CAPA DO CD PRODUZIDO POR GILSON ANTUNES, VIOLONISTA, PROFESSOR, ESCRITOR E PESQUISADOR DA OBRA DE AMÉRICO JACOMINO - CANHOTO. TODOS OS ARRANJOS SÃO BASEADOS NAS GRAVAÇÕES ORIGINAIS.




HÁ UMA FAIXA BONUS TRACK GRAVADA COM VIOLÃO GIANINNI DE 1917 QUE PERTENCEU AO PRÓPRIO CANHOTO.

"Nascido em São Paulo, em 12 de fevereiro de 1889, Américo Jacomino cresceu num ambiente bastante cosmopolita. Filhos de imigrantes italianos, Jacomino começou a tocar violão influenciado por seu irmão mais velho, Ernesto, que também lhe deu aulas de bandolim. Américo recebeu o apelido que o deixaria célebre, CANHOTO, por tocar violão com a mão esquerda sem inverter as cordas do instrumento. Em 1912 Américo Jacomino começou a gravar pela Odeon em São Paulo e Rio de Janeiro, tocando violão solo ou com seu Grupo do Canhoto, um tipo de grupo seresteiro. Em 1916 ele debutou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, recebendo a primeira aclamação de público e crítica.

Junto ao violonista paraguaio Agustín Barrios e da espanhola Josefina Robledo, Jacomino foi a figura definitiva nos primeiros passos para o estabelecimento do violão nos currículos da sociedade cultural Brasileira, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Na década de 1920 Jacomino compôs muitas canções carnavalescas e peças para violão que foram impressas em partitura para piano, provavelmente pela falta de violonistas que sabiam ler partituras no Brasil.

Em 1926 Jacomino realizou suas mais importantes gravações, incluindo Abismo de Rosas e Marcha Triunfal Brasileira. No primeiro concurso musical em que o violão tomou parte no Brasil, intitulado "O Que é Nosso", realizado no Rio de Janeiro, Jacomino recebeu o principal prêmio, sendo então chamado "O Rei do Violão Brasileiro" pela imprensa. Américo Jacomino morreu no dia 7 de setembro (dia da Independência do Brasil) de 1928, aos 39 anos de idade, em São Paulo.

Américo Jacomino foi um tipo de músico popular com gosto romântico. Ele não sabia ler música e sua maior influência foram as canções populares italianas que escutava em casa durante a infância. O violão para ele era como uma orquestra ou banda marcial, repleta de tímbres diferentes a serem explorados.Sua carreira como violonista era a razão principal de sua existência, assim como o amor à pátria. As gravações de Américo Jacomino (mais de 90) podem ser colocadas entre as mais significativas do começo das gravações do gênero, lembrando que ele morreu apenas um ano após as primeiras gravações de Andrés Segóvia para a RCA. Os títulos das composições são bastante sugestivos: Abismos de Rosas, Marcha Triunfal Brasileira, Delírios, Alvorada de Estrelas, A Menina do Sorisso Triste, Guitarra de mi Tierra, Tempo Antigo, etc...refletindo um tipo de influência que perduraria por décadas no Brasil, infelizmente sendo esquecida ou ignorada por recentes gerações de violonistas brasileiros da época mais romântica da nossa história".

Fonte: Gilson Antunes.

Gilson Antunes

Como vimos Américo Jacomino foi patriota até no dia de sua morte, ocorrida em 7 de setembro de 1928, em São Paulo, aos 39 anos de idade. Portanto há oito décadas que privamos de sua presença.

O trabalho de Gilson Antunes é de suma importância para a preservação na memória histórica da Música Brasileira.

Recentemente, em fevereiro deste ano, tivemos o privilégio de contarmos com sua presença na 4ª edição do FENAVIPI (Festival Nacional de Violão do Piauí), evento que reuniu grandes nomes do violão nacional e internacional, como Ana Vidovic, Fábio Zanon, Erisvaldo Borges, Henrique Pinto, João Carlos Victor, Nonato Luiz e Sebastião Tapajós.

A seguir vocês encontrarão quatro vídeos. Nos dois primeiros Gilson Antunes nos fala de sua experiência em pesquisar a obra de Américo Jacomino. No terceiro o excelente Garoto (Aníbal Sardinha) executa "Abismo de Rosas" a mais célebre valsa de Jacomino e para finalizar, o próprio Américo Jacobino interpreta "Abismo de Rosas",

Na minha página, nessa Comunidade, vocês poderão ouvir/curtir a valsa de Canhoto "Manhã de Sol", pelo violonista Marco Pereira.

Ainda para os amantes da obra de Canhoto a gravadora Revivendo lançou um CD duplo com as composições do autor.

Outra dica é ouvir o Programa "Violão com Fábio Zanon" veinculado pela Rádio Cultura de Sâo Paulo. Todos os programas dessa série estão disponibilizados no site www.vcfz.blogspot.com/ OBS: abrindo o site clicar em "o violão brasileiro".

Ótima diversão.

Laura Macedo.



Abismo de Rosas” (Américo Jacomino [Canhoto]) # Américo Jacomino. Disco Odeon (122933), 1926.

Exibições: 739

Comentário de Carlos em 31 agosto 2008 às 2:48
Laura,

Antes de mais nada, parabéns pelo seu trabalho de divulgação que você vem desenvolvendo aqui na comunidade. Os seus textos são excelentes. A gente aprende muita coisa. Não conhecia nada sobre o Canhoto e a sua importância para o violão brasileiro. Muito legal. Essa valsa "Abismo de Rosas" se imortalizou. Ao ouvir, agora, logo me lembrei, mas não sabia que era de Canhoto.

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