Trabalhar é Pecado - Alvarenga e Ranchinho

Elogio à preguiça:

Comentário que fiz no site Elogio à preguiça: 
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Meu caro Adauto,

Se reza o dito no livro das revelações, que o ócio é um pecado capital, pois trabalhar também o é, pelo menos é o que reza o dito popular na sabedoria dos matutos, uai.
Trabalhar é Pecado – Alvarenga e Ranchinho
http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&v=Rss_1lAZ4eQ&NR=1

 

Samba do Trabalhador - Martinho da Vila


 

 

Adauto Novais: Por que a preguiça?
26/07/2011 por elogioapreguica

A pergunta é na exata proporção da importância de uma atividade esquecida, pois classificada, irrefletidamente, como inatividade. Na exata proporção em que se aceita a preguiça, tão prontamente, indexada entre os pecados capitais (o termo, aqui, em ambos os seus sentidos), ao mesmo tempo em que se marginaliza toda uma linhagem reflexiva que quis dar ao tempo outro sentido (pois, enfim, é disso que se trata) – “tempo” avesso a sentidos, em que o pensamento assume novo tom: o sem finalidades, e, não por isso, menos criador; não, pelo menos, segundo Tales, Sêneca, Platão, Aristóteles, Montaigne, Jean-Jacques Rousseau, Charles Baudelaire, Paul Lafargue, Walter Benjamin, Bertrand Russel, Wittgenstein, Michel Foucault, T. S. Eliot, Bob Black, Bernardo de Guimaraens, Mário Quintana.

Enfim, uma frase de autoria de Albert Camus dá conta da subversão implícita ao tema: “São os ociosos que mudam o mundo porque os outros não tem tempo algum”, o que é uma forma espirituosa de suscitar perguntas, cujas inflexões permeam todas as conferências integradas ao evento: “O que se deve fazer?” Ou: “O que estamos fazendo de nossas vidas; de nossas vidas em sociedade?” Ou ainda: “Deve-se fazer sem pensar o que se faz?”.

Deite e devaneie, este blog poderia propor, não fosse aqui um espaço contrário a imperativos.

 

 

Ricardo Bello em 12/08/2011 às 23:05 disse:

Que preguiçaaaaaaaaaaaaa !!!!

Samba do Trabalhador
Composição: Darcy da Mangueira
Na segunda-feira eu não vou trabalhar
É, é, é a
Na terça-feira não vou pra poder descansar
É, é, é a
Na quarta preciso me recuperar
É, é, é a
Na quinta eu acordo meio-dia, não dá
É, é, é a
Na sexta viajo pra veranear
É, é, é a
No sábado vou pra mangueira sambar
É, é, é a
Domingo é descanso e eu não vou mesmo lá
É, é, é a
Mas todo fim de mês chego devagar
É, é, é a
Porque é pagamento eu não posso faltar
É, é, é a

E quando chega o fim do ano
Vou minhas férias buscar
E quero o décimo-terceiro
Pro natal incrementar
Na segunda-feira não vou trabalhar
É, é, é a
É, é, é a

Eu não sei por quê tenho que trabalhar
Se tem gente ganhando de papo pro ar
Eu não vou, eu não vou
Eu não vou trabalhar
Eu só vou, eu só vou
Se o salário aumentar
É, é, é a
É, é, é a

A minha formação não é de marajá
Minha mãe me ensinou foi colher e plantar
Eu não vou, eu não vou
Eu não vou trabalhar
Eu só vou, eu só vou
Se o salário aumentar
É, é, é a
É, é, é a

Tô cansado…

 

 

Em sua primeira manhã em São Paulo, Macunaíma acorda sobressaltado com os barulhos dos bichos daquela selva. Mas quando lhe ensinam que aqueles pios urros uivos não são de sagui-açu, não, são do elevador, e que a onça pintada, na verdade, se chama ford hupmobile, o herói estremece, e se toma “de um respeito cheio de inveja por essa deusa deveras forçuda, Tupã famanado que os filhos da mandioca chamavam de Máquina.” E então Macunaíma fica sem comer por uma semana, só “maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca contra a Máquina.” Quando percebe que “a Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam nas máquinas”, ele se dá conta que a luta dos filhos da mandioca com a máquina acaba sempre em empate porque “a Máquina devia de ser um deus de que os homens não eram verdadeiramente donos só porque não tinham feito dela uma Iara explicável, mas apenas uma realidade do mundo.” No mundo construído pela mentalidade moderna “os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens”, conclui o herói. Depois de formular nos seus termos a teoria do fetichismo da mercadoria, nosso herói explode numa grande gargalhada e percebe “que estava livre outra vez”. Até o fim de sua vida sobre a Terra, Macunaíma, o herói da nossa gente, se recusa a abraçar a mentalidade moderna da valorização através do trabalho: no cenário antropofágico da modernização brasileira – povoado de gigantes comedores de gente – ele não enxerga pontos de sustentação na sociedade que o animem a experimentá-la.
Mônica C. Lepri, Revisitando Macunaíma: o trabalho que a preguiça dá.
http://www.overmundo.com.br/banco/visitando-macunaima-o-trabalho-qu...
P.S. – Resolvi postar esse trecho pois fiquei muito curiosa com o silêncio sobre o herói de nossa gente num ciclo de elogio à preguiça…


  • elogioapreguica em 03/08/2011 às 13:17 disse:

    Ótima contribuição.

    Quanto ao nosso herói, ele não foi esquecido, não. Será assunto para José Miguel Wisnik.

    Saudações,

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