Trem das Onze - A Poética de Adoniran Barbosa

 
Batucando a cidade, seus personagens e costumes, Adoniran nos deixou um importante documento da cena paulistana de seu tempo.

 

Mais do que um registro essencial para a memória de um dos mais populares compositores do samba paulista Trem das Onze – A Poética de Adoniran Barbosa (Ed. Aprazível) mostra que, em São Paulo ou no Rio, o samba definitivamente nasceu na rua.

 

O livro, como os sambas do compositor, revela a cidade do “pogréssio” testemunhada por Adoniran e sua família de imigrantes, e também Iracema, Arnesto, Matogrosso e Joca.A música-cidade que nasceu na porta das fábricas, na feira, no circo, na marmita do operário.

 

Fictícios ou não, os personagens e cenários batucados pelo sambista estão presentes neste precioso documento organizado por Leonel Kaz e Nigge Loddi a partir de imagens de acervo pessoal de Adoniran Barbosa, e também arquivos do Instituto Moreira Salles, com ensaios fotográficos de Peter Scheirer, Alice Brill, Vicenzo Pastore, Hildegard Rosenthal e Henri Ballot. A edição comemorativa do centenário de Adoniran Barbosa apresenta 140 cliques da cidade entre 1930 e 1980.

 

Além das imagens, o livro conta com texto inédito do jornalista Celso de Campos JR, autor de "Adoniran-Uma Biografia", um dos mais completos registros da vida e obra do compositor. Celso também é editor do site oficial de Adoniran e curador do Acervo Adoniran Barbosa.
 

A publicação também vem acompanhada de um CD com 14 gravações de clássicos como Saudosa Maloca, Iracema e Trem das Onze. (Fonte: Catraca Livre, por Biancamaria Bizzani).

 

 



Confiram aqui, matéria do programa Metrópolis da TV Cultura.

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Comentário de Gilberto Cruvinel em 18 dezembro 2010 às 12:13

 

Oi Laura,

 

Quando eu assisti essa matéria na Cultura e li sobre o livro na matéria do Fabio Victor na Folha (matéria abaixo), imediatamente pensei em fazer exatamente o que você fez, um post. "Tirou daqui" Laura, "tirou daqui". Você está certa, temos uma sintonia musical :-)

 

Achei perfeita a avaliação do organizador do livro Leonel Kaz: "O Adoniran é um grande poeta erudito. Um poeta erudito brasileiro que soube se apropriar da lírica popular e transformar em erudição."

E sobre a questão do olhar sobre a cidade. Eu nunca tinha lido reflexão melhor e mais poética:

 

Leonel Kaz:

“É muito interessante você caminhar pelas ruas. Eu, outro dia, falei com o prefeito do Rio, que só num trecho ali da praia de Ipanema, em 4 quarteirões, tinha 78 ralos diferentes, de épocas diferentes, desde a companhia de Bondes até os ralos da Light and Power. Então, se você caminhar pelas ruas e olhar para o chão você vai encontrar ralos, se você olhar para os lados, você vai encontrar paredes, se você olhar mais adiante, você vai encontrar pessoas. E se você se fixar com emoção e sensibilidade, você vai encontrar a si mesmo nesse passeio pela cidade. Eu acho que a gente devia usar mais esse olhar de Flaneur, esse olhar da alma encantadora das ruas para redescobrir estes lugares”

 

Cadão Volpato: “Que era o olhar do Adoniran...”

 

Leonel Kaz: “Que era o olhar do Adoniran, que era o olhar do João do Rio, que era o olhar do Machado de Assis, grandes escritores e poetas cada um em seu tempo.”

 

Esse livro é obrigatório. Estará certamente na minha biblioteca. O lançamento foi na quarta-feira passada, dia 15, na Livraria Cultura, como mostra o vídeo que você colocou.

 

Beijos

Gilberto

Da Folha 15/12/2010

Livro ilumina a São Paulo de Adoniran Barbosa

 

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

 

Um jovem e esquelético Adoniran Barbosa posa sem camisa ao lado da mulher, Matilde, vestida num (hoje) comportado maiô, ou empresta o pescoço de picadeiro para seu vira-lata Peteleco.

