Os problemas do país são muitos.Mas,o que parece estar dominando os candidatos e a mídia é a questão do aborto.

Um tema de saúde pública e de tanto interesse para as mulheres está virando um plebiscito incômodo entre os aspirantes ao Planalto.

Neste maniqueísmo ridículo e medieval as pessoas são divididas entre as “do bem” – que execram o aborto – e as “do mal”- aquelas que olham essa questão sobre a ótica de um problema grave a ser resolvido.Desapaixonadamente.Pensando com a própria cabeça.

Os candidatos,acossados pelos padrecos e os evangélicos,infelizmente,hoje,muito presentes no país,relutam em tomar posição,temerosos de perder votos.

Ninguém parece disposto a encarar o aborto como uma questão social delicadíssima,responsável por milhares de mortes de mulheres nesse país.

O aborto existe desde os mais antigos tempos.É o único meio que uma mulher tem de livrar-se de uma gravidez indesejada.

Claro,existem os métodos anticoncepcionais,mas,muitas vezes,não dá para usá-los.E ainda contamos com os incestos,os estupros e todas as desgraças que atingem e atingiram a mulher –o sexo frágil – por várias gerações.

Confesso que sou contra.Tive seis filhos porque quis tê-los e porque nasceram num meio familiar equilibrado,estável,com pais responsáveis e excelente condições de sustentabilidade e educação.

Mas,não é assim com todas as mulheres.Entre as mais pobres,então...

Num país que não cria leis como a paternidade responsável e a mulher é ,muitas vezes,um mero depósito de espermas,para uma trabalhadora pobre,sem família,sem apoio,sem um respaldo masculino,significa perder o emprego,passar fome,não ter o que dar àquela vida frágil que pôs no mundo.

Não a aconselho a entregá-lo aos padres;com a pedofilia grassando nestas hostes santas ,o destino desta criança seria pior que a morte.

Mas,eles estão sempre aí,bastões levantados ,sempre dispostos a fazer o contrário do que Cristo aconselhou:praticar a caridade,o entendimento,a compreensão.

Mas,estão longe de se preocupar com a pobreza ou a pedofilia em suas hostes que desgraçou centenas de jovens.Também não creio que os dinossauricos evangélicos estejam preocupados com a vida;penso que estão mais preocupados com os dízimos que podem diminuir.

O aborto se resolve com políticas públicas,educação sexual de qualidade nas escolas,valores morais solidificados,responsabilidade social dos cidadãos e dos governantes e ,sobretudo,menos hipocrisia.

Mulheres que não receberem apoio para a realização de um aborto seguro, se estiverem dispostas a isso,usarão remédios vendidos no camelô ou agulhas de tricô.

Já existe uma lei de assistência para elas ,lei essa que o Serra acatou em São Paulo em boa hora,porque os governantes são responsáveis pela saúde de seus cidadãos.

Mesmo contra o aborto eu não deixaria de socorrer uma mulher,um ser humano,num risco de vida.

Apesar de não ser filiada a nenhuma igreja amo meus semelhantes e respeito a vida.Para mim,isso é religião!

Acho que os candidatos deveriam perder o medo e assumir posições.

O que me deixa preocupada é a ascendência desses padres e pastores sobre uma população temerosa e desinformada.É ver crianças discriminadas,sofrendo “bullyings” nas escolas porque os pais apóiam Dilma.

É ver colégios,ditos religiosos,enfiarem nas cabecinhas jovens o preconceito e a desinformação.É constatar que a Estupidez Humana continua mais dura que Gibraltar e mais solidificada do que o Himalaia.É presenciar,revoltada,a hipocrisia social,que nos rodeia.Triste observar pessoas pouco dispostas a exercerem a independência de um pensamento saudável.Permitirem que pessoas desqualificadas metam o bedelho na sua vida privada.Mencken,extraordinário jornalista americano já dizia nos anos 40:-“No fundo do coração de todo evangelista há a carcaça de um vendedor de carros”.Grande Mencken! Depois de assistir essa lapidação moral quem somos nós para lançarmos farpas aos islamitas que atiram pedra nas mulheres adúlteras?

O aborto não é obrigatório.Não está na Constituição.Quem não quiser,não use.Mas,a tolerância,essa sim,é obrigatória.Ou,pelo menos,deveria ser.

Esse artigo, Dilma,Serra é para convidá-los a abandonar a covardia.

Vocês sabem que descriminalização do aborto é uma necessidade. 200 mulheres mortas por ano.183.000 curetagens feitas pelo SUS.É preciso ter políticas públicas para reduzir esta terrível situação. Um ex-ministro da saúde como Serra não pode fechar os olhos e adotar uma postura moralista.Dilma não pode voltar atrás quando se diz a favor da descriminalização.Estava sendo sincera nessa ocasião.Que continue assim.Não ofertem aos seus eleitores um estelionato eleitoral.

Suas biografias serão afetadas.Ou vocês não se preocupam com isso?

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Comentário de Jenny Horta em 13 outubro 2010 às 13:49
Concordo com tudo o que disse! Tenho minha fé espírita, acredito que devamos evitar o aborto de todas as formas, mas é preciso encarar a realidade! A gravidez na adolescência, o total despreparo de muitas mães, a hipocrisia que impera é extremamente vergonhosa. É muito fácil linchar quem roubou um pão se não se sabe o que é fome!
Comentário de Miriam de Sales Oliveira em 13 outubro 2010 às 13:52
Obrigada,amiga,pelo apoio.Abraços

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