Jonathan Fildes, repórter de Ciência e Tecnologia da BBC News em Oxford

O site de denúncias Wikileaks voltou a ser objeto de atenção da imprensa internacional ao publicar mais de 90 mil documentos contendo registros secretos de incidentes e relatórios de militares americanos sobre a guerra no Afeganistão.

Este é o mais recente em uma longa lista de "vazamentos" (leaks, em inglês) divulgados por meio do site, que se especializa em disponibilizar material confidencial de governos e organizações internacionais e diz já ter divulgado mais de um milhão de documentos.

Em abril de 2010, por exemplo, o site publicou um vídeo mostrando um helicóptero Apache americano matando pelo menos 12 pessoas - entre elas, dois jornalistas da agência de notícias Reuters - durante um ataque em Bagdá em 2007.

Em 2008, durante as eleições americanas, o Wikileaks divulgou imagens da caixa de e-mails, de fotos e da lista de endereços da candidata à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin.

Outro documento polêmico disponibilizado pelo site foi uma cópia de um guia detalhando o tipo de tratamento dado a prisioneiros do centro de detenções americano na Baía de Guantánamo, em Cuba.

Disputas Legais
O Wikileaks provocou controvérsias quando apareceu na internet, em dezembro de 2006, e ainda divide opiniões: para uns, é uma ameaça, para outros, representa o futuro do jornalismo investigativo.

Em março deste ano, o diretor do site, o australiano Julian Assange, publicou um documento supostamente emitido pelo serviço de inteligência americano, declarando que o Wikileaks representava uma "ameaça às Forças Armadas dos Estados Unidos".

Mais tarde, o governo americano confirmou à BBC que os documentos eram verdadeiros.

Qualquer um pode oferecer material ao site de forma anônima, mas uma equipe de revisores - voluntários da grande imprensa, jornalistas e funcionários do site - decide o que é publicado.

"Usamos técnicas avançadas de criptografia e técnicas legais para proteger nossas fontes", disse Assange à BBC em fevereiro.

O site diz que aceita "material confidencial, censurado ou restrito que tenha significância política, diplomática ou ética", mas não recebe "rumores, opiniões e outros tipos de reportagens em primeira mão ou material que já está disponível publicamente".

"Nos especializamos em permitir a delatores e jornalistas censurados que disponibilizem seu material ao público", disse Assange.

O Wikileaks é administrado por uma organização conhecida como Sunshine Press e diz ser "financiado por campanhas pelos direitos humanos, jornalistas investigativos, tecnólogos e o público em geral".

"Nos especializamos em permitir a delatores e jornalistas censurados que disponibilizem seu material ao público".

O site diz ter driblado mais de "cem ataques legais" (processos legais com o objetivo de suspender suas operações) desde seu surgimento.

Em 2008, por exemplo, o banco suíço Julius Baer conseguiu que um tribunal bloqueasse o site após a publicação de centenas de documentos sobre as atividades internacionais do banco.

Entretanto, vários "espelhos" do site - hospedados em diferentes servidores situados em várias partes do mundo - continuaram a operar.

A ordem do tribunal acabou sendo revogada.

Futuro
Segundo o Wikileaks, seu sucesso em batalhas jurídicas se deve ao que o site chama de "hospedagem à prova de balas".

Ele é hospedado principalmente pelo provedor sueco PeRiQuito (PRQ), que ficou famoso por hospedar o site ilegal de trocas de arquivos de música The Pirate Bay.

"(O Wikileaks) é legal na Suécia, nós vamos hospedá-lo e mantê-lo funcionando quaisquer que sejam as pressões", diz o provedor.

O site também é hospedado em outros países, incluindo a Bélgica.

"Para proteger a segurança de nossas fontes, tivemos de espalhar nossos ativos, criptografar tudo e transferir telecomunicações e pessoal para outras partes do mundo para ativar leis de proteção em diferentes jurisdições nacionais", disse Assange à BBC em fevereiro.

"Ficamos bons nisso e nunca perdemos um caso, ou fonte, mas não podemos esperar que todos façam o esforço extraordinário que fazemos".

Apesar de sua fama mundial, o site enfrentou problemas financeiros. Em fevereiro, suspendeu suas operações por não poder arcar com os custos de suas operações.

Segundo Assange, doações de indivíduos e organizações salvaram o site.

Ele disse à BBC que, recentemente, o Wikileaks vem crescendo enormemente, a ponto de não poder dar vazão a todo o material que recebe.

Como resultado, o site está se reestruturando para estabelecer vários núcleos independentes pelo mundo e agir como um intermediário entre fontes e jornais, explicou Assange.

"Nós cuidamos da fonte e agimos como um intermediário neutro e também cuidamos da publicação do material enquanto o jornalista com quem nos comunicamos faz a verificação".

Exibições: 27

Comentário de Webster Franklin Farias Santos em 27 julho 2010 às 7:46
Excelente postagem Gregório. Isso mostra como os meios tradicionais de comunicação manipulam e omitem informações.Abs
Comentário de PAULO ANGELO DE PINHO em 27 julho 2010 às 11:23
Exelente,quem nao deve nao teme. Bem que esse site poderia publicar as declaraçoes de bens de figuras públicas, se sao públicas tem de ter suas vidas públicas, para que os cidadaos que os elegem saibam quem realmente sao.
Comentário de Gregório Macedo em 27 julho 2010 às 20:58
Webster e Paulo,
Concordo com as observações.
Um abraço.

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