VISTO: PERDE OS ESTADOS UNIDOS; MAIS AINDA, O BRASIL # J. R. Guedes de Oliveira


          O Consulado Norte Americano em São Paulo é, sem qualquer dúvida, o ponto de entrada nos EE.UU., já que, sem o visto, não é possível a sua regularização. E, parece-nos, um dos únicos em nosso país.

 

          Empilhados, ou melhor, enfileirados interminavelmente, centenas de pessoas, das mais variadas idades, sujeitam-se em horas a fio, sob as intempéries paulistas, a desfilar  pela rua da Henry Dumont, visando este “visto” que se torna algo temeroso a qualquer cidadão.

 

          Quando a Secretária de Estado Hillary Clinton esteve no Brasil (e não faz muito tempo), afiançou peremptoriamente, que tomaria todas as providências imediatas de estabelecer ações nos consulados americanos de várias capitais, no sentido de criar novas bases para o “visto”. Isto quer dizer: novos locais para entrevistas e obtenção do visto. Nada, porém, foi feito até o momento, permanecendo na estaca zero.

 

          Somado ao gravíssimo problema de locomoção, já que de diversos estados do país, desde o sul até o norte, se locomovem os cidadãos para a capital paulista, ainda estão sujeitos ao longo tempo de espera, gastos excessivos, desconfortos e humilhantes situações;

 

          Para piorar esta veracidade de informação, há uma enorme quantidade de documentos a apresentar, taxas absurdas (e que, negado o visto, perde o seu sentido, devendo recolher novas taxas) e as tais entrevistas, como o brasileiro fosse, em termos gerais, advindo das matizes do chamado “países do mal” - atributo aos designados contra-americanos.

 

          Imaginem, pois, uma falta de documento. Então o cidadão volta ao final da fila, agora com o que faltou. Em frente ao Consulado Norte Americano existem escritórios que providenciam cópias xerográficas. Em qualquer lugar do Brasil, uma cópia xerográfica não fica mais do que R$ 0,30. Contudo, como não há outro lugar por perto e há necessidade premente do documento, por incrível que pareça, o custo é de R$ 20,00 a R$ 30,00 apenas uma cópia. Pasmem! Um verdadeiro atentado ao bolso do cidadão. Fica o registro para os que defendem o Código do Consumidor e fazem-no valer: autoridades fiscais, entidades sociais, etc.

 

          Para o cidadão brasileiro, a obtenção do “visto” tornou-se, ao longo do tempo, um verdadeiro martírio. É claro que, no passado, até que certos casos fossem necessários, pela necessidade de trabalho e realização pessoal, com ganhos maiores. Hoje não há esta questão.

 

          Existem épocas nos Estados Unidos que se compram de tudo, a preço baixíssimo. Na passagem do ano; após o “Dia de Ação de Graças” e outros mais, as lojas se abrem com descontos fantásticos e o que se vê é 90% ou mais de brasileiros comprando e engordando os cofres do  Tesouro Americano.

Norte-Americano mesmo, quase que não se vê nas compras. Foi-se o tempo de bonança.

 

          Já não se vê mais a leva de brasileiros buscando a realização nos Estados Unidos, pelo trabalho. A maioria absoluta e insofismável é de turistas gastando o que ganharam em nosso país. Reverteu-se a situação. Já não é mais atrativo.  Quantos já estão voltando, como os que foram para o Japão! E que não bastasse, é só olhar o que de levas de brasileiros, em turismo, chegam a Miami, ou mesmo a New York  (para compras), ou na Flórida, com destino a Disney.

 

         Perde os Estados Unidos; mais ainda, o Brasil. O processo de obtenção do visto é estarrecedor, principalmente sabendo, como dissemos anteriormente, não ser a “Terra de Santa Cruz” o “eixo do mal”.

 

         Talvez John Keynes pudesse, nos tempos atuais, se vivo fosse, puxar as orelhas do Tio San, alertando-o sobre esta prática tão nociva à sua economia. Sem pensar, também, na economia do país irmão, que se chama Brasil. A burocracia do visto é algo que precisa e necessita de urgentes medidas de eliminação.

 

         Muitas vezes perguntamos a nós mesmos se o grande presidente Barack Obama sabe dessas coisas ou desconhece ele este detalhe. Mas sabemos, de antemão, que o ilustre Embaixador Dr. Thomas A. Shannon, de grande sensibilidade e tino político, está promovendo a interação entre Brasil-Estados Unidos, capaz de alterar substancialmente paradigmas até então colocados em ação de modo tão unilateral.

 

         Para nós que desde o início da campanha de Barack Obama à Presidente, já estávamos em pleno contato, pela internet - caminho escolhido por ele na luta à Casa Branca - sempre confiamos no seu enorme valor de estreitamento da amizade e reciprocidade entre os nossos povos, fortalecendo, pois, as Américas. E é isso que esperamos dele, por mãos do ilustre Embaixador, mudanças drásticas, sem o que haveremos de estarmos distantes em diversos aspectos.

 

          Estamos lendo, estes dias, o livro “Barack Obama - Audácia da Esperança”, tradução para o português de Candombá, Larousse do Brasil, 2009 e entusiasmamos, mais ainda, pelas fantásticas reflexões sobre a reconquista do Sonho Americano. As páginas do grosso livro de 400 páginas, nos dá a dimensão de pureza e  do espírito fraternal, do grande Presidente dos Estados Unidos, na sua caminhada para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos e segurança cidadã no mundo.

 

           Entusiasma-nos, sobejamente, as colocações de Barack Obama sobre o nosso país, principalmente no seu discurso em nossa terra, quando da sua recente visita.

 

           Portanto, é hora de medidas urgentes da ação de estreitarmos os nossos laços fraternos, com amabilidade e política de boa-vizinhança. Mas para isso, é bom que se tome, de imediato, posições de facilidades entre vir e vir de americanos e brasileiros, obedecidos, é claro, os costumes. Um avanço nesse sentido é a facilidade de podermos visitar os Estados Unidos, coisa que este “enfadonho visto” tem negado a muita gente distinta e que venera, com especial deferência, a casa do Tio San. É o nosso recado.

 

 

                        J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.

                        E-mail: guedes.idt@terra.com.br

 

 

 

         

 

 

 




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Comentário de Delcio Marinho em 15 julho 2011 às 16:47
Comentário de Ivan Bulhões em 15 julho 2011 às 17:04

Por razões de trabalho, visitei os EUA diversas vezes... NYC, Philadelphia, Floria, Califórnia....

Sinceramente? Todas as viagens que fiz aos EUA somadas, não chegam aos pés de uma das diversas que fiz à Europa... E sem precisar de visto.

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