O Brasil “marcou passo” durante quinhentos anos enquanto outros povos avançaram, como os norte-americanos e canadenses e, se analisarmos bem, não será difícil chegarmos à causa dessa anomalia, já que são três paises de dimensões continentais, cujas civilizações iniciaram-se praticamente ao mesmo tempo e nosso país talvez fosse aquele que possuísse recursos naturais mais favoráveis ao desenvolvimento dentre os três.

Por que o Brasil emperrou? Deve existir um monte de respostas a essa pergunta e apenas uma seja consensual: a educação, ou, no caso, a falta dela, de maneira mais abrangente em todas as camadas da população, que criou essa imensa desigualdade social entre a elite dominante - que se deu bem – e a galera do andar de baixo.

Na verdade esse gigante esteve acordado o tempo todo, porém a serviço de uma minoria que sempre estará no comando, pois quando não governa, vende o apoio que dá sustentação ao grupo adversário, em troca da distribuição de “vantagens”, que vão desde recursos orçamentários a ministérios e outros cargos de menor envergadura, até que a mídia, de sua propriedade, consiga reconduzi-la ao poder, seja através das urnas, de golpes militares e, talvez, num futuro próximo, de outra modalidade mais discreta de retomada do poder na marra, que seria o “golpe legal”, mesmo que atropelando a Lei.

Antigamente somente filhos de ricos estudavam e até as irmãs, do sexo feminino, eram privadas da educação profissionalizante, porque precisavam cuidar do lar, mesmo que rodeadas de babás, amas de leite, cozinheiras, copeiras e outras serviçais e os filhos dos pobres, mesmo após a abolição dos escravos, continuaram em condições até piores, já que os respectivos pais deixaram de possuir “estabilidade no emprego” e direito a alimentação e moradia, ainda que fosse nas senzalas.

O que não mudou até hoje no Brasil foi à vocação servil da classe média para baixo, onde as pessoas ainda não aprenderam que a elite no poder não fez bem a maioria que não tem acesso ao pedestal onde ela sempre esteve e para o qual direcionou vantagens como formar os filhos no exterior, andar de jatinhos e comandar a “bolsa”, a de valores.

O Povo Brasileiro governado por patrões só assim se sentia confortável, mesmo que o “salário” não fosse suficiente para atender as necessidades básicas da família, isso quando nos referimos aos mais modestos, ou que a “renda” não permitisse dois veículos novos na garagem do imóvel residencial próprio. O povo odeia mudanças...

Outro dia um amigo político reclamava que a saúde em nossa cidade havia chegado ao “fundo do poço” e quando argumentei que o novo hospital de emergência e trauma, o maior do nordeste, acabara de ser inaugurado, em cima da bucha ele retrucou: - Agente precisava de quatro daqueles e não de apenas um! Mas, será que o erro não estaria na ausência dos outros três, que não foram construídos durante os quinhentos anos anteriores?

O Brasil jamais será uma potência, apesar de gigante, enquanto boa parte do seu povo “homologar” o jugo de uma minoria e adotar a postura do “quanto pior melhor”, por razões meramente políticas, em quaisquer circunstâncias.

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