Dentistas em geral são pessoas educadas e amáveis, até porque depois que inventaram o tal do “tratamento de canal”, um dentista grosso seria o fim da própria carreira. Se com as do sexo feminino, que se comportam durante o atendimento como verdadeiras mães cuidando dos seus bebês, é um Deus nos acuda, imaginem um marmanjo metido a “zagueiro” mexendo com aquelas coisas?

Agora, não confio neles e tenho meus motivos, pois jamais cumpriram com o que prometeram: aquele negócio de falar que “não vai doer” é pura conversa fiada. Perco o sono só de imaginar que, no médio prazo, vou ter que encarar à extirpação daquele nervo encarregado de dizer pra nós que o dente não vai bem, que poderia ser menos enfático em sua mensagem.

Quase tudo nessa vida tem um “ápice” e imagino que no caso do “canal”, seja aquele momento inesquecível, quando é aplicada a anestesia diretamente no nervo e nos leva ao outro mundo.

Alguém já imprensou um dedo ao fechar a porta do carro? Dói bastante, não é mesmo? E doeria muito mais se alguém dissesse: - Segura o dedo aí que eu vou bater a porta! É mais ou menos aquilo que acontece com a sensação térmica, que aumenta e diminui as temperaturas. Se fosse assim, a pessoa já começaria a sentir a dor na véspera.

Essa dura realidade se confirma no “canal”. Aquela injetada é terrível, principalmente a partir da segunda vez, onde a gente já sabe de que se trata e quanto mais o dentista jura de pés juntos que “é só um segundinho e depois passa”, mais a gente olha para aquela agulha que a “sensação” transforma num poste.

E se fosse somente a fatídica furada, seria uma maravilha. Depois vem aquelas “roscas sem fim” que quanto mais o dentista torce, assassinando o nervo, mais o “paciente” torce para que aquilo acabe e, para sua decepção, ele ainda diz que ta faltando só um pouquinho e mais uma vez não é sincero, pois não explica que na outra raiz falta tudo e tem dente que tem um monte delas.

Então naquele clima de total falsidade, onde nunca é dito exatamente o que se pensa, o dentista olha pra mim e, lá no íntimo, silenciosamente diz: - Ô cabra velho frouxo! E eu que percebo as coisas no ar, retribuo no mesmo idioma, sem aumentar o volume e baixar o nível: - Pimenta no dos outros é “colírio”!

Faz dois dias que optei por extrair um dente ao invés do nervo, ainda estou passando por aquela fase de análises e comparações entre as duas situações e prometo contar a que considerar pior, com uma particularidade: na tentativa frustrada de me convencer a fazer o canal, dizendo que não ia doer, ele foi até o “ápice” e aí, além de queda coice.

E tudo caminha para um final feliz. E que final! Além de um baita alívio, ainda levamos um recibo para abater no IRPF.

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