A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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João Vergílio,

Como um projeto bem acabado, seus ítens de cursos de capacitação foram usados na gestão da Erundina como apoio a uma política educacional, atualmente interlidado com algum projeto educacional pelo que sei é no ABCD e talvez em Cubatão, no resto é o mecanismo pelo mecanismo.

Essa visão são por experiências de terceiros, portanto posso estar errado quem utiliza corretamente do modo a agregar "valor" as aulas e tem uma Política Educacional.
AnaLú, veja só, eu acho que nós concordamos também nisto. A defesa de alguns princípios tal como sintetizados pelo Glauco sobre a aventura da aprendizagem (os apelos inerentes à constituição do humano) e da necessidade de se retroceder a uma discussão sobre princípios de educação pública, me remete exatamente para isto que você aponta: a idéia de que há um mínimo de transmissão de conteúdos que, se nao for assegurado, estará se negando às crianças, em nome de princípios justos, instrumentos simbólicos mínimos ...

AnaLú, acho que é isto mesmo ou até mais do que isto: não se trata de oferecer um mínimo de transmissão de conteúdo mas o MÁXIMO. O "princípio justo", para pegar sua expressão, seria o seguinte então: a cada período letivo (definir este período) serão oferecidas, a TODOS os alunos, TODAS as possibilidades pedagógicas, de modo que ele não prossiga para a etapa seguinte sem dominar o mínimo estabelecido na etapa anterior.

E nesta roda de controle do desempenho é preciso envolver a família, a comunidade. Mas, jamais sem esquecer que a escola precisa ser, de certo modo, reinventada e que a aventura do conhecimento não prescinde daquilo que a humanidade acumulou ao longo desta sua caminhada.

E, por outro lado, ela também não pode prescindir do reconhecimento de que a sociedade contemporânea ainda está em estado de choque com a chegada do computador e da internete em nossas vidas. Ou seja, a aventura precisa contar com novos elementos.
Glauco,

Fatores higiênicos ou fatores de manutenção são aqueles que as pessoas devem receber das empresas como um mínimo para que se esforcem no trabalho. Teoria que teve como pensador Frederic Hersberg, eu já tinha citado em um post que está no quadrado 2.

Mas, retornando, uma empresa ou organização que precisa solucionar fatores higiênicos a meu ver não precisa de choque de gestão, mas sim de gestão e seus dirigentes responsabilizados pelo descalabro atual.

Já, o termo cunhado choque de gestão dentro da administração é um aforismo, uma palavra que tudo explica e dada diz, quando você analisa as ações observa que não foram implementadas em sua totalidade (no Brasil da parte dos governos só os aspectos mais baratos ou publicitários, por isso quando faz uma observação aprofundada existe uma gritante disparidade entre os números e a realidade).

Esse problema pode ter sido herdado como falam os dirigentes, mas foram agravados dentro de sua gestão, por isso. Concluo que não é possível implementar uma Política séria e durável para Educação sem responsabilidades e punições claras da alta administração em sua política de RH com uma meta clara quando ela vai resolver os fatores higiênicos e souber qual é a política de educação por que para mim ela não existe sob nenhum parâmetro.


Glauco said:
Favor conceituar "fatores higiênicos"...

Tenho uma ligeira sensação de essa linha de argumento vai dar em algo como "choque de gestão"...hummmm...

Marcelo Luiz said:
Discordo da idéia do Glauco que não precisa de Administração para resolver o problema da Educação. Por que sem melhoras de salário, e condições de trabalho e conforto não é possível melhorar a auto-estima do professorado.

João, cito mecanismo pelo mecanismo, por que em muitas situações os cursos por não estarem ligados a nenhuma prática de ensino ou interesse do professor podem virar apenas um modo do professor não ir para sala de aula, sei que é ruim citar, mas infelizmente já li relatos assim.

Por isso, qualquer mecanismo ou curso é válido, mas tem que se contextualizar pela realidade de onde você utilizará e qual o resultado que você quer, é aquele problema eu defendo a aprovação automática desde que esteja dentro de uma política educacional de educaçào continuada.

