Zé Pedro: "Resolvi investir parte do que tenho nessas cantoras que adoro”

 

A gravadora Joia Moderna do DJ Zé Pedro é dedicada exclusivamente a grandes cantoras que já fizeram muito sucesso mas perderam espaço.

 

“Quero iluminar vozes que adoro, intérpretes maravilhosas", conta. O DJ (e, agora, empresário) explica que o modelo atual de negócios acaba por deixar de lado inúmeros talentos. “Muitas estão fora porque o mercado não sabe administrá-las.”

 

Joia Moderna nasceu em um jantar. Zé Pedro lembra que estava com o produtor Thiago Marques Luiz, um apaixonado por vozes femininas que lhe mostrou dois projetos que não encontravam abrigo.

 

“Ele tinha um disco com a Cida Moreira e outro com mulheres cantando Taiguara, mas não havia interessados.” O DJ resolveu ajudar dentro de suas possibilidades. “Fazemos mil cópias. Depois, o disco é todo da artista”, explica.

 

A gravadora lançará quatro discos por vez. A primeira leva, além dos projetos de Marques, conta com Zezé Motta e Silvia Maria, esta última estava sem gravar havia trinta anos. “Se uma acabou virando mais atriz do que cantora, da outra ninguém nem mais ouvia falar.”

 

Em entrevista ao showlivre (showlivre.com), ele revela as intenções e planos para o seu valioso projeto, da escolha dos nomes do cast da gravadora e também sobre a filosofia que vai nortear o trabalho.




 

 


Silvia Maria 


Zé Pedro conta que, quando escrevia seu livro “Meus Discos e Nada Mais — Memórias de um DJ na Música Brasileira”, procurou material sobre Silvia Maria, em vão. “Em outubro do ano passado, fui vê-la em um show na Sala dos Espelhos, no Memorial da América Latina. É talvez a melhor de sua geração e só tinha dois discos, de 1973 e 1980.”

 

O novo álbum foi gravado em apenas duas semanas. “Minha maior surpresa foi ‘Rio Vermelho’, letra de uma música do Milton Nascimento que ela achou em um caderno antigo.”


 

 




Quando a chamei para o projeto, sugeri um repertório que misturasse Luiz Melodia e Jards Macalé. Ela topou na hora.” Zezé Motta apareceu com a música “Soluços”, que nem ele tinha. “É a melhor faixa do disco. Uma composição do Jards gravada com tanta intensidade que ninguém teve coragem de cortar.”



 



Zé Pedro a define como visceral. “Ninguém toca piano como a Cida Moreira, com tanta intensidade. No disco, ela canta e assume o piano. Tinha de ser assim. Se eu chamasse alguém para acompanhá-la, não ficaria tão bom.” Foram vinte músicas que ela gravou como quis, interpretando de Amy Whinehouse a Tom Waits. “Dessas, tiramos as faixas que estão no disco.”



 

 

“Meu pai ouvia Tim Maia, Roberto Carlos e Taiguara, um compositor que me marcou muito.” Zé Pedro e Thiago Marques Luiz chamaram então catorze mulheres, “do passado e do presente”, para dar nova vida às suas canções.

 

“Tanto nesse como nos outros três discos, parecia que todo mundo estava gravando seu primeiro trabalho. E eu falava que estávamos abrindo uma cooperativa, que o projeto era nosso. Ali, era para brincar, sem pensar em mercado ou em tocar na novela.”


 

 


Zé Pedro conta que os quatro discos custarão entre 20 e 25 reais, e que bancou o projeto sozinho.

 

“Sou DJ, é essa minha profissão. E não tenho filhos. Resolvi investir parte do que tenho nessas cantoras que adoro.”

 

Disposto a ver como esses álbuns serão absorvidos, ele diz não ter medo da pirataria. “Imagino que o público da gravadora seja como eu, que baixo as faixas e, se gosto, compro o disco", afirma.

 

"Sou de um tempo em que a música precisa vir embalada e conheço muita gente que tem esse romantismo também. Toda grande cantora que perder o bonde do mercado pode subir no meu trem.”

 

 

VIDA LONGA À GRAVADORA JOIA MODERNA

 

 

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Fontes:
- Veja São Paulo (Fev/2011)
- Home IG Último Segundo / Cultura

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