Um conhecido ditado é o de que o poder corrompe, mas não dá para dizer que se trata de um axioma, uma coisa categórica, infalível: penso que há poderes não corruptos. Agora, que poder é prazeroso, é - descartada, pois, a surrada lengalenga da "missão espinhosa", do "sacrifício", do "sacerdócio". Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, dizia que "o poder é afrodisíaco".

Há pessoas, físicas e jurídicas, capazes de tudo para preservar o poder alcançado. Nixon, por exemplo, recorria ao Fisco para pôr em maus lençóis seus desafetos. Quer encarar? Tome devassa fiscal. Desconheço a reação dele quando informado de que certo inimigo estava limpo...

J. Edgar Hoover passou 48 (quarenta e oito) anos à frente do FBI, a polícia federal americana; serviu a oito presidentes e dezoito secretários de Justiça. Sua especialidade era a elaboração de dossiês, prenhes de informações concretas e "ilações", "impressões" e juízos os mais disparatados. Na maioria das vezes, dizem, seus "interlocutores" nem sequer tinham acesso ao conteúdo do dossiê, apenas sabiam da existência do levantamento e de detalhes dele pinçados. A tática de Hoover funcionou.

Muitos são os casos de conglomerados que, para manter-se em posição privilegiada no ranking, recorrem a práticas escabrosas, no âmbito contábil, fiscal, mercadológico e onde mais se impuser. Alguns chegam a ser desbaratados, outros não (há até casos em que a lambança parece institucionalizada, como fez Alan Greenspan ao impedir o controle mais rigoroso das "criativas" operações financeiras celebradas pelos bancos).

A Operação Satiagraha poderá resultar no desmascaramento de muitos poderosos, e tal perspectiva vem produzindo os mais virulentos esperneios de eméritos titulares da grande mídia (e parceiros), que não poupou acidez contra o Juiz De Sanctis, o delegado Protógenes e instituições envolvidas. Irmanados à grande mídia, políticos se esmeram para concretizar o mote: é preciso melar! Esperamos que dêem com os burros n'água.

Mas o processo flui, e a tensão chega ao ápice. O grupo Abril, há meses às voltas com críticas contundentes (O Caso VEJA) formuladas por Luis Nassif, em vez de rebatê-las civilizadamente e buscar, na esfera judicial, o remédio julgado cabível, desfere, via blog, impropérios contra o jornalista e sua família - comportamento que configura um tipo de falácia, a ad hominem: insultar o oponente para desacreditar e enfraquecer a argumentação dele.

Vã tentativa.

O trabalho realizado por Nassif é um marco na história (da volúpia) do poder midiático no Brasil.

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