Guia da Folha - Livros Discos Filmes - 27 de fevereiro de 2009

Na esteira da minissérie televisiva "Maysa, Quando Fala o Coração", são relançados quatro discos gravados pela cantora no auge de sua carreira

A mesma TV Globo que, nos últimos 20 anos, aboliu por completo a música de sua programação de shows no horário nobre, retoma aos poucos seu contato com a MPB através daquilo que faz melhor: a teledramaturgia. "Especiais" reverenciaram com dignidade e expressão a vida de grandes intérpretes da nossa canção na segunda metade do século 20, como Elis Regina, Nara Leão e Dolores Duran.
Ao mexer, porém, nesse vespeiro humano que foi Maysa, viu acontecer um verdadeiro terremoto em sua audiência, na mídia e na opinião pública em geral. "Maysa, Quando Fala o Coração", com texto primoroso de Manuel Carlos, foi dirigido com sensibilidade e talento por seu próprio filho, Jayme Monjardim, que enfrentou o difícil dilema de manter o distanciamento que a função de diretor lhe impunha, ao mesmo tempo em que comparecia como personagem em inúmeros momentos daquela emocionante avalanche de acontecimentos que marcou a trajetória da cantora.
Esse seriado teve inúmeras funções. A primeira delas foi a de revelar para as novas gerações quem foi essa grande diva de nossa música popular - cujos LPs ressurgem agora em versões remasterizadas.
Outra leitura possível é a de que Maysa foi mais que uma grande cantora. Por sua coragem estabanada de enfrentar preconceitos, ao querer impor a si mesma, à família e à sociedade o destino de artista que havia sonhado, teve uma vida tumultuada e cheia de reveses - que serviam de motivação para sua arte.
Por essa razão, as cantoras da geração imediatamente posterior à sua sempre a tiveram como modelo de audácia e determinação numa profissão em que o inusitado estabelece os caminhos.
A principal vantagem do seriado, porém, foi a de trazer sua música, suas letras e suas interpretações de volta aos dias atuais. Em consequência desse sucesso, a própria Som Livre, subsidiária da Globo para produtos fonográficos, acaba de lançar em CD quatro velhas "bolachas" da cantora, gravadas no auge de sua carreira: "Maysa É Maysa..., Maysa É Maysa!" (1959), "Voltei" (1960), "Maysa Canta Sucessos" (1960) e Maysa, Amor ... e Maysa" (1961).
Neles, é possível conhecer a cantora no início da sua carreira, ainda mergulhada no vale de lágrimas da fase "abolerada" de nosso samba-canção; Maysa dando reviravolta artística ao se identificar e, mais uma vez, corajosamente, promover a música da jovem geração bossa nova que surgia; e alguns "hits" internacionais, já que nos anos 60 ela fez excursões por vários países.
Esses discos completam a gravação oficial, lançada também pela Som Livre em razão da minissérie da TV, no qual comparecem seus mais famosos sucessos: "Ouça", "Meu Mundo Caiu" e Bronzes e Cristais" - além de "Ne Me Quitte Pas", mostrado no antológico especial de Antonio Abujamra para TV Cultura (também reexibido recentemente), onde a cantora revela seu talento de absoluto nível internacional, justificadamente comparada inúmeras vezes a Edith Piaf.

"Maysa É Maysa..., Maysa É Maysa!" (1959)
"Voltei" (1960)
"Maysa Canta Sucessos" (1960)
Maysa, Amor ... e Maysa" (1961)

Artista: Maysa
Gravadora: Som Livre
Preço: R$ 14,90 cada
Avaliação: ótimo

Exibições: 68

Comentário de Helô em 1 março 2009 às 13:28
Gilberto
Que legal o texto do Julio Medaglia. O Portal cresceu muito e nem sempre a gente consegue acompanhar o que é publicado. "Maysa" causou realmente um terremoto! Meu humilde bloguinho, Rio em Disco, teve quatro vezes mais visitantes depois que publiquei um post em homenagem à cantora. Impressionante o poder global.
Beijos.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 1 março 2009 às 16:06
É Helô, se não passar na Grobo, o grande público não toma conhecimento. A blogosfera ainda é um universo pequeno.

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