Waldir Azevedo e os bastidores de "Pedacinhos do Céu"

 

 

O cavaquinista Waldir Azevedo foi um campeão de vendas de discos com temas instrumentais como Brasileirinho e Delicado, superando em popularidade Jacob do Bandolim, nome fundamental do choro, mas com menos sucessos na bagagem.

 

 

João Máximo conta que “Pedacinhos do céu”, uma das composições de Azevedo foi gravada num banheiro da Continental, para que o músico chegasse à sonoridade que pretendia.

 

 

 

 

 

 

 

No Programa da Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles - Como e por que nascem as canções -, o jornalista e escritor João Máximo relata esta história.

 

 

 

 

 

 

 

 

"Waldir Azevedo, o mestre do cavaquinho, foi a solução da gravadora Continental para ocupar a vaga deixada por Jacob do Bandolim ao se transferir para a RCA Victor.

 

As fábricas de discos da época achavam importante ter ao menos um virtuoso do ‘choro’ em seu elenco. Daí Jacob Bittencourt, na RCA Victor e Waldir Azevedo, na Continental.

 

Corria o ano de 1949. Não se pode nem se deve comparar um com o outro. Os dois instrumentistas eram músicos de exceção. Cada qual com seu instrumento, cada qual com sua proposta. Por algum motivo inexplicável, como geralmente ocorre com o sucesso, Waldir Azevedo vendeu muito mais discos do que Jacob do Bandolim.

 

Consequentemente a Continental faturou bem mais com ele do que a RCA Victor com Jacob. Com um detalhe; uma das composições de Waldir, o baião ‘Delicado’, alcança, surpreendentemente, êxito internacional, o que jamais ocorreu com o criador de ‘Doce de coco’, ‘Vibrações’ e outras preciosidades. Foi o bastante para despertar os ciúmes de Jacob - chorão que não perdoava o rival por fazer sucesso não com o choro, mas com um baião.

 

Anos mais tarde em depoimento ao MIS [Museu da Imagem e do Som] Jacob acusaria ‘Delicado’ de ter se apoderado (abre aspas: do ritmo da moda - o baião, num amontoado de sandices absurdas: (fecha aspas).

 

Um dos motivos que levaram Jacob do Bandolim deixar a Continental foi o melhor equipamento de som da RCA Victor. De fato estúdios, microfones, gravadores, tudo era melhor na nova casa. Mas a Continental tentou compensar isso se valendo de improvisação e criatividade.

 

Por essa razão quando Waldir Azevedo quis gravar ‘Pedacinhos do céu’ - choro dedicado a suas filhas -, e pensou em fazê-lo com os mesmos efeitos verberantes obtidos em máquinas de som mais modernas. Os técnicos supriram a falta de uma câmara de eco apelando para o banheiro da gravadora, dentro do qual o cavaquinho de Waldir Azevedo soou exatamente como ela queria.

 

‘Pedacinhos do céu’ novo sucesso. E quem achar inadequada sua inclusão numa série dedicada a “canções” saiba que, “Pedacinhos do céu”, como muitos ‘choros’ virou canção com letra de Miguel Lima, naturalmente sem o apelo do original".

 

 

 

 

Ouça algumas das músicas citadas.

 

 

 

 

Delicado” (Waldir Azevedo) # Waldir Azevedo. Disco Continental (16314A), 1950.

 

 

 

 

 

Pedacinhos do céu” (Waldir Azevedo) # Waldir Azevedo. Disco Continental (16.369-B) / Matriz (2540). Lançamento (março/1951).

 

 

 

 

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Post dedicado ao meu querido irmão Ademir de Castro Lima Cardoso - amante da boa música que elegeu “Pedacinhos do céu” como uma das suas favoritas.

 

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Fontes:

- Instituto Moreira Salles – Rádio Batuta/Programa - Como e por que nascem as canções.

- Site YouTube.

 

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