MÚSICA: “YES, NÓS TEMOS BANANAS”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, 1938.


Ao ouvirem casualmente um grego, dono de quitanda, dizer para um fregûes a frase absurda e gramaticalmente incorreta “yes, we have no bananas”, os compositores Frank Silver e Irving Cohn tiveram a idéia de usá-la numa canção humorística, cheia de disparates. Lançada em 1923, a canção estourou na voz do cômico Eddie Cantor, que a aproveitaria na peça “Make it snappy”. Daí espalhou-se pelo mundo como um dos sucessos dos “loucos anos vinte”, quando a música nos Estados Unidos assumiu a hegemonia do mercado internacional.

Quinze anos depois, partindo dos compassos iniciais de “Yes, We Have No Bananas”, Braguinha e Alberto Ribeiro fariam a marchinha carnavalesca “Yes, Nós Temos Bananas”. A composição era uma crítica bem humorada à empáfia dos americanos, que chamam de “ republics” os países da América Latina.

Sucesso carnavalesco, “Yes, Nós Temos Bananas" antecipa
clima e motivos explorados pelo tropicalismo no final dos anos sessenta.


MÚSICA: CHIQUITA BACANA, de João de Barro e Alberto Ribeiro, 1949.


A idéia de compor “Chiquita Bacana” partiu de João de Barro, que propôs a Alberto Ribeiro aproveitarem o existencialismo como motivo de uma marchinha.

Na realidade, a idéia inspirava-se na imprensa da época que explorava com freqüência o existencialismo – Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e, principalmente, o lado não científico do movimento, que abrangia os “existencialistas” boêmios, “habitues” das “caves” parisienses, seus costumes exóticos etc.

Naturalmente, o objetivo da dupla ao escrever a marchinha era fazer uma referência espirituosa ao assunto, para isso criando a figura de “Chiquita Bacana”, beldade que “se veste com uma casca de banana nanica”. Sem dúvida, o comportamento da moça é inusitado, mas perfeitamente justificável, pois “existencialista com toda a razão” ela “só faz o que manda o seu coração”. Genolino Amado chegou a dizer numa crônica que esses versos eram a melhor definição do existencialismo que ele conhecia.

Além de dar a Braguinha a vitória no carnaval pelo terceiro ano consecutivo, “Chiquita Bacana” tornou-se uma de suas composições mais conhecidas, batendo, inclusive, o recorde de alcance geográfico de sua obra: foi gravada nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Holanda, Inglaterra e França, onde, com o título de “Chiquita madame de la Martinique”, e com versos de Paulo Misraki., integra as discografias de Josephine Baker e Ray Ven
tura.

Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras. Vl 1: 1901-1957. São Paulo: Ed. 34, 1977.


Braguinha e Miúcha cantam (RAI TV da Itália,1984) as músicas acima e de quebra um pedacinho de "Balancê", também dos autores citados.

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Comentário de Anarquista Lúcida em 12 fevereiro 2009 às 22:10
Oi, Laura
O vídeo nao está aparecendo.
Um abraço
AnaLú
Comentário de Laura Macedo em 13 fevereiro 2009 às 18:43
AnaLú, o vídeo está aparecendo e funcionando normalmente na minha página.
Pena não estar acontecendo o mesmo na sua, já que é uma delícia de vídeo, com o próprio Braguinha cantando.
Beijos.
Comentário de Dailo Gonçalves de Aquino em 14 fevereiro 2009 às 2:01
Que saudade do eterno e inesquecível Braguinha! Me lembra o Rio de Janeiro romântico. parabéns!
Comentário de Cafu em 14 fevereiro 2009 às 11:07
"Veio o petróleo do Oriente
para botar no fonfom da gente
Porém com álcool se não vier
Banana para quem quiser"

O Braguinha sempre antenado e bem humorado. Deve ter acrescentado esse versinho durante ou após a crise do petróleo, porque a música original (1937) era só até aqui:

Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina
Tem vitamina
Banana engorda e faz crescer
Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina
Tem vitamina
Banana engorda e faz crescer
Vai para a França o café, pois é
Para o Japão o algodão, pois não
Pro mundo inteiro
Homem ou mulher
Bananas para quem quiser

Em tempos de aquecimento global, mudanças climáticas e luta aguerrida por energia limpa essas palavras se tornam proféticas : "Veio o petróleo do Oriente
para botar no fon fon da gente". Tão botando mesmo no fonfom da gente! Hehehe.Infelizmente.
"Porém com álcool, se não vier: Bananas para quem quiser! Felizmente.
Beijos.

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