"há uma belíssima agenda a ser construída. Um desafio fascinante para toda uma geração de profissionais que trabalham com energia. Temos a mesma oportunidade que a geração dos anos cinqüenta teve de mudar o país; com a diferença que podemos ir muito mais longe e de forma muito melhor e mais justa."
Já faz alguns anos que nós do Grupo de Economia da Energia do IE/UFRJ estamos chamando a atenção para as mudanças profundas que estão acontecendo no contexto energético do mundo e do país e que, em função disso, a agenda energética da década passada, independentemente da sua adequação, ou não, àquela época, hoje se encontra totalmente ultrapassada.
Essa constatação não implica na retomada da agenda clássica do setor de energia, como se os anos decorridos sob a agenda liberal fossem apenas um interregno que, dado por encerrado, demandaria uma retomada do ponto onde se havia parado. É muito mais do que isso. É o reconhecimento de que houve mudanças estruturais profundas que fazem com que o passado, tanto o recente quanto o distante, tenha ficado irreversivelmente para trás. Para o bem ou para o mal, para alegria de uns e tristeza de outros, o mundo, como concebiam os “estatistas” dos anos cinqüenta ou os “liberais” dos anos noventa, se foi, e não há como recompô-lo a partir dessa dualidade simplista.
O mundo mudou. O país mudou. Os desafios são outros. Portanto, os problemas são outros, exigindo novas formas de resolvê-los. Estamos jogando outros jogos, disputando outros campeonatos. Estamos caminhando para a Champions League, com um sentimento de quem disputa o campeonato mineiro, marcado pela rivalidade entre Atlético e Cruzeiro. Queremos participar do campeonato mais importante do planeta com aspirações e preocupações de quem disputa um campeonato no Aterro do Flamengo, encaixotados nas modestas e indigentes tertúlias de bairro.
É necessário pensar de uma forma diferente; identificando os novos problemas e as novas formas de enfrentá-los. É preciso inovar, gerar novas abordagens que dêem conta de um país novo, de um mundo novo. É urgente encontrar, sim, uma nova jabuticaba. Vamos deixar de repetir tolamente um argumento que não se sustenta em um mundo competitivo, no qual as vantagens competitivas nascem do fazer diferente e não do fazer igual. Quem copia vai atrás, quem inova vai à frente. O resto é exercício de retórica. Se só tem no Brasil e não é jabuticaba... Por favor, me poupem dessa bobagem.
O mundo hoje é feito pela jabuticaba chinesa, russa, indiana e, por que não (?), pela jabuticaba brasileira.
Como poderemos enfrentar os problemas colocados pelo pré-sal, pelas hidrelétricas da Amazônia, pela compatibilização eletricidade hidráulica e indústria de gás, pela cadeia da energia nuclear, pelos biocombustíveis, pela integração continental etc., senão pela capacidade de inovar na identificação dos problemas energéticos e de suas soluções?
Meus amigos; há uma belíssima agenda a ser construída. Um desafio fascinante para toda uma geração de profissionais que trabalham com energia. Temos a mesma oportunidade que a geração dos anos cinqüenta teve de mudar o país; com a diferença que podemos ir muito mais longe e de forma muito melhor e mais justa.
Por isso, caros atleticanos e cruzeirenses, a rivalidade agora é com o Manchester, o Milan, o Barcelona, o Real. E, além disso, não se esqueçam: o Boca não é adversário; pode até ser parceiro.
Tags: energia
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