Túnel do Tempo (XXII) - Carnaval - Encerrando a Série




MÚSICA: "SASSARICANDO", de Luis Antônio, Jota Jr. Candeias e Oldemar Magalhães, 1952.

O produtor de teatro musicado, Valter Pinto, e sua estrela preferida, Virgínia Lane, pediram a Luís Antônio e Jota Jr. Candeias uma música para "Jabaculê de Penacho", uma peça que iam estrear.

Era composta assim, de encomenda, "Sassaricando", marchinha destinada a princípio a animar um quadro intitulado "A Dança do Sassarico". A verdade é que Valter adorou o tema, elegendo-o motivo da peça, que passou a se chamar "Eu Quero Sassaricar". E, do palco, o prestígio da marcha ganhou a cidade, para fazer de "Sassaricando" o maior sucesso de 1952. Criou mesmo um neologismo, o verbo "sassaricar", de sentido malicioso.

Por motivo de arrecadação de direitos autorais, o compositor Jota Jr. Candeias (falecido no mês passado) aparece na composição com o pseudônimo de Zé Mário.



Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção do Tempo - 85 anos de Músicas Brasileiras - Vl 1: 1901-1957. São Paulo: Ed. 34, 1977.


Virgínia Lane, a Vedete do Brasil, cantando "Sassaricando".




SASSARICANDO – E O RIO INVENTOU A MARCHINHA, o musical de maior sucesso de 2007, lançado em DVD.

“'As marchinhas são muito mais uma presença marcante no inconsciente coletivo do nosso povo do que motivo de saudades'. Baseados nesta afirmação, a historiadora Rosa Maria Araújo e o jornalista e crítico Sérgio Cabral criaram o musical de maior sucesso do ano de 2007, Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha, já lançado em CD/DVD pela Biscoito Fino.

'Estávamos convictos', afirma Sérgio Cabral, 'de que poucas manifestações refletem com tanta exatidão a criatividade do compositor do Rio e o espírito carioca. Verdadeiras crônicas, elas contam a história da cidade e as qualidades e os defeitos do seu povo, quase sempre sem abrir mão do deboche e da malícia. Vão do lirismo ao esculacho, mas são permanentemente carioquíssimas. São, enfim, músicas que, ao mesmo tempo em que nos remetem a carnavais inesquecíveis, conservam a juventude que encanta as crianças de todas as idades. Em outras palavras, são eternas'.

A marchinha surgiu no Carnaval carioca de 1899 com o Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, feito de encomenda e inspirado num cordão carnavalesco do bairro do Andaraí: o Rosa de Ouro. Foi aí que começou a pesquisa de Rosa Maria e Sérgio Cabral, apesar do espetáculo não ser a história cronológica desse gênero. A intenção da dupla foi percorrer os temas abordados pelas marchinhas para acentuar o papel de cronista dos seus criadores: 'É assim que veremos que elas tanto cuidam dos casos de amor', explica Sérgio, 'quanto dos problemas de moradia, das profissões, da guerra, dos transportes, da política, da comida e da bebida, dos modismos, da cidade, e nunca deixam de ser deliciosas, mesmo quando politicamente incorretas'.

Tão deliciosas que 'serviram de isca' para que Sérgio e Rosa Maria reunissem uma equipe que, segundo eles, é uma espécie de seleção brasileira dos CDs, DVDs e dos espetáculos musicais, além do apoio de instituições como a Petrobras, o SESC, a Eletrobras e a Biscoito Fino.

Os dois escolheram quase uma centena de canções compostas pelos craques Noel Rosa, Lamartine Babo, Haroldo Barbosa e João de Barro, o Braguinha, entre outros, para fazer uma crônica da vida e dos costumes do Rio de Janeiro. Todo este material ganhou vida no palco através de um elenco afinado de veteranos como Eduardo Dussek, Soraya Ravenle, além dos novatos em musicais Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho, Ivana Domenico e Juliana Diniz. São eles, nas palavras de Sérgio Cabral, os responsáveis por comunicar ao público que, felizmente, os grandes intérpretes das marchinhas – Francisco Alves, Blecaute, Emilinha Borba, Marlene, Araci de Almeida, Jorge Goulart, Mário Reis, Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Anjos do Inferno e tantos outros, têm sucessores.

Com direção de Cláudio Botelho, o musical apresenta um desfile de cem marchinhas carnavalescas dividido em dois atos, com uma banda tocando ao vivo, reunindo a nata dos instrumentistas cariocas: dos irmãos Henrique e Beto Cazes a Silvério Pontes, Oscar Bolão e Dirceu Leite. Renato Vieira fez a coreografia e Charles Möeller, os cenários, enquanto Marcelo Marques e Paulo César Medeiros se ocuparam, respectivamente, dos figurinos e da iluminação. A direção musical foi de Luís Filipe de Lima. Rosa Maria e Sérgio ouviram mais de mil marchinhas até fazer uma pré-seleção com 400. Finalmente chegaram às cerca de cem que, juntas, 'formam um painel de como era a vida na cidade'”, diz Rosa.


Fonte: Biscoito Fino.





FOTO DO ESPETÁCULO SASSARICANDO




Curtam agora parte do espetáculo "Sassaricando", ou façam como eu e a Cafu, adquiram o DVD e curtam o espetáculo todo :-)







AGRADEÇO A TODOS OS AMIGOS/AMIGAS QUE ACOMPANHARAM ESSA SÉRIE. Ela não estava planejada para ser uma série, mas fui tomando gosto incentivada pelos excelentes comentaristas :-)

Outros posts sobre a temática do Carnaval podem ser acessados clicando nos títulos a seguir: "Pequena Cronologia do Carnaval" e "Fotos que Retratam a História do Carnaval".

DESEJO A TODOS UM CARNAVAL BEM SASSARICADO
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Exibições: 449

Comentário de Helô em 18 fevereiro 2009 às 22:23
Laurinha
Parabéns pela série e pelo capricho nos posts. E hoje estamos sintonizadas com o "Sassaricando". Eu tenho o CD e estou esperando o espetáculo aqui em Juiz de Fora, que agora entrou novamente em cartaz no Rio. Ano passado, a Globo News transmitiu um ótimo programa sobre o musical e é bem provável que ele seja repetido. Vamos ficar de olho.
Beijos e ótimo carnaval pra você, Gregório e família.
Comentário de Anarquista Lúcida em 19 fevereiro 2009 às 2:32
Que pena! Já acabou? Quero mais. Venho todos os dias ver.
Comentário de Cafu em 19 fevereiro 2009 às 12:32
Parou por quê? Por que parou? A platéia pede bis!
Vai cair na gandaia, é Laurinha?
Ótimo canaval pra você.
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 19 fevereiro 2009 às 19:43
Queridas amigas Helô, Cafu e Ana Lú.
Grata pelo acompanhamento da série. O "Túnel do Tempo" retorna, na versão original, depois do carnaval.
Cafu, você acertou na mosca! Realmente vamos cair na gandaia nos quatro dias de carnaval, em Luzilândia, cidade do interior do Piauí.
Beijos carnavalescos.

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