Vou ser repetitivo, mas copiar sempre é válido, afinal experiências já consagradas devem ser copiadas mesmo e fica mais barato que tentar "criar a roda", mas tem que se pensar o como estamos utilizando o mecanismo, por isso eu cito sempre que no caso brasileiro o mecanismo parece ser um fim, e não um meio para se chegar a determinado resultado.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Marcelo,

Não entendi o que é esse "mecanismo pelo mecanismo" a que você se refere. Insisto no tema, porque me parece que uma das coisas que devemos fazer é buscar maneiras eficientes de dar cursos de capacitação e de reciclagem. Para isto, temos primeiro que ter clareza sobre aquilo que já existe, e está funcionando, e também sobre o que existe e não está funcionando. Não é pergunta retórica, não. É ignorância pura e simples.
Abraço,

João

Marcelo Luiz said:
João Vergílio,

Como um projeto bem acabado, seus ítens de cursos de capacitação foram usados na gestão da Erundina como apoio a uma política educacional, atualmente interlidado com algum projeto educacional pelo que sei é no ABCD e talvez em Cubatão, no resto é o mecanismo pelo mecanismo.
Concordo plenamente com que escreveu João Vergílio, os cursos de aprimorameno são importantes e devem continuar, mas devem ser pensados sempre quando propostos dentro de determinada competência que a (s) secretaria (s) quer (em) para não se desperdiçar dinheiro.

Quanto ao material didático único, eu não conheço direito assunto, mas vejo como coerente a sua argumentação...mas, nesse ponto eu só leio.

Abs,

Marcelo

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Marcelo,

Agora, eu entendi. Olhe, eu acho que a gente tem que saber primeiro POR QUE esse professor não está realmente envolvido com o curso de reciclagem. Se não me engano, você mesmo aventou uma possibilidade que me parece bastante real: os cursos nem sempre estão ligados a uma prática de ensino determinada, e nem sempre levam em conta o interesse específico desse professor. Não quero, aqui, contrabandear argumentos de um ponto para outro. Sou, como você sabe, favorável à fixação de um material didático único para toda a rede, e uma de minhas razões para achar que isso deve ser feito é justamente o fato de que, unificando-se o material, os cursos de reciclagem ficam enormemente facilitado. Mas suponhamos que eu esteja errado, e que o mais conveniente seja mesmo persistirmos na política atual. MESMO ASSIM, eu acho que os cursos de reciclagem têm que ser muito objetivos, específicos, voltados para o interesse imediato do professor em sala de aula. Devem dar muita ênfase às técnicas de ensino mais eficientes em cada caso. "Para explicar a regra de três, há tais e tais técnicas reconhecidamente boas", "Se o aluno estiver cometendo TAL tipo de erro, neste ponto, ele muito provavelmente terá que refazer exercícios DESTE tipo", "Se tiver problemas de disciplina DESTE tipo, é muito provável que TAL COISA esteja acontecendo". Coisas assim. Nada de ficar falando em construtivismo, Paulo Freire, Baktin, Marx, ou coisa que o valha. Quem quiser aprender o que Marx disse, que vá fazer um curso de Ciências Sociais, até para não sair falando barbaridades por aí. Quem quiser estudar Paulo Freire, que vá fazer um curso na Faculdade de Educação. Nada contra. Mas curso de reciclagem é outra coisa. Tem que ser focado na prática de ensino, no cotidiano do professor. Sem isso, transforma-se em outra coisa. Ou, nos piores casos, transforma-se numa coisa horrorosa.
Minha única objeção à progressão continuada, é na verdade uma desconfiança: desconfio que não temos grana, no Brasil, para bancar um jogo desse tipo de modo minimamente eficaz. Temos que imaginar uma receita intermediária, que caiba em nosso orçamento.
Abraço,

João





Marcelo Luiz said:
João, cito mecanismo pelo mecanismo, por que em muitas situações os cursos por não estarem ligados a nenhuma prática de ensino ou interesse do professor podem virar apenas um modo do professor não ir para sala de aula, sei que é ruim citar, mas infelizmente já li relatos assim.

Por isso, qualquer mecanismo ou curso é válido, mas tem que se contextualizar pela realidade de onde você utilizará e qual o resultado que você quer, é aquele problema eu defendo a aprovação automática desde que esteja dentro de uma política educacional de educaçào continuada.

