SÍLVIO CALDAS, o Caboclinho Querido




Íntimo de presidentes e pescadores, festejado cozinheiro, boêmio de rara estirpe, compositor de gosto apurado, intérprete considerado um dos melhores de todos os tempos da Música Popular Brasileira, Sílvio Caldas (1908/1998) nasceu em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, para se tornar o maior seresteiro do Brasil.




Chão de Estrelas”, a obra-prima da dupla Sílvio Caldas e Orestes Barbosa originalmente se chamava “Foste a sonoridade que acabou”. A feliz mudança para “Chão de Estrelas” aconteceu graças à sugestão do poeta Guilherme de Almeida. Apresentado à canção inédita de Caldas, se encantou com os versos de Orestes Barbosa.









“Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que dele pensei e disse, hoje repito: uma só dessas imagens – o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão – é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a Terra, diria Guilherme de Almeida (foto ao lado) no livro homônimo de Orestes Barbosa (foto abaixo) , “Chão de Estrelas”.







Manuel Bandeira também se impressionou com as belas palavras da música: “Se eu tivesse aqui um concurso para apurar qual o verso mais bonito da nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes Barbosa: ‘tu pisavas nos astros distraída’", declararia em crônica de 1956.










“Chão de Estrelas”, maior sucesso da dupla Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, hino da MPB, cujo verso “Tu pisavas em astros distraída", também era considerado por Carlos Drummond de Andrade (foto ao lado) o mais belo da língua portuguesa.




A dupla Sílvio Caldas e Orestes Barbosa produziria mais de 15 canções, para deleite dos amantes da boa música brasileira.


Fontes: - A Música do Século, nº 15 (fascículo anexo à Revista Caras nº 285,1999).
Os grandes Sambas da História” (Publicação da Ed. Globo, 1998 – pág 228).



No vídeo abaixo o próprio Sílvio Caldas interpreta, "Chão de Estrelas", e conta esta história.




Vamos cantar!!


Minha vida era um palco iluminado...
Eu vivia vestido de dourado
- Palhaço das perdidas ilusões...
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações...

Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
- Foste a sonoridade que acabou...
E, hoje, quando do sol a claridade
Forra meu barracão, sinto saudade
- Da mulher pomba-rola que voou...

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Parecia um estranho festival:
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão...
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão...

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