obscuros. Quando você é mais novo isso se torna até uma maneira de afirmação, de destaque, de tentar fugir do óbvio, de se destacar na multidão de incógnitos, é ilusão, mas diverte.

Tudo isso para falar que hoje, apesar de uma vida de resistência, eu confesso que admiro um músico, que nem de longe, precisa de qualquer concessão da minha admiração para ser o que é pra tantas pessoas: Raul Seixas. Eu pouco ouço Raul, mas durante a vida, direta ou indiretamente, já ouvi todos os discos do baiano. Não há como ignorá-lo.

Em algum momento explodiu na cabeça do jovem Raul Seixas o impacto do rock and roll, e ele transformou isso na sua vida, como músico, como produtor, como artista. O fato é que ele jamais esqueceu que morava no Brasil, e nunca deixou de ser um músico e artista extremamente urbano e antenado. Em sua música tem ecos do brega, do forró, baião e da música, de fato, popular. Raul Seixas nunca fez força ou marketing para penetrar no imaginário do povo. Ele realmente tava lá, rs. Essa falta de limites, fez com ele adiantasse várias misturas, que de forma equivocada, foram anunciadas e incensadas como pioneiras muito depois do cara tê-las feito.

O misticismo, a comicidade, o lado até gaiato por vezes, a rebeldia (de fato), colocam Raul Seixas em um lugar muito específico da historia do rock brasileiro. O fanatismo de seus seguidores, chega a irritar, muitos levam ao extremo algumas coisas que o raulzito dizia apenas para confundir. Mas é diferente com outros ídolos da música?

Eu trabalho em biblioteca pública. Nas idas e vindas de projetos de leitura, tenho oportunidade de conhecer muita gente de perfis completamente diferentes, dificilmente alguém ignora a obra do baiano. Sempre há uma citação de uma canção que seja, e de gente muito diferente entre si. Você entra em boteco e lá está um fulano curtindo uma fossa com A Maçã, se um guri ouve Plunct, Plact Zum, já se identifica de pronto, os místicos com Gita … e por aí vai. Gostemos ou não!

Que bacana poder falar isso, aos quarenta e dois anos, e me redimir de tanta bobagem que disse por aí a respeito desse artista realmente popular. Viveu e morreu de excessos, e deixou uma obra respeitável. Valeu Raul dos Santos Seixas, eu também sempre fui muito reclamão.

Toca, Raul!

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Comentário de Helô em 11 maio 2009 às 12:42
Oi, Ricardo

Um dia depois de ler seu post, vi uma reportagem no Globo sobre Raul e me lembrei de você. Copiei e guardei numa pasta para depois passar aqui. Só agora, dez dias depois, encontrei a matéria :)
Beijos. Helô.

Um documentário em longa-metragem dirigido por Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel; um pacote com um CD de gravações raras e duas inéditas e um DVD documental; e uma biografia chegam ao mercado ainda este ano. Mas as homenagens começaram, informalmente, no ano passado, com duas músicas que ressaltam sentimentos contraditórios que existem em relação a ele: "Toca Raul", de Zeca Baleiro, e "Eu não toco Raul", da banda goiana Pedra Letícia.

Ouça 'Toca Raul', com Zeca Baleiro

Ouça 'Eu não toco Raul', com Pedra Letícia

- Essa música estava por aí, no ar. Alguém faria mais cedo ou mais tarde. Eu já ouvi esse bordão até em show do Caetano. Para mim, sempre que gritavam "Toca Raul!" da plateia, era como se pedissem: "Incendeia o show em vez de tocar essas suas inéditas". Mas hoje virou uma gaiatice. Agora, eu criei um monstro. Gritam antes do show - brinca Baleiro.

Em sua música, Zeca Baleiro diz que onde vai "tem sempre algum fã do cara" que "parece uma tara". Tara essa criticada pela irônica Pedra Letícia, que descreve um fã de Raul: "Em todo bar que a gente vai tocar/ Tem sempre lá no canto um cara com a barba por fazer/ A camiseta com a cara do Che/ E um buraquinho nela onde havia a estrelinha do PT".

- A nossa música é uma piada com esse personagem. E toda piada é um pouco preconceituosa, seja com português, com loura ou com o fã do Raul. Mas sou fã do humor dele, que certamente gostaria da brincadeira. "Eu não toco Raul" é tão pedida que fecha nosso show. Tem uma época da vida, nos primeiros anos de faculdade, que todo mundo vira Raulzito - diz o cantor Fabiano Cambota. - Para uma banda que faz música bem humorada, Raul é influência. Acho que nem ele queria ser levado muito a sério.
(...)

***

Peguei os vídeos no YouTube

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