A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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João,
São dados oficiais publicados pelo Inep, resultado do Censo Escolar que é realizado anualmente. O acesso pode ser feito pela plataforma EDUDATABRASIL (http://www.edudatabrasil.inep.gov.br).
Luiz Carlos,

Em Minas Gerais, esse sistema de eleição do diretor pelo alunos da U.E e pelo pais responsáveis pelo menores, já funciona a bom tempo, e é bem interessante, a cada quatro anos se o diretor eleito pela comunidade escolar não realizou um bom trabalho, corre o risco de perder as novas eleições. Hoje, moro em São Paulo, como meu familiares estão por lá acompanho este processo, e acho bem coerente, mas também tenho observado que em alguns casos surgem rivalidades sérias entre os grupos de professores que disputam essas eleições (aqui, falo de um caso que conheço que é o minha cidade, onde existe apenas uma escola estadual, então essa disputa é bem acirrada e as vezes prejudica o andamento escolar)
Bem diferente da minha realidade aqui em Guarulhos, que num período de 8 anos tive 8 diretores, não há projeto pedagógico que resista tantas mudanças. Por isso sou favorável com a idéia de eleições.
Olá pessoal,

Creio que a idéia de eleições para Diretor, obedecidos critérios de qualificação, até parece interessante, porém, dentro da atual estrutura centralizada de gestão da rede, e principalmente no que se refere aos mecanismos de gestão escolar, o que efetivamente mudaria no cotidiano escolar?

Não correríamos o risco de reforçar a dinâmica em que o bom diretor é aquele capaz de realizar um bom papel político, especialmente junto aos detentores do poder na estrutura, a exemplo de escolas em que diretores "amigos do rei" acabam sendo privilegiadas em relação a recursos e projetos, independentemente de sua eficácia pedagógica?

Não haveria um maior distanciamento do Diretor da efetiva gestão do processo pedagógico da escola?
Nomeação a partir de resultado de consulta à comunidade escolar ou por concurso público possuem vantagens e desvantagens.
Penso que o problema é outro. Trata-se de ter claro quais são as possibilidades de atuação do diretor da escola ou ainda o que se espera do ocupante de um cargo desses.
A discussão neste espaço já nos deu alguma idéia da complexidade da escola e, portanto, de alguns dos desafios.
Oi, todos
Tive um dia cheio e estou indo para a cama. Mas gostaria de acrescentar algo sobre esse comentário do Paulo sobre a complexidade. Porque, num certo sentido, até que é "simples": a escola nao funciona porque os alunos nao querem saber do que é oferecido independentemente da vontade deles, e os professores, além de esmagados pela situação, cansados e sem motivação, nao sabem o que poderiam fazer. Vocês todos viram os vídeos que o Luiz Carlos me indicou e eu postei? Acho que deveríamos discutir o que aquilo significa.
Um abraço para todos
AnaLú
AnaLú e Paulo,
vi sim a maioria dos vídeos e os registros de atos de negligência e abuso do aluno. e atos de negligência também do professor, no caso, da professora.
Uma discussão sobre isto seria muito oportuna. Acho que, no fundo, caberia retomar elementos daquele discussão das razões que fazem nossa escola ser tão desinteressante para o aluno.
Seguindo o raciocínio proposto acima, alunos e professores vivem uma situação que pode ser caracterizada como penosa. Vou trazer alguns dados:

Número médio de alunos por turma (somente escolas urbanas)

Ano: 2006
Brasil Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 28,2
Anos finais do ensino fundamental = 33,6
Ensino médio = 37,2

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 27,3
Anos finais do ensino fundamental = 31,8

Estado de São Paulo Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 32,4
Anos finais do ensino fundamental = 35,9
Ensino médio = 37,7

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 29,5
Anos finais do ensino fundamental = 33

Município de São Paulo Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 33,9
Anos finais do ensino fundamental = 37,5
Ensino médio = 39,9

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 35,1
Anos finais do ensino fundamental = 35,5

Esses números não variaram muito ao longo da década. Oscilaram para menos, mas muito pouco. P. exemplo: em 2000, anos iniciais do ensino fundamental (escola estadual) = 30,1; anos finais do ensino fundamental (escolas estadual) = 35,9; ensino médio = 39,9.
As turmas excedem a 30 alunos em média (ou estão em número inferior, mas próximo dessa medida).
O indicador, aponta no sentido de uma número excessivo de alunos por turma (afinal, procura-se, por vezes, alfabetizar crianças agrupadas em turmas de até 30 ou mais alunos). Contudo, ele não é capaz de expor de modo mais contundente essa situação de sofrimento. Ele é uma média. Há classes com um número bem maior de alunos.
Ao mesmo tempo, não temos dados, por exemplo, sobre a aglomeração de alunos por metro quadrado. Sim, porque há escolas que 30 alunos são abrigados em salas minúsculas.
Outro aspecto que aponto, aqui, é o número de alunos, em média, que, pela idade que têm e a série que está matriculado, encontra-se atrasado (a taxa de distorção-idade-série). Tomando apenas as escolas urbanas, em 2006.