Vou ser repetitivo, mas copiar sempre é válido, afinal experiências já consagradas devem ser copiadas mesmo e fica mais barato que tentar "criar a roda", mas tem que se pensar o como estamos utilizando o mecanismo, por isso eu cito sempre que no caso brasileiro o mecanismo parece ser um fim, e não um meio para se chegar a determinado resultado.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Prezado João e demais debatedores,
A proposta pode ser até bem intencionada e ter uma preocupação com o melhor uso dos recursos. Reconhecemos que atende aos anseios de inúmeros professores que esperam fazer seus alunos aprenderem os conteúdos escolares. Não se nega, aqui, a expectativa, enfim, que os professores ensinem bem para os seus alunos.
O problema é que essa abordagem toma como princípio um dos aspectos (se não o mais perverso) do modelo de organização da educação básica que massacra o professor.
A escola é vista como um agrupamento de alunos sobre os quais se imprimirá uma marca. Essa marca é resultado da exposição às matérias do conteúdo escolar. Essa exposição deve ser feita de modo sistemático, seguindo método adequado, sob pena de não produzir o resultado esperado. Para isso, são necessários elementos bem preparados, conhecedores dos melhores métodos de exposição, para imprimir nos alunos as marcas adequadas.
Do outro lado, tanto faz se se trata de um, dez ou cem alunos. Também não importa quem são os alunos. Os alunos se constituem em objeto sobre os quais atuam os professores, expondo-os ao conhecimento por meio das técnicas de ensino.
Um outro ponto muito importante é o pressuposto de que todo conhecimento produzido pela humanidade pode ser transformado em conteúdo escolar e que, de modo infalível, há pelo menos um método (em diversos casos, vários) que o professor tem a disposição para alcançar a finalidade acima apresentada.
A marca deixada pela exposição ao conteúdo, por sua vez, deve se verificada. Se o aluno ficou bem marcado (o que pode ser verificado por meio de provas), ele pode ser submetido à exposição de outros conteúdo que lhe imprimirão outras marcas (mais profundas ou mais extensas). Se não, o aluno deve ser submetido, novamente, à exposição.
Não é absurdo considerar que esses são os elementos fundadores dessa proposta pedagógica.
Qual o problema dela?
Vou me centrar em apenas um (que, penso, acaba levando ao massacre do professor). O trabalho do professor é aplicar a melhor técnica para fazer o aluno aprender. Note, aluno no singular. Mas como se trata de um aluno genérico (como aqueles manequins de vitrine, sem rosto, inertes), então o que vale para um vale para qualquer número. O aluno genérico é, na verdade, um coletivo de alunos supostamente iguais. Se você conhece a técnica mais adequada para ensinar alguma coisa, então você ensina para um ou para um milhão.
Não Paulo, considera-se que há alunos que não aprendem e, por isso, há técnicas especiais para a exposição ao (do) conteúdo para esses.
Sim, há manequins 38, manequins 40, 42... Mas, são modelos idealizados e o efeito, ao final, deverá se o mesmo para todos. Para isso montam-se classes de recuperação só com os alunos que precisam de mais exposição ou de nova verificação para ver se a “impressão pegou”.
O massacre do professor está, então, no fato de que, se basta aplicar a melhor técnica de ensino, o que é feito para um aluno coletivo abstrato, então, para obter o melhor rendimento, o coletivo deve ser o maior possível. Isto justifica o grande número de alunos por sala de aula, a fragmentação do trabalho no atendimento do maior número de turmas, os vários turnos de trabalho.
Os professores trabalham com o coletivo como se trabalhassem com um único aluno (no máximo com alguns modelos padronizados). Pelo menos é que se depreende dessa idéia da melhor técnica de ensino. Ou seja, ela é uma forma de adequação às condições degradadas do sistema. Não considera que o professor da educação básica no Brasil tem sob a sua responsabilidade um número muito grande de alunos. Como conseqüência perversa desse modelo, se as coisas não funcionam, deve ser porque ele não está trabalhando direito. Quer dizer, ele não está usando a melhor técnica.
Mas o Brasil é um país de recursos limitados, como fazer a educação funcionar com o pouco que temos? Vou dar uma resposta em dois tempos. O primeiro, diz respeito aos recursos. Num debate a cerca do financiamento da educação ainda em meados dos anos 90 um dos debatedores (que eu não me lembro o nome) disse: buscar mais recursos para a educação não é tarefa para técnicos mas para estadistas. Não há como negar que a precariedade no trabalho nas escolas decorre da falta de recursos. Que o professor é massacrado por que os recursos estão aquém do tamanho da obrigação que a sociedade, democraticamente, colocou para si. Inspirado nessa mesma declaração que não se esgota em palavras de ordem, mas nos faz pensar sobre o caráter e importância da educação pois coloca em relevo as dificuldades para desenvolve-la, podemos dizer que o modelo escolar precisa ser configurado não pela idéia do maior rendimento operacional, mas da adequação às necessidades da sociedade.
Talvez, melhor do que ensinar ao professor a técnica mais adequada para ele ensinar um conteúdo ao aluno, seja melhor criar meios para que ele, junto com os outros professores possam tornar a escola mais relevante para os aluno e para a sociedade. O diálogo com o conhecimento está para além da aplicação das técnicas de ensino.
Além disso, se queremos fazer propostas para intervir no setor da educação, não podemos desconsiderar que os professores da educação, em geral, atuam numa situação penosa de trabalho. Desconsiderar isso não levará a um bom resultado e, sobretudo, é intolerável.
João, Paulo, Marcelo, Glauco,
o debate evoluiu.. e lendo as considerações feitas, vou compartilhar algumas idéias.

