No dia do trabalho acordei pensando sobre  a sua importância para a sociedade e sua íntima relação com o poder. Sem dúvida, a sociedade não existiria sem o trabalho. Não por acaso que os grandes estudiosos das ciências sociais, filósofos e pensadores têm demonstrado grande interesse em discutir  sobre o trabalho e suas implicações. Marx foi um deles que estudou profundamente sobre as relações de trabalho no capitalismo e apontou o quanto de exploração o trabalhador é submetido, enquanto que o capitalista acumula riquezas advindas com o suor e sangue da maioria da população através da mais-valia. Essa contradição é acintosamente ignorada.

Nas peças publicitárias e em todo o sistema de marketing empresarial há todo um esforço velado no sentido de apresentar uma sociedade perfeita, onde os direitos humanos e trabalhistas são plenamente respeitados. Mas todos sabem que as relações de trabalho ainda são, em geral, desumanas: salários baixos, péssimas condições (físicas, materiais,  psicológicas etc), são visíveis no campo e na cidade. O assédio moral, o desrespeito ao trabalhador e a pressão por maior produtividade, estão presentes em praticamente todas as empresas, tanto públicas quanto privadas. Mas isso tudo é ignorado e, quando há reclamações da parte dos trabalhadores, os empregadores  as têm como problema isolado, como um ato subversivo ou como coisa de quem está “fazendo política”. Nessa perspectiva apenas os empregadores têm o direito de fazer política. Com isso, deturpa-se até mesmo o conceito de política. Assim, qualquer forma de manifestação: greves, ou até mesmo tentativas de negociações, são tratadas com desdém.

Não por acaso que os movimentos sociais surgidos no âmbito do trabalho tiveram seu início há muito tempo, especialmente quando se evidenciaram o desenvolvimento e as contradições do sistema capitalista, cujos resultados diretos são a concentração de riquezas e o aumento da pobreza e da miséria. Nos primórdios da Revolução Industrial até as primeiras décadas do século XX não havia qualquer legislação que resguardasse os direitos do trabalhador: definição da jornada de trabalho, férias, décimo terceiro, entre outros benefícios, se tornaram obrigatórios após muitas lutas e organizações dos trabalhadores. Todavia, vez por outra os partidos conservadores, formados por representantes da burguesia rural e urbana  tentam tirar tais direitos já garantidos por lei para aqueles que de fato produzem a riqueza das nações.

A principal fonte produtora de riqueza é a força de trabalho humana. Essa força continua em nossos dias sendo objeto de muita exploração. Discutir acerca das condições de trabalho ainda constitui num grande tabu, tendo em vista a visão retrógrada das elites detentoras dos meios de produção. Trabalho e poder são praticamente sinônimos, pois quem tem primazia sobre os trabalhadores, em razão de concentrar os meios de produção, impõe uma estrutura social injusta como forma de garantir o poder e sua perpetuação; em contrapartida, os trabalhadores, donos unicamente da força de trabalho, são tornados em mercadorias baratas, quando não, meros escravos. A demonstração direta dessa realidade injusta são os bolsões de miséria, onde amontoam-se famílias inteiras em favelas em contraste com residências luxuosas nas grandes metrópoles. Nisso temos uma verdadeira ignomínia, um conflito social constante e a chamada luta de classes.


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Comentário de Ivan Bulhões em 1 maio 2011 às 17:37
A humanidade somente viverá em uma sociedade livre quando as propriedades de bens de produção pertencerem aos trabalhadores, seu legítimos donos.
Comentário de João Nunes da Silva em 1 maio 2011 às 17:42
É verdade Caro Ivan, assino embaixo seu comentário.

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