A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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Respostas a este tópico

É, Luís, vocês têm que berrar. E falar especificamente sobre essas coisas, como você tem feito aqui. A questao é como encontrar fóruns mais amplos. Acho que você deveria usar mais os comentários no Blog principal, lá aparecem para mais gente. Pode sempre usar o Fora de Pauta, que tem muitos comentários, é bastante lido, e nao tem tópico fixo. Eu ando meio afastada, mas voltarei. É que acho que depois de termos postado tanto, tao "furiosamente", tz tenhamos desanimado da finalidade de fazer isso. Mas temos que encontrar meios de estender a reflexao que se construiu aqui, que acho que foi boa, para mais gente.
Bjs
AnaLú
AnaLú, Luiz Carlos, Luiz Diogo,
ando muito envolvida com algumas questões e sem tempo para comentar, mas achei excelente a idéia de retomar o debate. Em educação sempre temos muita coisa a conversar, discutir. voltarei em breve com mais tempo e, assim, poder contribuir.
mantenham firme a chama deste tópico.
Oi Paulo,

Concordo com várias de suas análises... mas com o fato de vivermos no 'mundo das idéias', não... infelizmente tudo isso é muito real... O desmonte das escolas públicas foi um projeto muito bem articulado, visando a privatização do sistema; não sei se vc sabe, mas tramita na ONU e na OMC, desde a década de 80, um projeto para que a educação deixe de ser regida pelas pastas sociais e passe a ser responsabilidade da OMC - ou seja, será mais um comércio, em sintonia com o movimento de globalização da economia. Veja, por exemplo, a venda da UNIP (US$ 2,5 Bilhões) para um grupo estadunidense www.estado.com.br/editorias/2008/06/20/ger-1.93.7.20080620.6.1.xml.

No caso da educação, sobretudo, os baixos salários são de longe a maior causa do fracasso.

Isso não significa que seja uma ação dos professores se vingando da sociedade... nada disso. Mas, com os atuais salários, somos obrigados, para dispor de um mínimo de dignidade, a trabalhar dois ou três turnos, com turmas de 40, 45, 50 alunos. É mais ou menos a mesma situação de muitos médicos, obrigados a trabalhar jornadas sobre-humanas. Assim, como dar uma atenção mais individual aos alunos, buscando suas deficiências e adequando nossas ações às suas necessidades?

Todas estas mudanças, de paradigmas e de sistemas educacionais, sempre passam ao largo de discussões sérias com os professores, que vivem o cotidiano de seus alunos e das comunidades, conhecem as necessidades. Tenho certeza que com duas medidas: melhores salários e turmas menores, a melhoria do sistema educacional seria substancialmente visível em poucos anos. Como sei disso? pq isso já acontece nas boas escolas privadas, onde o ensino é o mais 'tradicional' possível.

um abraço,

LDiogo
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Depois de mais um concurso e ainda indignado com alguns absurdos ocorridos na prova para a JUCERJA, volto aqui para dizer que tenho acompanhado de longe (e com interesse) as postagens daqui.
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Aqui, vivo dois tipos de sentimentos:

1- O de admiração diante de tantos cérebros bem articulados... Sério... Gosto de ler as idéias e mensagens em geral e, não raro, sobra-me material para 'matutar' e elaborar nos momentos que precedem o sono (e algumas vezes o impedem).

2- Uma certa frustração pela aparente impossibilidade de articulação prática, de nossa parte, para gerar uma AÇÃO coordenada resultante das idéias e pensamentos aqui presentes.

Quanto ao primeiro ítem, não há muito o que dizer, a não ser que é bom ocupar a mente com o conteúdo exposto.

Já quanto ao segundo sentimento, compreendo perfeitamente que muitos (senão todos) já atuam da forma possível, em suas práticas diárias, com o fito de provocar alguma mudança ou diferença nas respectivas áreas e o dia SÓ tem 24 horas.

Ainda assim, lamento a ausência de AÇÃO cabível e transformadora nessa seara vital e de nosso interesse comum.

Repito: Apenas esta troca de idéias JÁ é bom, mas permanece uma forte sensação de "material disperdiçado" diante do fato de não exercermos essa capacidade na forma de ação efetiva e determinante sob a égide de um jornalista do quilate deste que abriga esta comunidade.

(Suspiro)
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Oi, Pedro
Tenho a mesma sensação, e inclusive acho que isso foi o que desestimulou um pouco a maioria dos participantes do tópico a continuar postando. Acho que seria necessário uma síntese dos conteúdos desenvolvidos no tópico (incluindo tb os desenvolvidos no tópico Propostas para a Educação), porque isso nos permitiria ao menos partilhar a reflexao que foi sendo contruída aqui. Só que ando super sem tempo para fazer isso... Já que terminou seu concurso, você nao se animaria? É um trabalho imenso, eu sei, porque sao muitos comentários em ambos os tópicos
Um abraço, e benvindo de volta à discussão
AnaLú, a Anarquista Lúcida
Hehehe

Mesmo 'megalomaníacamente' tentado pela sua proposta, tenho os olhos toldados pela realidade das conta$ que têm o mau costume de não cessar de chegar (e as vezes se empilhar).