João, acho que estas minhas idéias vão de encontro ao que você pensa.
Eu até entendo que vc tem uma preocupação legítima: trabalhar com os (parcos) rerursos destinados à educação. Mas daí você recai num equívoco, digamos. Como estes recursos são poucos, então vamos fazer cursos de reciclagens assim... bem práticos, bem da rotina docente...
nada de piaget (vai estudar psicologia da educação, alegaria vc) ,
paulo freire? (vai fazer pedagogia, vc recomenda)
baktin? (um curso de letras prá vc),
marx ? nem pensar (vai estudar sociologia, economia,...)

Mas daí eu pergunto: quem vai conceber estes cursos de reclicagem que vc deseja? Este sujeito vem de qual lugar? Ele é especialista em cursinho de reciclagem? Ele estudou o que de educação?

Mas vc parece ficar contente com um curso de reclicagem onde as aulas seriam algo muito, mas muito prático. Algo que vc define como sendo masi racional.E é aí, exatamente aí que a coisa complica: você acredita que os professores tem uma sólida formação teórica e que os cursos de reciclagem devam ser mais práticos, mais operacionais, mais específicos.

Tudo bem. Minha preocupação, neste incide agora, não sobre os parcos recursos da educação destinados à formação de educadores, mas ao conteúdo desta formação.

Eu acredito que em qualquer curso de formação devemos insistir numa sólida formação teórica. Em qualquer oportunidade. Com uma sólida formação teórica o educador será capaz de dar conta das dificuldades do dia-a-dia. Muita gente alega que a escola só dá teoria e pouca prática. Mentira, eu digo. A universidade dá um curso de formação tão prático, tão prático, tão dentro de uma receitinha medíocre que não serve para nada. Ela peca não porque é teórica mas porque ela tem sido "prática" demais, específica demais. Tão específica que, diante de qualquer dificuldade o profissional não sabe o que fazer.

Se o educador de geografia tivesse estudado, ao longo de seu curso, um cadinho só de Aziz Ab’saber e de Milton Santos, ele saberia como desenvolver um conteúdo de geografia válido para os seus alunos.

Se o professor alfabetizador tivesse estudado um pouco dos grandes teóricos da educação (de anísio teixeira à saviani, de montessori a emília ferreiro, de chomsky à piaget, vigotsky, bakhtin) e, claro, passando por estudos gerais de história, de economia, de geografia (afinal a gente precisa entender o mundo onde se vive e para o qual educamos nossos alunos) nós não teríamos muitas coisas monstruosas que estão acontecendo por aí. E, certamente, não teríamos educadores que se submentem aos míseros salários pagos à categoria. E isto vale para qualquer área.

Eu tenho certeza que o que falta é muito mais uma sólida formação teórica do que cursinhos de reciclagem com receitas atraentes mas que, diante de qualquer situação que saia do padrão, deixe o educador sem chão. Com uma boa formação teórica, o educador é capaz de dar aula de ponta-cabeça, de olho fechado, sentado numa cadeira ou dançando pela sala. Ele escolhe. Sem formação sólida: na área específica e na área geral, não há livro didático que dê conta, não há receita que funcione para mais do que para 10 alunos.

