Bog do Noblat, Crônica: O Brasil aguçou

Acho que foi o Samuel Johnson quem disse que nada aguça a mente como a perspectiva de ser enforcado.

Um pensamento perfeitamente adaptável a esta fase da Copa, quando uma derrota equivale a uma execução.

A proximidade da forca não significa que o futebol melhore, mas tudo num jogo passa a ser definitivo. Nada é supérfluo, um toquinho de calcanhar bem ou mal sucedido passa a ser a diferença entre a vida e a morte.

O Chile não era uma ameaça mortal para o Brasil, mas a simples possibilidade de uma eliminação por distração ou acidente aguçou o jogo da seleção.

Nada de ficar fazendo a bola rodar lá atrás esperando que alguma coisa se abrisse lá na frente, como nos jogos anteriores. Principalmente contra Portugal, naquela partida que os jogadores deveriam cortar do seu currículo e os torcedores da sua memória, até recorrendo à lobotomia.

O Brasil foi agudo desde o começo. Enquanto isso, jogar sob a sombra da forca só fez o Chile ficar nervoso. Grandes atuações da nossa dupla de área Lúcio e Juan, do Michel Bastos — que jogador! —, do Gilberto Silva e principalmente do hiperativo Daniel Alves. Pra mim o melhor em campo.

Brasil e Holanda lembra decisão por pênaltis. Li que alguém na Inglaterra fez uma análise de todas as cobranças de pênaltis nas últimas cinco Copas do Mundo e publicou o resultado. Embora estatísticas geralmente só comprovem a falta do que fazer do estatístico, essas talvez interessem a goleiros e técnicos nesta Copa — além de outros desocupados.

Eis o que o inglês levantou: apenas 58% de jogadores de meio-campo acertam a cobrança de pênaltis; quanto maior a idade do jogador, menor a sua probabilidade de acertar. Mas os 71% de acertos dos velhinhos — deixa eu defender a categoria — não me parece tão ruim; batedores canhotos convertem a falta em gol em 50% das tentativas, e jogadores destros, 69%.

E o que nos diz respeito: de acordo com o inglês, goleiros vestindo camisa vermelha nunca defenderam um pênalti numa Copa. Os de camisa verde foram os que mais defenderam.

Ontem, como se viu, o Júlio César jogou todo de verde.

Estatísticas não significam nada, claro. Mas, haja o que houver, o Júlio César não deve trocar de uniforme.

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