Ainda assim, acho - apenas ACHO - que vou , em parte, aceitar o desafio dentro em breve, mas o farei no tópico "Propostas para a educação" por ser mais amplo, indo além da discussão sobre progressão (baseada no calendário) SOLAR ou BISSEXTA.

Abraço fraternal
Oi, Pedro
Mas nao deixe de ver os comentários dos 2 tópicos, porque em mais da metade dos comentários do tópico A Progressao Continuada nao se discutiu isso, e sim os problemas da Educação em geral.
Um abraço, e força!
Anarquista Lúcida
A cada dia que passa, a cada noticia divulgada, nos certificamos ainda mais que a educação continuada se transformou em um verdadeiro desastre para a educação no país.
Sob pretexto da evasão escolar, se dá uma "continuação" a permanência da criança na escola, mas de que adianta estarem na escola, se os professores são incompetentes e incapazes de até lhes ensinar o básico, que seria ler e escrever além de compreenderem o que lêem.
E parece que neste país sempre tudo é feito assim, "inventa-se" uma lei, mas o governo não dá nenhum apoio e subsídio para que seja implantada de forma adequada, é como terminar uma moradia sem colocar portas, janelas, pias ou mesmo sanitário, ora como vai ser possível esta ser uma moradia ?
Antes de mais nada urge no mínimo, dar profissionalização e treinamento adequado aos professores além é claro das perfeitas condições de trabalho.
Sem isso, educação continuada é uma aberração.
Oi, Gabriel
Já houve tantas mensagens sobre esse assunto aqui, você leu? Dizer que a culpa é da incompetência dos professores é dose! Leia as mensagens particularmente do Luiz Carlos e do Paulo. Veja os vídeos que postei num dos meus comentários. Depois a gente volta a falar, tenho a certeza de que você verá outros aspectos da questao.
Um abraço, e benvindo à discussao (apesar da leve "bronca"; nao me leve a mal, mas é que nao se pode sair responsabilizando uma categoria profissional sem estar muito inteirado da situação que ela vive...)
Anarquista Lúcida
Criar uma escola é mais importante e dificil que projetar a nossa casa.
Cada casa sonhada é diferente das demais, seja pela localização, pelo terreno, pera orientação solar, pelo tamanho da família que aí vai viver, com suas características sociais e culturais, pela renda, pelos seus sonhos e por tudo o que faz a humanidade diferenciar-se de um rebanho caminhando para o matadouro.
Cada escola é um grande lar, uma grande família, uma cidade, um universo de sonhos, vontades, decisões, esperanças. Uma escola não é uma bosta de regulamento, não é uma idiotice burocrática, não é um manual padronizado, não é um mercado de trabalho para preguiçosos, oportunistas, aventureiros e conformados. O educador é quem molda a humanidade, não é o religioso, o político, o jornalista, o militar, nem os pais que não sabem ser educadores. Uma escola não pode ser igual à outra, não pode deixar de ser o maior símbolo de evolução da espécie humana, de liberdade, paz e sobrevivência. O resto é frescura, no meu entender. Uma escola não a uma soma de pequenos e pobres ditadores, cada uma delas deve conter toda a sabedoria humana e todo o respeito do Universo. Tião Rocha neles!!!!!! Só educa quem aprende junto!!!!!!!!
Paulo, para ser professor é necessário formação específica, nao é verdade que qualquer um pode ser professor. Para professores da quinta série em diante (agora sexta, com o sistema de 9 anos) é necessário curso superior. Que a formação tem deficiências, tem sim, muito por culpa das prioridades da Universidade, mas isso é uma questao complexa. E nao é por isso que o ensino vem fracassando, embora possa ser um agravante.
O grande problema, Paulo, é que uma boa parte dos alunos das escolas públicas, por uma série de razoes, nao quer mais "jogar o jogo da escola". Simplesmente nao querem assistir aula. Veja os vídeos sobre o que anda ocorrendo em sala de aula que postei no algumas páginas mais acima, você terá uma idéia melhor do que está acontecendo. Leia tb neste tópico os comentários do Luiz Carlos, sobre a vivência na escola dele, e do seu xará, outro Paulo, que é mestre em Educação, e postou várias análises maravilhosas.
Um abraço
Anarquista Lúcida
A questao atual é muito diferente da de anos atrás. A clientela da escola é outra, a atitude de rebeldia dos jovens é outra -- o que tem até um lado que poderia ser positivo, mas infelizmente acaba se reduzindo à revolta pela revolta. E nao estou vitimizando os alunos -- como acredito que sua intenção também nao seja a de responsabilizar os professores. So estou dizendo que eles nao aceitam mais o "jogo da escola", com suas regras, etc., no que têm até boa dose de razao. Lá umas 15 ou 20 páginas atrás neste tópico, há uma análise do outro Paulo sobre isso que mereceria leitura. Se é que você quer ouvir outras coisas além do que já acha que sabe...
Desculpe a insistência, Paulo, mas é necessário tomar contato com a situação em mais profundidade, porque a barra está pesada, e o buraco é bem mais em baixo do que as pessoas imaginam.
Um abraço
Anarquista Lúcida

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