É por aí que vejo minhas preocupações sobre os assuntos tratados aqui hoje.
Você, João, como que interpretando o que eu disse, apresenta a seguinte idéia: "...que pessoas competentes lhe dessem um curso de quatro meses dedicado exclusivamente à obra de Chomsky. O número dessas pessoas, no Brasil, Luzete, não chega a cem, e a maioria delas tem emprego em período integral. Não havendo professores suficientes para dar um curso especializado, que se dê pelo menos o resumão. É melhor do que nada."

Mas que fique bem claro: isto não tem rigorosamente NADA a ver com o que eu disse. Longe de mim resumão... aliás, o que é isto? Um curso de 4 meses de Chomsky? Você pretende formar linguistas? Nem eu! Mas se você for formar alfabetizadores, educadores, o educador do educador, precisa sim conhecer linguística, epistemologia, senão vc cai na receitinha de alfabetizar e aí conclui que o seu aluno não presta, e por aí vai...
Oi, todos
Tinha colocado o dito abaixo na página da Luzete porque estava meio desanimada com o sectarismo que via aqui. Mas ela achou importante eu colocar aqui, de modo que aqui está. Vou preparar outro post respondendo outras coisas que vi sendo ditas pelos últimos a comentarem.

Oi, Luzete
Preferi vir aqui esclarecer o que entendo por "manter o pé no chão" -- a única coisa com que concordo com o Joao Vergílio.
Eu concordo com as posições de fundo do Glauco, mas acho que muita "falação" ideológica é contraproducente. A gente tem que levar em conta que tem os professores que tem, e que, em sua grande maioria, tem uma visao do que é ensino influenciada pelo ensino que eles mesmos receberam (pense nas interpretações que foram dadas das "fases" da Emília Ferreiro como critérios para dividir crianças em turmas na fase silábica, etc., e mesmo nas reclamações de alguns professores contra a progressao continuada nao pelas deformações que o sistema sofreu mas pela perda de um instrumento de "autoridade" sobre os alunos).
O drama dos PCN em parte decorreu disso: tentaram "decretar" uma visao de educação, como se isso pudesse se dar desse modo. Entao, tem que haver um trabalho formiguinha, a longo prazo, com os professores, tentando experiências, mudanças locais, etc. e ir ampliando isso.
Acho SEM DÚVIDA que é preciso reinventar a escola, e que é preciso que isso se dê em profundidade, questionando as políticas de educação, etc., mas é preciso tb nao esquecer que temos um "adversário" poderoso, que é exatamente esse tipo de mentalidade tecnocrática de que o Glauco fala, mas que tem muito mais adeptos do que nós...
Falo aqui nessa comunidade porque acredito que é possível ir desconstruindo essa mentalidade aos poucos, mostrando que "o buraco é mais embaixo", etc. Tentar fazer proselitismo em forma de grandes discursos só leva a perder espaço de troca. Se já pudermos mostrar que esse tipo de "soluções autoritárias e tecnocráticas" nao funciona, já está de bom tamanho... Até porque vem chumbo grosso por aí. Excluir comentário
Oi, Glauco e todos
Tb nao vejo uma escola como uma empresa, nem acho que princípios de Administração de empresas devam servir de guias de direcionamento da Educação. Mas se, até em termos tecnocráticos, os gurus da Administração reconhecem que nao podem esperar trabalho de qualidade de pessoas nao motivadas e exploradas, isso é uma boa coisa, nao? Pelo menos que seja uma "tecnocracia do bem"...


Glauco said:
Não vejo uma escola como uma empresa...a administração nada sabe das escolas. Nem vejo como a psicologia aplicada a administração possa ajudar, sem mais do que atrapalhar. Em qualquer grande empresa, basta pedir a opinião da diretoria sobre a area de RH para perceber que não é levada a serio, a não ser que ajude a conter gastos trabalhistas.

Peço-lhe que me indique no open course da MIT Sloan School of Management - link abaixo - qualquer coisa que ajude a melhorar a educação no Brasil:
http://ocw.mit.edu/OcwWeb/Sloan-School-of-Management/index.htm

E sobre o pensador Frederic Hersberg, ele já esteve no Brasil? O que ele pensou sobre o Brasil? Com qual comunidade ele dialogou aqui no Brasil? Quais os pensamentos que ele elaborou sobre alguma comunidade carente de periferias, seja no Brasil ou fora do nosso pais?

