Workshop Internacional de Mogno Africano revela o alto poder de lucratividade da madeira

Expositores, produtores e investidores puderam conferir, durante as oficinas, iniciativa do IBF de apresentar soluções de comercialização do Mogno Africano, que já é considerado um “ouro verde”


Para a maioria dos cerca de 200 participantes do 2° Workshop Internacional de Mogno Africano, que aconteceu nesta quarta-feira (29) em São Paulo, o evento trouxe muitas novidades e possibilidades de negócios. Além de questões técnicas relacionadas ao plantio, cultivo e manutenção das florestas já implantadas ou a serem implantadas no país, a apresentação de temas sobre a comercialização da madeira obteve aprovação da audiência. O evento reuniu produtores, técnicos, investidores e interessados no cultivo da espécie em oficinas de capacitação, buscando incentivar a plantação desta madeira nobre no Brasil.

A principal oficina foi apresentada pelo engenheiro florestal e diretor da AMA - African Mahogani Australia e da AMG - African Mahogani Genetics, Simon Penfold. A AMA é reconhecida empresa de gestão de florestas de Mogno Africano no mundo, com mais de 30 mil hectares de plantação da espécie. Simon destacou a importância dos produtores brasileiros conhecerem o processo de cultivo e trouxe dicas importantes sobre como os australianos enfrentaram os problemas do solo.

“O solo da Austrália é muito antigo e em razão disso tivemos de nos adequar. Para isso, desenvolvemos as plantações de média-rotação, uma vez que a madeira é de alto valor comercial. A espécie tolera uma gama enorme de tipos de solo e condições semiáridas, temperaturas típicas do nosso país. O produtor também não precisa fazer uso do solo apenas para a produção da madeira, pois ela é extremamente viável com integração com animais, como o gado, por exemplo”, contou Simon.

Para mostrar como o mogno africano pode ser um negócio rentável aos produtores e investidores brasileiros, o engenheiro florestal destacou a força da madeira, a sua durabilidade, a cor e como há uma significativa demanda pela indústria de produção de movelaria, uma das principais utilizações do produto final (pós-corte). Para chegar até esta fase, a produção do mogno africano deve ser consistente e apresentar ao final do ciclo uma madeira em perfeito estado, saudável e adequada para aquilo que é destinada. O mercado de mogno africano no Brasil já movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano. E para quem deseja investir nesse setor, o metro cúbico, que tem o valor médio das madeiras nobres nativas, está em torno de R$ 2.500.

“É importante destacar ainda que a espécie permite um ganho por valor de hectare na safra. Na medida em que o indivíduo ganha crescimento, aumentam também as expectativas de rentabilidade da área plantada. Durante os anos de pesquisa e desenvolvimento, a AMA melhorou o formulário e com isso reduziu os custos de implantação das áreas de cultivo. Fizemos testes de mudas silvestres e, em seguida, comparamos custo e desempenho com clones de plantas. Todo o trabalho permitiu que atingíssemos patamares de comercialização e retorno para o produtor”, afirmou o diretor da AMA.

Segundo Solano Aquino, diretor-presidente do IBF, o Mogno Africano representa um investimento muito seguro, mais até do que dinheiro na poupança. “No mesmo momento em que o investidor termina o plantio da floresta de mogno, a terra já valoriza automaticamente, então o investidor nunca vai perder dinheiro com esta operação. O valor da madeira ao final do seu ciclo é excelente. Além disso, não apresenta riscos do ponto de vista legal por se tratar de uma espécie exótica, o que faz com que a sua extração nunca venha a ser proibida ou dificultada de alguma forma. E no campo comercial, madeira nobre tem e sempre terá mercado e o valor da mesma tende a subir porque está cada vez mais difícil a extração de madeira proveniente de florestas nativas. Sendo assim, o lugar de destaque segue rumo às plantações comerciais de Mogno Africano”, explica.

Entre as formas de manutenção das florestas de Mogno Africano na Austrália, Simon Penfold, apontou as pesquisas e testes que a AMA realiza como teste de nutrição, via blocos emparelhados de tratamentos contra clones não tratados, o mais cedo possível em plantações e a silvicultura com plantio comercial misto a partir de "boas" famílias e, progressivamente, abatem esses clones com base em resultados de ensaios iniciais. No que tange a venda e abertura de novos mercados, a previsão do especialista é que “pode ser esperada uma expansão nos próximos anos já que além da China, principal comprador do mogno africano, outros países - especialmente no bloco europeu ocidental no primeiro momento e oriental no segundo - já estão abrindo as portas para o mogno africano”, disse.

Em outra palestra do dia, o engenheiro florestal Alcides Pereira Santos Neto trouxe informações de sua pesquisa realizada na Universidade Federal do Espírito Santo sobre a resistência dos tipos de Mogno Africano. Segundo ele, as três espécies reagiram bem em três situações de microclimas presentes no Brasil. O destaque ficou para a Khaya Senegalensis, que em situação de clima mais seco e com pouca umidade do ar mostrou-se resistente e com crescimento maior em relação aos outros dois tipos, a Khaya Ivorensis e Khaya Anthotheca. Já nos demais testes com temperaturas mais próximas ao nosso clima, média de 25 graus e umidade média ou alta, a K. Ivorensis teve melhor desempenho em termos de crescimento perto dos outros dois tipos. A pesquisa é importante para indicar ao produtor o tipo de muda que deve ser utilizada em regiões do país, que possui variações climáticas intensas entre as regiões Sul, a Norte e a Central.

Vitor Pinheiro, gerente comercial do IBF, apresentou o case Mercado Florestal. A rede de viveiros florestais atua na produção de mudas nativas e nobres, contribuindo com empresas e proprietários rurais na restauração de florestas de áreas alteradas e criação de florestas nobres com fins comerciais. A secretária executiva da Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano (ABPMA), Patrícia Fonseca, apresentou os números que apontam crescimento do número de plantações de florestas da espécie no Brasil, bem como as ações que a entidade vem realizando para aproximar os produtores dos órgãos públicos, com a finalidade de facilitar a implantação das florestas e a a importância da representatividade do setor.

Entre as oficinas, os médicos André e Marcelo Franco, proprietários do Viveiro Plante Ouro, contaram porque investiram na plantação do Mogno Africano, como realizam a manutenção da área plantada e a previsão de início de corte dos indivíduos que já estão chegando perto do ciclo, bem como a perspectiva de rentabilidade que poderá ser obtida. Também contaram suas experiências com viveiros da espécie, o engenheiro ambiental e sócio do Viveiro Mangalô, João Marcelo Diniz.

Após as palestras, empresas expositoras tiveram a oportunidade de efetuar negócios diretamente com produtores, apresentar produtos e serviços aos interessados em investir neste mercado, entre elas: Irritron, empresa de equipamentos para irrigação; ADM Florestal, especializada em gestão de projetos florestais; Laborsolo Laboratório, especializada em solos florestais; Cavalcante, empresa de vendas de adubo para Mogno e Eucaliptos; Plante Verde, que faz recuperação de áreas degradadas e reflorestamento; AICL, empresa de comercialização de fertilizantes; Schnneider, empresa especializada em motobombas para movimentar água para irrigação e Eco Capital, terras e mudas para plantação e implantação de florestas.

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