A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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Respostas a este tópico

Oi, Luzete
Três coisas.
1) A colocação do blog na categoria Saúde é erro; a outra mudança, embora tenha esse problema que você aponta (temos que reler páginas anteriores para ver novos posts) tem a vantagem de colocar as respostas a um comentário logo depois dele; fica mais fácil seguir o fio (e, em compensação, nao reproduzem mais todo o texto do comentário respondido; o que às vezes é bom, às vezes nao é, porque podíamos antes selecionar trechos da fala que queríamos responder).
2) Sou anarquista. LÚCIDA. Gostaria muito de viver num mundo em que houvesse democracia direta. Falar contra eleições no Brasil de hoje? Já vi esse filme, e nao gostei do final.
3) Desculpe, Luzete, mas nao gostei do que o Glauco disse, respondi mostrando que nao tinha gostado, ele insistiu, mostrei com bem mais veemência que ele estava me ofendendo, ele insistiu, eu nao quero "aparar as pontas" nao. Nao sou hipócrita. Posso pedir desculpas quando estou errada, pedi para Nicole. Quando algo é sério, é sério mesmo. Que ele defenda o que quiser, mas nao me meta no meio e nao me chame de direitista.
É, né? A gente é gente (e nao venha me dizer que isso é tautologia, porque nao é ... a linguagem comum é diferente da linguagem lógica, nao é?). Mas acho melhor ser esquentada do que monolítica, viu? ...rs...
AnaLú
AnaLú,
vi isto, e sei que isto confunde, inclusive porque anteriormente quando se entrava na página do forum aparecia primeiro a exibição por tópico ( a qual está sem problemas) e agora aparece primeiro a exibição por categoria, com estes erros. Se aquela ordem fosse reestabelecida o dano seria menor.

E, realmente, depois percebi a nova organização, que tem vantagens e desvantagens. a desvantagem principal é o grupo não poder acompanhar o comentário mais recente, a menos que o comentarista use a caixa superior de comentários..

Sobre os "anarquismos". Não acho que se trate de aparar as pontas ( e nem de me furtar a umas boas risadas, né?). Eu acho que estas pontas existem e elas precisam ser explicitadas, sem hipocrisia mesmo. Ou melhor, não é que as pontas precisem ser explicitadas, mas que ao serem explicitadas os outros podem acompanhar um debate rico, como neste caso.

Não estou acompanhando adequadamente o debate aqui mas de qualquer modo, acho que não percebi esta acusação do Glauco dirigida a você. Estou enganada? E se assim foi, porque não contra-argumentar com a lucidez de um anarquismo, de outro tipo?

