Compositor Brasileiro: Almeida Prado (1943 - 2010)
Intérprete: Victoria Kerbauy
Obra: A Minha Voz É Nobre
Poesia: Hilda Hilst
'' A minha voz é nobre
E mansa se vos falo.
Se me fazeis sofrer
Para não vos magoar
É que me calo.
Nada fere melhor
(mais que a voz desgastada)
Uma voz de marfim.
E se não sendo assim,
Fere a delicadeza
Mais que a vós, a mim.
E por isso me calo. ''
* Foto de Hilda Hilst.
** As pessoas que conviveram com Hilda Hilst a descrevem como uma pessoa deslumbrante, generosa, dona de palavras ácidas, íntegra e culta. Na juventude, foi tida como uma das mulheres mais bonitas de sua geração. "Mistura da beleza de Ingrid Bergman e da sensualidade de Rita Hayworth", descreve o editor Massao Ohno. A beleza e a personalidade forte tocaram também Carlos Drummond de Andrade, que dedicou um poema a ela. Hilda foi musa de artistas, poetas -- Vinicius de Moraes chegou a se apaixonar por ela -- e intelectuais. Foi amiga de Lygia Fagundes Telles -- "até o fim da vida", afirma Lygia -- e, com seu comportamento avançado, sempre chocava a sociedade paulistana em meados da década de 50. Entre as muitas histórias que sua biografia revela, diverte aos amigos lembrar do namoro com o ator norte-americano Dean Martin (aquele mesmo, famoso parceiro do comediante Jerry Lewis) e a tentativa, frustrada, de seduzir Marlon Brando. "Em Hilda tudo era extremado", lembra a professora Nelly Novaes Coelho, apresentada à escritora por Lygia Fagundes Telles. "A tudo que fazia, entregava-se de corpo inteiro. Não conseguia o meio-termo, virtude rara que, se por um lado deixou o mundo maior e mais belo do que quando nele chegou, por outro lhe causou contínuos dissabores e problemas. Pois a vida comum exige o meio-termo, o disfarce..."
Hilda Hilst morreu em (4/2/2004), de falência múltipla dos órgãos, depois de uma queda em que fraturou o fêmur.
Hilda Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária.
Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.
Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.
Alguns dos textos de Hilda Hilst foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
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