Publicado originalmente no Direto da Redação, do Correio do Brasil

Vitória…mas que vitória?

6/10/2014 18:05 Por Rui Martins, de Genebra

O PT exagerou no método usado para desconstruir e liquidar Marina. Isso poderá lhe custar a derrota dia 26

O PT exagerou no método usado para desconstruir e liquidar Marina. Isso poderá lhe custar a derrota dia 26

A tática empregada contra Marina Silva deu certo e ela foi a nocaute. Um nocaute doloroso e humilhante, provocado, na verdade, por golpes baixos. A tropa de choque delirou com a vitória, mas logo se acalmou vendo as expressões do marqueteiro e dos líderes do PT. Houve exagero nos golpes, agora é tarde demais e tudo se complicou.

De volta de Brasília do glorioso encontro e beija-mão com a chefe, os blogueiros portadores de armas mais letais que a criticada grande imprensa, garantiam uma retumbante vitória – “essa nós vamos levar no primeiro turno”. A certeza eram os primeiros sinais de fraqueza da acriana, balançando no ringue, sem saber como reagir aos golpes duros, fortes e incessantes, no baixo-ventre, no rosto, na cabeça. Dos 45% iniciais, em agosto, ao substituir Eduardo Campos, só restavam 27% e, nos dias que antecediam o primeiro-turno, nem mesmo 25%. O nocaute era iminente e visível.

Com suas mãos magras de dedos finos, ela tentava se segurar nas cordas, enquanto aumentavam os golpes. De nada adiantavam os gritos de incentivo dos índios de Belo Monte e das reservas ameaçadas, nem o movimento das árvores da floresta amazônica como sacudidas pelo vento na vã tentativa de pedir socorro antes da próxima queimada. Vãs também as orações de fiéis evangélicos, pois a corrente tinha sido interrompida pela falta de unidade. Marina tentou se defender no último momento, no último combate pela televisão, mas era tarde demais.

Enquanto era levada carregada cheia de hematomas aos vestiários, corria cerveja entre os espectadores. Essa já era! A tática dera certo, gente magra não tem gordura de proteção.

Mas pelo jeito, a festa não foi muito longe. Quando a CBN cantou os primeiros resultados de boca-de-urna, havia alguma coisa errada: Aécio não estava no papo como se pensava, 30% contra 40%, eram bem mais e bem menos que os imaginados e noticiados pelas sondagens da grande imprensa. E o resultado final foi ainda mais apertado, nada dos 46 ou 47 esperados contra 28, mas apenas 8% de diferença, um apertado 41,5 contra 33,5%. Para ser claro, vai ser difícil repetir a vitória deste domingo. Não adianta correr ao vestiário com cremes e sorrisos com cara lavada de quem pede desculpas.

Faltou tato? Não, faltou respeito, porque entre os lutadores no ringue existe um código de honra. E mesmo no futebol. Quando a seleção brasileira se entregou em plena Copa do Mundo, os alemães poderiam ter feito dez ou quinze gols, era só querer. Mas não quiseram. Isso faltou à tropa de choque, aos blogueiros, na luta contra Marina, adversária mas da mesma família, à qual hipoteticamente poderiam precisar pedir apoio, como agora acontece.

Celso Lungaretti, crítico de cinema e também de política, previu, faz alguns dias, com uma rara clarividência, no seu blog Náufrago da Utopia, o êrro agora irremediável dos petistas – a campanha de desconstrução e desmoralização de Marina teria seu contraponto, um preço alto a amargar: a falta de apoio de Marina para o segundo turno, em outras palavras, a derrota. Porque não foi só a candidata a atingida pela onda de mentiras e de ofensas, mas todo seu eleitorado. E por que adotaram o mesmo método dos detratores de Lula, que a esses detratores tinha custado a derrota? De onde veio essa inspiração insana da necessidade de destruir Marina, se na verdade o principal inimigo era Aécio?

Os vencedores de ontem estão com a cabeça inchada e o gosto amargo da cevada na boca, mesmo porque no afã de destruir a frágil adversária, do mesmo sangue e do mesmo gene políticos, se descuidaram de São Paulo, onde sofreram um verdadeiro tsunami com perda de deputados federais, estaduais e a perda do senador Suplicy. E se perderem dia 26, tudo se esvanecerá. Na verdade, agiram como aprendizes kamikases.

De onde virão os 8,5% necessários para a vitória? Dos nanicos? Do PSB? De Marina que chegou a ser insultada de agente da CIA, autora do acidente que custou a vida a Eduardo Campos e de ser vendida para os banqueiros? Mas de uma pessoa tão comprometida agora vale o apoio?

Rui Martins, jornalista, escritor, editor do Direto da Redação

 

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