São imagens captadas em uma São Paulo distante, onde crianças brincavam num Brás idílico como o da foto ao lado e os homens iam ao Pacaembu de terno e gravata --mas com chapéu feito de jornal para se proteger do sol.

O encontro entre os dois mundos, a vida privada do compositor e a cidade que foi a seiva de sua obra, se dá em "Trem das Onze - A Poética de Adoniran Barbosa", que vai ser lançado hoje em São Paulo, nos estertores do centenário de nascimento do músico (1910-1982).

Com apurado acabamento gráfico, as fotografias são alinhavadas por um texto do biógrafo e curador do acervo Adoniran Barbosa, Celso de Campos Jr. Integra ainda o livro um CD com 14 clássicos do compositor em interpretações consagradas.

O trabalho teve patrocínio da Bradesco Seguros, por meio da lei federal de incentivo à cultura.

Acervo Adoniran Barbosa/Divulgação
Adoniran e o seu vira-lata Peteleco, na década de 1950
O cantor e compositor Adoniran Barbosa e o seu vira-lata Peteleco, na década de 1950, em foto do acervo dele

O material foi garimpado em dois acervos: o da família do cantor, sem identificação da autoria das imagens, e o do Instituto Moreira Salles.

Deste, despontam cenas paulistanas de 1930 a 1980, de ensaios feitos por estrangeiros radicados no Brasil como os alemães Peter Scheier (1908-1979, cujas imagens monopolizam o livro); Alice Brill e Hildegard Rosenthal (1913-1990); e o franco-brasileiro Henri Ballot (1921-1997).

"Não quisemos enfatizar o autor, mas a expressão de São Paulo que ele permitiu surgir", explica Nigge Loddi, da Aprazível Edições e Arte, organizadora do volume com o sócio Leonel Kaz.

É algo semelhante, relata, ao que a editora fez recentemente com "O Morro e o Asfalto no Rio de Noel Rosa".

Celso de Campos Jr., autor de "Adoniran - Uma Biografia" (ed. Globo), ressalta o capricho gráfico do volume. Conta que a foto original de Adoniran com Matilde de maiô tem 10 centímetros --na obra, foi ampliada para 30 cm x 23,5 cm, ocupando uma página inteira. "Ficou tão nítida que dá vontade de arrancar e fazer um pôster."

A pesquisa de imagens foi da Sacchetta & Associados e o projeto gráfico, da Danowski Design. A produção coube a Erilma Leal, da Aprazível.

Embora cintile a cidade, os registros íntimos de Adoniran são saborosos. Um dos destaques é o tal cão Peteleco, segundo Campos Jr. "o xodó de Adoniran".

Como, na época, explica o biógrafo, não se podia fazer parcerias com compositores de outras sociedades musicais, Adoniran, para driblar a regra, colocou Peteleco como autor de algumas canções.

Até hoje a filha única e herdeira do músico, Maria Helena, ainda recebe algum em nome do vira-lata.

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TREM DAS ONZE - A POÉTICA DE ADONIRAN BARBOSA
ORGANIZADORES Leonel Kaz e Nigge Loddi
EDITORA Aprazível
QUANTO R$ 130 (204 págs., inclui CD com 14 faixas)
LANÇAMENTO hoje, das 18h30 às 21h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2073, tel. 0/xx/11-3170-4033)

Comentário de Gilberto Cruvinel em 18 dezembro 2010 às 13:39

Laura,

 

Aqui a matéria do Metrópolis (TV Cultura) que coloquei no You Tube

 

Comentário de Laura Macedo em 18 dezembro 2010 às 18:39

Gilberto,

No meu caso aconteceu assim:

- Primeiro assisti a matéria do Metrópolis; 

- Segundo fui a sua página na certeza que você tinha feito um post neste sentido;

- Depois fiquei esperando o video aparecer no YouTube (fato que não aconteceu, pelo menos até ontem);

- Fui novamente na sua página, e nada do seu post.

Pesquisando sobre o livro encontrei algumas matérias e resolvi publicar, mesmo sem o video do metrópolis, que por sinal gostei muito.

Mas o que eu gostei mesmo foi do seu "comentário/post" :-) completíssimo e com o tal video que eu tanto esperei.

Concordo que é uma obra indispensável aos nossos acervos.

Valeu, meu amigo Gilberto.

Beijos.

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