Morreu na madrugada desta sexta-feira (4 de maio de 2012) o cantor José Perez, mais conhecido como Tinoco, da dupla sertaneja Tonico e Tinoco, aos 91 anos, deixando imensa saudades em seus fãs.

 

Em 1973, a dupla Tonico e Tinoco, aos 54 e 53 anos, respectivamente, concederam entrevista ao programa MPB especial, da TV Cultura de São Paulo. Trechos do referido programa, abaixo.

 

 

 

 

Demorou cinco anos para juntar os dez mil réis necessários para comprar a primeira viola, feita a canivete. Dinheirinho suado, ganho no cabo da enxada, como contavam sempre Tonico (João Salvador Perez) e Tinoco (José Perez), os irmãos que formaram a mais verdadeira e tradicional dupla sertaneja da história, já que eram coboclos autênticos, nascidos na roça: Tonico em São Manoel (1919) e Tinoco em Botucatu (1920).

 

A primeira influência foram dos discos de Cornélio Pires e as primeiras experiências foram cantando em dupla e ponteando a violinha, nos bailinhos sertanejos e nas serestas de fazendo, em Bottucatu e depois em Sorocaba, no Estado de São Paulo. Mas foi em São Manuel que enfrentaram um microfone pela primeira vez. O administrador da fezenda São João de Sintra, onde trabalhavam, era fã da dupla eos levou até a emissora da cidade. Cantaram “Namoro de Velhos” e passaram a se apresentar - de graça – todos os domingos.

 

Daquele domingo, em 1938, até 1994, quando Tonico morreu em São Paulo, a dupla cumpriu uma das mais belas carreiras da música popular brasileira. Fiéis às origens, cantando o autêntico gênero sertanejo, sem fazer concessões, apresentando-se em programas de rádios tradicionais, sempre nas madrugadas, quando a gente do campo acorda para a lida. Cantando também em circo, teatros, em cinemas, em televisões, em grandes festivais ou modestas festas religiosas e, até mesmo, no Teatro Municipal de São Paulo (em 1979), Tonico & Tinoco consolidaram a posição da mais antiga, autêntica e respeitada dupla caipira brasileira.

 

Intérpretes de suas próprias composições ou de consagrados autores do gênero, como Catulo, Joubert de Carvalho, Capitão Furtado, Raul Torres, João Pacífico, entre outros, os irmãos Perez prestaram inestimável serviço à cultura brasileira. (Arley Pereira).

 

 

 

 

 

Trecho do filme "Lá no Meu Sertão", onde é recriada a cena em que o Capitão Furtado
batiza a dupla ganhadora do concurso de modas caipiras, trocando seu nome de "Irmãos Perez" para a consagrada e venerada dupla "Tonico e Tinoco".

 

 

 

 

 

 

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Fonte:

- A Música Brasileira deste Século por seus Autores e Intérpretes, Vol: 2 / J.C. Pelão Botezelli e Arley Pereira. - São Paulo: SESC, 2000.

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Comentário de Marco Antônio Nogueira em 4 maio 2012 às 23:23

LAURA,

Assino o ponto em seu tópico

com esses vídeos da dupla

TONICO e TINOCO.

Pêsames a todos nós

que curtimos músicas

do mundo sertanejo.

Triste é que o passamento

de TINOCO se deu exatamente

na semana do aniversário seu,

você que tanto ama a música

e se entrega de corpo e alma

ao estudo dela.

Veja, abaixo, o que disse

nossa Ministra da Cultura,

ANA DE HOLANDA.

"O Brasil perde um dos artistas mais representativos da sua cultura popular", abriu a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, em sua nota de pesar sobre a morte do músico Tinoco, que ocorreu na madrugada desta sexta-feira (4).

"Tinoco formou com o irmão Tonico uma das mais marcantes duplas sertanejas do País. Por meio deles, o folclore do interior de São Paulo e de parte de Minas rompeu as barreiras e influenciou todo um segmento musical, que atualmente tem representantes nos quatro cantos desta Nação", continuou Ana.

Tinoco era dupla do irmão TonicoTinoco era dupla do irmão Tonico

A ministra ainda pontuou como a dupla disseminou as tradições do interior, com os sonhos e dores do chamado "caipira": "um intuitivo, um sabedor das manhas da terra e dos homens. Daí porque as homenagens nas modas de viola", completou, ao falar sobre o prêmio Ordem do Mérito Cultural, que Tinoco recebeu em 2010. "Reconhecimento a uma arte despretensiosa, mas brilhante, profunda e original. Neste momento de dor, me solidarizo à família, amigos e admiradores de Tinoco", finaliza Ana.

CHICO MINEIRA

com

TONICO e TINOCO

http://youtu.be/Sp3NnkpBqJc

 2)

 CABOCLA TEREZA

 com

TONICO e TINOCO

http://youtu.be/-tXjtexjCpU

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 4 maio 2012 às 23:26

CORRIJO:

"CHICO MINEIRO"

Comentário de Laura Macedo em 5 maio 2012 às 0:46

Marco,

Muito bom você ter colocado o link do JB aqui nos comentários. E muito boa a escolha dos dois vídeos que você postou.

Quando nossos queridos e talentosos artistas saem de cena, no primeiro momento, bate aquela tristeza, mas logo depois quando ouvimos suas músicas essa tristeza é amenizada. Por isso é que os poetas, cantores, compositores.... não morrem, acho que ficam "encantados"...

Hoje também lembrei que há 75 anos saía de cena o genial Noel Rosa. 75 anos é um bocado de "anos" e o nosso querido poeta da Vila está mais vivo do que nunca, não é mesmo?

Deixo pra você esta música. Apesar de melancólica, é muito bonita.

“Violões em funeral”, de Sílvio Caldas e Sebastião Fonseca, com Orquestra Radamés Gnattali. Continental (16.179), 1951.

Grande abraço.

 

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 5 maio 2012 às 1:00

 

LAURA,

 

Bonita, não.

Mais, belíssima!

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