Heitor dos Prazeres foi um homem multifacetado: músico, compositor e artista plástico.

Nasceu (1898) e morreu (1966) no Rio de Janeiro. Criado nos redutos da Praça Onze e do Mangue em contato com os "chorões" e os bambas do samba, como seu tio Hilário Jovino, um dos ícones da cultura popular do Rio de Janeiro, de quem ganhou um cavaquinho.

Frequentador das rodas boêmias da casa de Tia Ciata, onde viu ganhar forma o primeiro samba que se tem registro "Pelo Telefone" (Donga e Mauro de Almeida) e ganhar, também, o carinho e respeito dos companheiros - João da Baiana, Sinhô, Caninha, Pixinguinha.

Teve uma intensa disputa com Sinhô - "O Rei do Samba" - pela autoria de algumas músicas, entre elas "Gosto que me enrosco". Sua polêmica com Sinhô foi a primeira da MPB, antes, portanto do bate boca cantante entre Noel Rosa e Wilson Batista. (ver matérias anteriores no meu blog: "O Rei do Samba" e "A polêmica mais famosa do samba").

Bastante conhecido no ambiente do samba participou da criação de algumas escolas de samba, tendo sido um dos fundadores da "De mim ninguém se lembra", além de contribuir na criação de outras como, "Deixa Falar", "Mangueira" e 'Portela", nos anos 20.

Entre suas composições de mais sucesso destacam-se, "Olha ele, cuidado", "Riso fingido", "Mulher de malandro", "Lá em Mangueira" e, "Pierrô Apaixonado" em parceria com Noel Rosa, grande sucesso no carnaval de 1936. Nesse mesmo ano descobre a pintura e a ela dedica-se sem abandonar o samba. Nessa época, também, tinha uma atividade intensa no Cassino da Urca, onde tocava e dançava.

Em 1941, Heitor particiou com Cartola e Paulo da Portela do programa "A voz do Morro", na Rádio Cruzeiro do Sul. No ano seguinte fez várias apresentações em São Paulo batizando o trio de Grupo Carioca.

Nos anos 50, durante a Mostra de Arte Latino Americana, em Londres, sua pintura foi considerada "simplesmente extraordinária" pela Rainha Elizabeth II que, também, comentou o rótulo de pintor primitivo dizendo: "Não é primitivo é muito mais que isso". Mas não foi só a rainha que se encantou com sua performance na música e artes plásticas, recebendo, também, elogios explícitos de vários compositores como Noel Rosa, Paulo da Portela, Orestes Barbosa, Cartola... De poetas como Carlos Drummond de Andrade, dos cronistas Stanislaw Ponte Preta e Rubem Braga e do Presidente da República Juscelino Kubitschek.

Em 1951 participou da primeira Bienal de São Paulo, onde seu quadro "Moenda" foi premiado. Voltou a marcar presença em mais duas edições dessa Bienal, em 1953 e 1961. Esteve presente em mostras coletivas em quase todas as capitais sul-amaricanas; na exposição "Oito Pintores Inguênuos Brasileiros" em Moscou e outras capitais européias, em 1966. No mesmo ano falece como também sua obra foi selecionada para representar o país no Festival de Arte Negra de Dacar (Senegal/África). Ainda nesse ano o cineasta, Antônio Carlos Fontoura filma um curta metragem em cores, rodado em sua casa e bastante aclamado em vários festivais. (Este vídeo está disponibilizado no site www.portacurtas.com.br/ com o título 'Heitor dos Prazeres").

Em 1998, por ocasião dos cem anos do seu nascimento o Museu Nacional de Belas Artes (RJ) realizou uma exposição com telas, desenhos, ilustrações, discos, partituras, figurinos e fotos suas. Em 2004, Alba Lira e Heitor dos Prazeres Filho, seu herdeiro musical, lançaram sua biografia "Heitor dos Prazeres - sua arte seu tempo".

Como nossa MPB é rica e repleta de figuras lendárias que com o passar do tempo, infelizmente, vão sendo esquecidas pelo grande público, tornando-se inacessíveis às novas gerações! Um dos meus objetivos, aqui na Comunidade, é resgatá-las e inserí-las no cenário do século XXI, visando a preservação histórica da MPB.

Laura Macedo

P.S. Acato, carinhosamente, sugestões e pauta nesse sentido.

Abaixo um vídeo com cenas extraidas do filme 'Alô, Alô Carnaval", onde a dupla Joel e Gaúcho interpreta a música "Pierrô Apaixonado", de Heitor dos Prazeres e Noel Rosa, sucesso no carnaval de 1936 que perdura até hoje.




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ATUALIZAÇÃO (Agosto de 2009)

Documentário do Diretor Antônio Carlos de Fontoura (1965).
Memórias do sambista popular e pintor naif Heitor dos Prazeres em seu atélier na Cidade Nova, bairro decadente do Rio de Janeiro, que só sobrevivia em seus sambas, seus quadros e suas recordações


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