Wilson Baptista - Parabéns para você

por Rodrigo Alzuguir *

 

 

 

Wilson Baptista nos anos 1940, sua era de ouro, e na década seguinte

 

 

 

 

O centenário de Wilson Baptista se completa neste 3 de julho. O ator, cantor e escritor Rodrigo Alzuguir está preparando uma biografia do compositor a ser lançada até o fim do ano. O texto abaixo é uma adaptação do perfil que ele escreveu para Wilson Baptista – Cancioneiro Comentado, álbum com mais de cem partituras que sai em julho.

 

“Parabéns para você/ Pelo seu aniversário/ Que Deus o faça feliz/ Bem feliz, junto aos seus/ São os meus ardentes votos/ Com toda sinceridade/ Parabéns para você/ E muita felicidade…”, cantava Aracy de Almeida em meados de 1945.

 

 

 

 

Parabéns para você” (Wilson Baptista/Roberto Martins) # Aracy de Almeida, 1945.

 

 

 

 

 

 

 

Ao compor esse samba (“Parabéns para você”) com o parceiro Roberto Martins, Wilson Baptista estava na crista da onda. Tinha 32 anos de idade e uma “bagagem” respeitável recheada de sucessos, propagados pelas maiores vozes de seu tempo – Francisco Alves, Carmen Miranda, Mario Reis, Dyrcinha Baptista, Orlando Silva, Linda Baptista, Moreira da Silva, Odette Amaral, Sylvio Caldas, Aracy de Almeida, Cyro Monteiro, Aracy Cortes, Luiz Barbosa, os Anjos do Inferno, o Bando da Lua, entre outros.

 

 

 

A turma do Café Nice, no traço de Nássara

 

 

Era conhecido no rádio, no disco, no teatro musicado, nas chamadas “casas de diversão” (cabarés, dancings, gafieiras), e, sobretudo, no mítico Café Nice, ponto de encontro de compositores na Avenida Rio Branco, onde viveu a sua melhor fase profissional, dividindo mesas com os grandes em pé de igualdade. Sua troca de farpas musicais com Noel Rosa já era coisa do passado – tinham se passado dez anos.

 

 

Vestia o fino. Sapato do Motinha, sob encomenda. Terno de linho 120 inglês, feito por alfaiate de confiança. Bigode aparadinho. As ondas no cabelo crespo feitas à base de vaselina, sua marca registrada e frisson das morenas da Lapa. Posava, galante, para fotos de divulgação, dava entrevistas, aparecia em jornais e revistas. O compositor Custódio Mesquita, exímio melodista e colega de Nice, achava impressionantes os caminhos melódicos e harmônicos que ele criava intuitivamente, batucando singelas caixinhas de fósforos.

 

 

O último aniversário, em 1968, Wilson passou no leito de um hospital. Ninguém cantou “Parabéns para você”. Não havia motivos para comemorar. Pele e osso, abatido, sofrendo as consequências de seu coração aumentado – taquicardia, náusea, falta de ar –, ele sabia que não tinha muito tempo de vida. Pior: estava completamente esquecido. Se um ou outro o conhecia (a exemplo de um dos médicos que o atendeu), era pelo seu papel de antagonista na Polêmica com Noel Rosa – pecha que carregava desde a década de 1950, quando a contenda com o Poeta da Vila foi repaginada e ganhou a posteridade.

 

 

Depois de uma fuga espetacular do hospital e de procurar um pianista amigo para transcrever seu samba novo, o simbólico “Transplante de coração” (“Por favor, doutor/ Transplante o coração do Chicão…”), Wilson entregou os pontos. Quatro dias depois de completar 55 anos, morreu no Souza Aguiar.

 

 

No dia 3 de julho de 2013, Wilson Baptista faria 100 anos. É tempo de cantar um “Parabéns para você” especial para ele. Não a versão em português do “Happy birthday” ianque, mas o samba gravado por Aracy. E pensando no que interessa: a obra de mestre que ele deixou para todos nós, tinindo de modernidade em pleno século XXI.

 

 

Capas das partituras de “Acertei no milhar” e “O teu riso tem”

 

 

Acertei no bilhar” (Wilson Batista/Geraldo Pereira) # Moreira da Silva, 1958.

 

 

 

 

 

 

 

O teu riso tem (Wilson Batista/Roberto Martins) # Sílvio Caldas. Disco Odeon (11574B), 1937. (Ouça clicando no nome da música).

 

 

 

Oh! Seu Oscar” (Wilson Batista/Ataulfo Alves) # Cyro Monteiro.

 

 

 

 

 

 

 

OSCAR:

Cheguei cansado do trabalho, logo a vizinha me falou…

VIZINHA:

Oh, Seu Oscar! Tá fazendo meia-hora que a sua mulher foi embora.

E um bilhete deixou…

OSCAR:

O bilhete assim dizia…

ESPOSA (bilhete):

Não posso mais, eu quero é viver na orgia!

 

 

 

Em 2013, ano de seu centenário, Wilson Baptista de Oliveira merece voltar ao assovio de seu povo. Para quem quiser conhecê-lo, basta ouvi-lo, tocá-lo e cantá-lo: sua vida (e a história do Rio de Janeiro, sua cidade por adoção, devoção e merecimento) está toda espelhada – e espalhada – em sua obra. E que obra!

* Rodrigo Alzuguir é produtor, ator, músico e pesquisador.

 

 

Leia a matéria completa aqui.

 

Confira também - O samba carioca de Wilson Baptista.

 

 

 

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Fonte: Blog do IMS

 

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