Marcelo Luiz said:
Glauco,

Fatores higiênicos ou fatores de manutenção são aqueles que as pessoas devem receber das empresas como um mínimo para que se esforcem no trabalho. Teoria que teve como pensador Frederic Hersberg, eu já tinha citado em um post que está no quadrado 2.
Oi, Joao e todos
Joao, em primeiro lugar, porque essa obsessão com "cursos de reciclagem"? Gente, vocês têm visto alguém bradar pela necessidade de cursos de reciclagem para médicos? para advogados? para qualquer outra profissao? Por que os pobres professores sao assim tao mais incapazes que os outros? Nos grandes centros, hoje todos fazem cursos superiores. Por que serao tao incapazes assim, que mal acabam de se formar já precisam de cursos de reciclagem?
Reparem, nao estou negando que haja problemas na formação dos professores, aliás esse poderia ser um outro tópico (e a causa dos problemas, em parte, reside nas prioridades inadequadas da Universidade...). Mas o que acho é que, assim como é preciso acabar com a "farra do livro didático", tb é preciso acabar com a "farra dos cursos de reciclagem". Muitos interesses econômicos estao por trás desse discurso da necessidade de reciclagem dos professores.
O Joao dá um exemplo do tipo de conteúdo que ele acha que os professores precisam: um que ensine o melhor método para ensinar Regra de Três. Francamente... Joao, professores de Matemática sabem ensinar Regra de Três. O que eles nao estao conseguindo é fazer os alunos se interessarem em aprender Regra de Três. Releia as contribuições do Luiz Carlos, Joao. A em que ele fala dos 6 ou 7 alunos que seguem uma aula, dentro de uma turma de 40. O buraco é mais embaixo, Joao, a crise nao é principalmente uma questao de técnica de ensino.
Acho que quem mais disse coisas relevantes sobre isso foi o Paulo, quando disse, nao sei se no início desse Tópico ou no das Propostas para a Educação, que nós todos somos pessoas que nos demos bem na escola, que seria importante ouvir os que nao se deram. Na hora eu nao percebi tudo o que está nessas palavras dele.
A questao é que a escola era para muitos poucos. Depois se "abriu" do ponto de vista numérico, mas nao se adaptou em nada em relação à sua nova clientela. Esse ensino que está aí nao faz o menor sentido para os alunos que têm que "sofrê-lo".
Nao está fazendo mais nem para os garotos de classe média... Li outro dia um comentário dizendo que se um homem do Séc. XIX fosse teletransportado no tempo e viesse parar nos dias de hoje, ele talvez enlouquecesse -- menos se fosse parar dentro de uma escola. Lá, as mudanças teriam sido muito poucas...
Sei, Luzete, que os conteúdos da tradição da Humanidade têm que continuar a ser transmitidos, e para todos, além da necessidade de continuar a "aventura da aprendizagem". Mas há que se encontrar novos modos de transmiti-los para que façam sentido para os alunos.
Outra vez o Paulo disse algo bom sobre o fato de talvez um trabalho diferente pudesse ser feito, se nao fosse o tempo compartilhado por horas e disciplinas na escola. Esse é um ponto a que acho que deveríamos voltar.
Voltando aos cursos de reciclagem, Joao, você se pergunta por que os professores nao estao interessados. Duvido que isso ocorra porque sejam cursos generalistas, que nao toquem em "questoes práticas". Apenas os professores sabem que nao é por aí, que nao é aí que o sapato se lhes aperta (e ninguém pergunta A ELES aquilo de que precisam, nao é mesmo? será que sao tao incompetentes que nem isso saberiam?).
Mas nao ousam resistir às imposições que vêm de cima (senao arriscam a perder bônus, gratificações, etc., nao é?) Aí caem na razao cínica: aprendem a repetir todos os discursos, que entram por uma orelha e saem pela outra. (Outra vez, lembro os testemunhos do Luiz Carlos: sobre as professoras da escola que nao falavam dos problemas com os supervisores, para nao serem expostas e ainda ouvirem bronca.)
Até concordo que cursos de "reciclagem" nao sao o lugar ideal para se discutir Construtivismo, Paulo Freire, etc. Isso em princípio eles já deveriam ter visto nas Faculdades de Educação. E em geral viram; se compreenderam... é outra coisa.
Mas cursos de "reciclagem" nem deveriam existir, nisso Glauco tem toda a razao, reciclagem é para lixo. O que deveria existir sao cursos (?

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