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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


No final de agosto, a cidade de Curitiba tomou a decisão inovadora de incluir na frota comercial de transporte da cidade seis veículos movidos a biodiesel puro, o B100. Um mês após a inclusão dos veículos verdes nas linhas de transporte público da cidade, os resultados se mostram positivos e permitem vislumbrar um cenário de ampliação do uso do energético.

Do ponto de vista ambiental, conforme esclarece o coordenador da implantação do projeto e gestor da área de Vistoria e Cadastro do Transporte Coletivo da Urbanização Curitiba S.A. (Urbs), Elcio Karas, em um mês de testes já foi constatada uma redução de 30% nas emissões de monóxido de carbono e de 19% de óxido de nitrogênio.

Os veículos foram abastecidos com o B100 à base de soja, no dia 27 de agosto, e a previsão era de um consumo de combustível até 8% maior do que os ônibus abastecidos com diesel. No entanto o aumento foi de apenas 5%, com índices melhores que os esperados neste início de programa, contou Karas.

Iniciativa


A ação indica um avanço da cidade no uso dos biocombustíveis. Enquanto o governo federal anuncia a medida de antecipação da adição de 5% de biodiesel puro ao diesel, para o início do próximo ano, a Curitiba já torna realidade uso do B100. O valor do biodiesel usado no projeto é R$ 2,20 o litro, mas chegas às empresas a R$ 1,72, devido as ações de subsídio da prefeitura e órgãos públicos locais.

Nos primeiros seis meses, serão seis ônibus circulando com o B100. Após esse período, mais seis veículos entrarão em circulação para a fase de testes, que deverá durar 18 meses. Essa fase envolverá avaliação técnica de desempenho, custos, emissão de poluentes. Os dados coletados servirão de subsídios para ampliar a quantidade de veículos “verdes” circulando na cidade.

A decisão, no entanto, ainda carece de dados de viabilidade técnica e econômica que deverão vir com a conclusão dos dados. Karas avalia que, embora os testes estejam apresentando bons resultados por enquanto, ainda é cedo para uma projeção futura de inserção em massa do biodiesel puro. Caso o projeto de ônibus tenha êxito, a intenção é renovar toda a frota do município em um prazo de até 10 anos.

A iniciativa é inédita na América do Sul, segundo Karas. Embora alguns estados e países já possuam veículos movidos somente a biodiesel, a iniciativa de Curitiba se difere inserir o do B100 em rotas comerciais - em parceria com concessionárias privadas de transporte.

Crédito de carbono

A possibilidade de comercialização de créditos de carbono está sendo considerada pelo grupo responsável pelo trabalho. Karas explica que será estabelecida uma equipe para formular o método de comercialização dos créditos que virão da substituição do combustível fóssil pelo biocombustível. O projeto, no entanto, é embrionário e dado o trâmite necessário para registrar projetos nesses moldes, deverá vir dentro de alguns anos. Mas é uma possibilidade real de lucros.

Projeto

O projeto começou a tomar moldes em 2007, mas há trabalhos para tornar o transporte urbano, da cidade, mais limpo desde 1995. De acordo com Karas, após a construção do novo corredor viário, Linha Verde, foi feita a concessão das empresas que ali circulariam com o B100 nos ônibus, fabricados pela Scania a Volvo.

Angariar os parceiros foi um desafio, pois preciso garantir o fornecimento e a distribuição do energético. A empresa BSBios foi a escolhida para o fornecimento do energético com alto grau de pureza – requisito fundamental para que o biodiesel não cristalize em eventuais quedas de temperatura na cidade.

O biodiesel utilizado nos veículos é à base de soja. A escolha da matéria prima foi tomada, principalmente, por ser uma cadeia maturada, logo não haveria riscos de oscilações no fornecimento do biodiesel.

Os ônibus têm motores Euro III e a previsão é de um consumo total de, em média, 20 mil litros por mês. Cada ônibus da Linha Verde percorre em média 200 quilômetros, por dia. A troca do óleo lubrificante dos ônibus será feita a cada cinco quilômetros, com monitoramento constante para observar os efeitos do biocombustível em peças como pistão, anéis, bicos injetores e tubulação.

São parceiros do projeto da Urbs, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente; as empresas operadoras do transporte na Linha Verde, Cidade Sorriso e Viação Redentor; as empresas fabricantes de chassis Scania Latin América e Volvo do Brasil; o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar); o Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico e Combustíveis (Probiodiesel); e as empresas BSBios Indústria e Comércio de Biodiesel Brasil Sul S/A, sediada em Passo Fundo (RS), que produz o combustível; e a RDP, Distribuidora de Petróleo Ltda, sediada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, responsável pelo transporte.

Tags: b100, biodiesel, combustível, curitiba, diesel, energia, limpa, público, transporte

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Marco Aurelio de Araujo Comentário de Marco Aurelio de Araujo em 28 outubro 2009 às 16:41
Vi reportagem sobre transp coletivo na Africa do Sul (para a copa) a briga dos perueiros, e estava lá os bi-articulados (marcopolo) de Curitiba.
Terminais de ônibus iguais aos daki !!! q beleza

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