USA: Forças Armadas X Power Point - Burocracia ?

Lendo esta matéria hoje (29/04), no Terra Tecnologia, sobre a guerra interna surda, nas forças armadas dos USA com a burocracia e o MS-Power Point, tornado o vilão do momento http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI4406130-EI4801,00-Forca..., lembrei de um velho ‘case study’, do início dos nos 1970, de organização e planejamento. Que ilustra bem, os aspectos culturais da burocracia e sobretudo, seus impactos nos resultados das organizações. Em fins dos anos 1960 e início da década seguinte, em plena furor da guerra-fria, surgiu a oportunidade da construção de uma ferrovia, ligando o Quênia à Tanzânia – não me lembro bem, parece que de conectava as respectivas capitais. Foi exposto por um professor da FGV/RJ, em 1972, num curso de planejamento governamental. A tarefa foi divida em dois trechos, de distâncias equivalentes, cabendo aos USA um, e à China o outro. Como não podia deixar de ser, a tarefa transformou-se em uma competição geopolítica, sem precedentes. Geopolítica esta, derivada da importância da língua da Tanzânia, das principais matrizes lingüísticas do continente africano.
Cada potência, colocou em campo o melhor que tinha disponível – numa processo de atuação neo-militar. Contando inclusive, com aparato acadêmico, de suporte. Ao final da execução das obras, os norte-americanos perderam a batalha, por uma diferença considerável de tempo, de cerca de 15-20%. E nas avaliações posteriores, dos observadores acadêmicos yankees, ficou clara a diferença cultural, entre as duas formas de organização do trabalho. Entre os chineses, a hierarquia era mais ‘rasa’, com poucos níveis e os supervisores e planejadores, trabalhavam em campo; com isso o processo de execução podia operar de forma mais adaptativa. As correções eram feitos em campo, sem muito embaraço, tornando mais ágil e eficiente seu sistema de trabalho. Entre os norte-americanos, essas medidas, geravam um processo formal-burocrático, papéis p’rá lá e p’rá lá, com a tomada de decisões, muitas vezes, muito longe do campo de trabalho, gerando riscos colaterais maiores de erros; e em alguns casos, dependia até da 'matriz', nos próprios USA.
Em resumo: por razões culturais e do impacto disso, na formação das equipes e suas práticas de trabalho, supervisores chineses, ‘metiam a mão na massa’ e os norte-americanos não ! Daí, podermos extrapolar, a repercussão disso, em macro-organizações globais, com o caso das forças armadas yankees. O drama do Power-Point é apenas parte da objetivação atual do problema cultural formidável, presente de algum modo, em maior ou menor dose, também nas organizações públicas e privadas tupiniquins.

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