Pena que dei o livro Quando Nietzsche Chorou. Nele tem uma frase que eu acho brilhante mas que não lembro plenamente: é quando o sizudo Breuer, vendo-se desafiado pelas irreverências da Lou, diz algo assim: a gente se leva à sério demais...
Oi, Luzete e todos
Para discussões políticas, estou sempre aberta. Se bem que, essa da "reacionariedade intrínseca" do ato de votar, francamente, nao me desperte interesse, para mim essa questao já está respondida demais, nao tenho muita paciência de entrar nela. Se algumas pessoas querem ficar fixas num sonho que a realidade já mostrou nao só que nao vai acontecer tao cedo como tb que pode ter conseqüências sérias, no sentido contrário ao pretendido, é escolha delas. Nao me peçam que participe disso.
Mas que nao venham a insinuar que sou direitista, porque é uma ofensa mesmo. Querem decretar ideologia? Uma única variedade de esquerda, o resto é direita? Estalinismo pouco é bobagem.
Agora, nao estou disposta a deixar que rusgas interpessoais envenenem o clima da discussao aqui do Fórum. Rusgas interpessoais acontecem, sao uma das conseqüências possíveis, embora desagradáveis, do nível de envolvimento. Mas podem ficar no nível interpessoal, e ser discutidas, se for o caso -- nao acho nem que valha a pena -- nas páginas pessoais.
Um espaço privilegiado ... tanto talento ... Que pena!
Concordo. Mas nao deixem acontecer. Puxem o debate para outros lados. Nao deixem que tudo páre por causa de besteiras.
AnaLú
Importante a idéia contida na afirmação do Glauco: "Os professores da rede publica não cruzam mais os braços, não conseguem mais comprar uma briga com seus empregadores. Eles simplesmente fingem que ensinam, estão lá, de cabeça cheia em seus problemas pessoais".
Ela retoma um elemento que acaba sendo enfrentado de modo não adequado. Há uma tendência por parte dos gestores dos sistemas de ensino de adotarem, em relação aos professores, uma abordagem que, se não os criminaliza, os apresenta como os maiores (se não os únicos) responsáveis pelos problemas observados nas escolas. É a velha visão do engenheiro Taylor: os operários (no caso, aqui, os professores) praticam a "vadiagem sistemática". Daí, a solução apresentada pelos gestores é a mesma do velho pai da "administração científica": o premio por produção (e a "impiedade" - sob os aplausos de muitos - para com os que não se apresentam produtivos).
O lado oposto também apresenta uma abordagem discutível. Estou falando da representação dos professores (sindicatos e outras associações). Via de regra apresentam um discurso de vitimização do professor. Mas, o mais grave, não conseguem afrontar o empregador. Suas estratégias não mobilizam e não conseguem romper a barreira colocada pelos administradores dos sistemas para negociar.
Como não há instrumento coletivo de ação política para mostrar para a sociedade a dimensão do problema, o resultado é a impossibilidade da política. De um lado, o poder público aperta o cerco por meio de medidas administrativas que procuram "levantar os indicadores" (esse é outro ponto muito bom para discutirmos). Do outro, a representação não consegue criar condições que coloquem a possibilidade de se chegar a uma situação mais favorável ao professorado.
Resta ao professor, individualmente, a sua resposta. Resposta que é, na impossibilidade da situação, a única possível: sobreviver dentro do mundo das limitações em que vive.
O custo disso é altíssimo e temos visto.
Talvez esteja aí um elemento interessante para retomar o tema da progressão continuada.
Nesse sentido, a progressão não deu certo (e, talvez, não dará) porque há, do lado dos professores, uma resistência que é assumida a partir da percepção de que os canais de negociação política (coletiva) estão fechados.
De um lado, um poder público impermeável (e, por isso, nada - mas nada mesmo - democrático) e, do outro, as representações completamente incapazes de exercer a representação, enfim, de conduzirem um debate ou negociação (a incompetência para construir a democracia).
Indo por aí, podemos ter uma interpretação que se afasta da usual justificativa de que o sistema não funciona no Brasil porque faltam os recursos necessários (sejam eles materiais ou, como é comum, tratando os professores como desqualificados). O problema estaria na impossibilidade de se construir um debate verdadeiramente democrático na gestão da educação.
O fato de os cargos das diretorias de ensino serem loteados em função das conveniências de acordos miúdos com aliados políticos (vide o tópico criado pelo João) é um indício de como a declarada gestão democrática do ensino público está longe de ser real.
Pois é, Paulo, no meu entender a importância de discutir em blogues como este está em tentar construir uma representação alternativa (nao no sentido de defender outros políticos, nao é disso que falei, e sim de construir uma outra visão sobre os problemas com mais gente).
Agora, acho que há limites para o grau de "alternatividade". Limites reais, nao que eu os deseje.
Creio que tentar um discurso que parta do princípio de que só se corrigem os problemas lutando contra o sistema, e de modo radical (com a Revolução?), só atrapalha na tarefa muito "menorzinha" (mas que eu pessoalmente acho importante à bessa diante dos oponentes que enfrentamos) de mostrar as causas do descalabro, denunciar mecanismos tecnicistas e autoritários, tentar buscar aliados contra esse tipo de "soluções". Nao desejo falar só para convencidos.
É a minha visao, nao quero obrigar ninguém a tê-la (nem desmereço quem nao tem; nao vejo sentido em discutir desmerecendo os interlocutores).
AnaLú
Cara Anarquista,
Não se trata, em meu entendimento, de proposição de algo que não é possível alcançar. Estou procurando, também, entender o que está acontecendo. Exercitar o que falei em outro post: o livre pensar.
E, por sinal, as interpretações que aqui estão só ganham sentido se forem passíveis de questionamento e, até mesmo, de refutação. Fora disso, teremos a proposição de dogmas.
Temos, no entanto, princípios.
Se de um lado podem existir propostas inexeqüíveis, de outro, como você mesmo já apontou, há um esforço no sentido da implementação de algumas idéias que, julgamos, extremamente danosas.
Mas, essa constatação pode servir de exemplo para o raciocínio que expus acima. Na falta da construção de uma gestão verdadeiramente democrática temos uma polarização que se caracteriza, por vezes, pela ferocidade. Situação que, por não construir soluções, enfraquece o sistema e incentiva a passividade, que por sua vez realimenta a ausência do debate e debilita a possibilidade da gestão democrática.
Desse modo, os protagonistas se apresentam com propostas assim: "temos de quebrar o sistema" ou "temos de transformar o sistema numa máquina eficiente". Ambos apelam para a inevitabilidade da ação proposta. Se apresentam com profetas da redenção, seja porque tem as melhores intenções, seja porque possuem os melhores instrumentos.
Fora disso, temos doses de voluntarismo que são formas alternativas dos opostos acima apresentados.
O que quero dizer, enfim, é que estou pensando nessa possibilidade de interpretação que pode ser sintetiza nos seguintes pontos: (a) falta um projeto democrático de educação - do que decorre a falta de valores claros que possam servir de referência seja para o encaminhamento das políticas de educação, seja para a realização do trabalho educativo; (b) que os poderes públicos e os que se apresentam como representantes dos professores não são capazes de dialogar e, portanto, de levar a cabo a construção do projeto democrático - do que decorre os discursos (e as ações) ferozes; (c) que os professores e alunos, assim, estão abandonados à própria sorte - o que pode ser um dos elementos que contribuem para a passividade e falta de compromisso.

É apenas uma interpretação.
É carregada de provisoriedade.
Falou e disse.
Um abraço
AnaLú
Recebi, e acho que mais gente recebeu, o convite do Glauco para o ciclo de debates Mutações - a condição humana, com curadoria de Adauto Novaes, do Centro de Estudos Artepensamento.

Fui na página do evento, a qual contém uma sinopse das palestras. Copiei a sinopse da conferência de maria rita kehl. Ela fala sobre a delicadeza:

"Por não ser a delicadeza algo inerente ao homem, precisamos tanto dela. É mais fácil encontraralguma delicadeza espontânea entre os animais. A indelicadeza é própria do humano.

O homemcriou e expandiu um sem número de artefatos de morte; o homem valoriza e aperfeiçoa infinitos recursos para exibir sua suposta superioridade sobre os semelhantes, ferindo continuamente o frágil equilíbrio entre as representações do eu e do outro.

Só o homem é capaz de ferir o silêncio, aniquilar a escuridão, desacreditar do mistério, acelerar o tempo. Acima de tudo, somos indelicados com o tempo: desde o início da era industrial, o homem vem esgarçando este frágil e precioso tecido da existência. Por isso a delicadeza é uma conquista, um valor ético, um parâmetro estético."
Edson,
o importante é a gente não se assustar... e teimar... teimar... leia a reflexão da maria rita khel.

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