MÚSICA: "MAMÃE EU QUERO", de Jararaca e Vicente Paiva, 1937.


Jararaca, um dos compositores da extraordinária dupla cômico-musical Jararaca (violão) e Ratinho (clarinete e sax alto) -, remanescentes do conjunto Turunas Pernambucanos, costumava participar dos carnavais com músicas em que misturava comicidade e malícia.

Dessa produção sobreviveu "Mamãe Eu Quero", uma das marchinhas mais cantadas em todos os tempos. Este imprevisível sucesso, porém, só seria gravado depois de muita insistência de Jararaca e quase como uma brincadeira (a gravação na época era barata), sob a responsabilidade de Vicente Paiva, que ganhou a parceria de presente.

Na gravação, realizada em 17 de dezembro de 1936, aconteceram coisas não programadas como, por exemplo, o curioso prólogo em que Almirante dialoga de improviso com Jararaca. Tal diálogo foi acrescentado para alongar o tempo de gravação, que na tomada inicial havia ficado muito curto.

Outra curiosidade foi a presença de Ciro Monteiro e Odete Amaral, além do citado Almirante no coro. (Quem desejar conhecer mais sobre o Almirante, clique aqui). Já o conjunto que acompanhou era formado por um time de primeira: Vicente Paiva (piano), Luís Americano (clarinete), José Alves (banjo), Canhoto (cavaquinho), Carlos Lentini e Nei Orestes (violões) e Russo do Pandeiro.

Mas, voltando à composição, "Mamãe Eu Quero" tem um estribilho de uma simplicidade mágica, que se tornou um verdadeiro hino à folia.

Gravada por Sílvio Caldas, Pixinguinha e outros, a marchinha ganhou o âmbito internacional, sob o título de "I Want My Mama", através de Carmen Miranda que a lançou no filme "Serenata Tropical" (1940). Ainda no exterior foi gravada por Bing Crosby e pelas Andrews Sisters, e apresentada em filmes de Mickey Rooney e Jerry Lewis.

A explicação para o êxito de "Mamãe Eu Quero" não pode ser encontrada apenas na pureza da melodia, elaborada com as notas básicas de uma sequência de acordes primários. Como "Jingle Bells" ou "Happy Birthday" ela tem um toque de ingenuidade óbvia na letra e na música, que não parecem ter sido criadas por um mortal qualquer.

Mas, em contraste, tem também (como em quase tudo que Jararaca fez), o tal toque de malícia, presente na voz do adulto pedindo para mamar.

No fundo, Jararaca assume na música popular o mesmo significado de um autor desconhecido, como se sua música pertencesse ao folclore, o que é uma glória raramente atingida.


Fonte: Jairo Sereriano e Zuza Homem de Melo. A Canção no Tempo - 85 anos de músicas brasileiras, Vl 1: 1901-1957. São Paulo: Ed. 34, 1977.


Carmen Miranda - "Mamãe Eu Quero".


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