Brasil Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 18,2%
Anos finais do ensino fundamental = 33,1%
Ensino médio = 49,3%

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 21,6%
Anos finais do ensino fundamental = 42,7%

Estado de São Paulo Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 4,4%
Anos finais do ensino fundamental = 14,6%
Ensino médio = 25,4%

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 7,6%
Anos finais do ensino fundamental = 17,8%

Município de São Paulo Escolas estaduais

Primeiros anos do ensino fundamental = 4,3%
Anos finais do ensino fundamental = 16,2%
Ensino médio = 31,2%

Escolas municipais

Primeiros anos do ensino fundamental = 7,4%
Anos finais do ensino fundamental = 17,6%

Ou seja, um número excessivo de alunos e um número significativo deles com idade acima daquela indicada para a série em que está matriculado.
Seriam esses fatores mais importantes para determinar a situação problemática (o sofrimento que fizemos menção acima)?
Gente, estou sem tempo de participar, mas aqueles vídeos ficam rodando na minha cabeça. Se a situação está desse jeito em geral, nao admira o absenteísmo; enfrentar uma turma dessas deve ser pior que a prisao. E de que adiantam bônus, e outras quejandas? Os professores estao completamente impotentes, mesmo se isso fosse o recurso adequado de motivação, nao adiantaria nada.
E nao acho, Paulo, que a causa seja sobretudo o grande número de alunos, embora, claro, esse seja um agravante. O que acho é que nao há mais legitimidade: esses alunos simplesmente nao reconhecem o professor, nem digo como autoridade, mas nem mesmo como um outro, uma outra pessoa a ser considerada.
Eu imaginava que a coisa estivesse assim nas periferias das grandes metrópoles, nas favelas, etc., por causa da anomia e do ódio de classe visível (embora nao consciente, do ponto de vista político) que está grassando nelas. Mas em cidades do interior de S. Paulo?
O Paulo já levantou a questao do pouco sentido que faz, para esses alunos, o que aprendem na escola. Acho que também entra em conta o fato de muitos estarem chegando semi-analfabetos (ou completamente analfabetos) nos últimos anos do ensino fundamental, donde tudo o que ouvem é grego para eles. Mas o que vi nesses vídeos passa de qualquer limite imaginável.
E é um desastre humano, porque isso causa uma geração praticamente perdida (sem falar do sofrimento dos professores jogados nessas situações).
Luís Carlos, isso está acontecendo em todas as turmas? Na maioria delas? E é possível dar aula pelo menos para os 5 ou 6 que, segundo você disse num comentário anterior, seguem a aula? Os outros pelo menos deixam a aula acontecer para esses poucos? Pelo que vi nos vídeos, nem isso seria possível...
Por que as associações de professores nao estao botando a boca no mundo sobre isso? Sei que o PIG nao transmite, mas nem nos blogues tenho visto a denúncia do grau a que as coisas chegaram.
Lacyr, como andam as coisas na sua cidade, que é menor? Tb estao assim? Outros professores, por favor, manifestem-se, é preciso denunciar essa situação.
Nao vejo saída possível para uma situação dessas (pelo menos nas grandes metrópoles, onde mesmo a aliança da escola com a comunidade se torna praticamente impossível, por causa de tráfico, milícias, etc.) Se é que esses alunos ainda respeitam qualquer adulto, mesmo de suas comunidades...
Gente, acho que desesperei.
Por favor, me mostrem se alguma luz ainda é possível.
AnaLú
Creio que os últimos "posts", especialmente do Paulo e do Luiz Carlos apontam para o núcleo do problema.

Reivindico tempo para refletir.
Os indicadores educacionais tem sido tomados como instrumentos de controle administrativo. Ao apresentar os dados acima, procurei mostrar como é possível (e necessário) fazer uma releitura dos mesmos.
Em seguida, porém, o Luiz Carlos nos traz aspecto importante: há aspectos essenciais que não são abarcados pelos indicadores que hoje aí estão. Ao mesmo tempo, expõe como o uso dos indicadores com o objetivo de controle administrativo nos colocam numa rota perigosíssima.
Ao buscar a evidência de produtividade, pratica-se aquilo que eu disse muito lá para cima: "o paradigma da escola de educação básica brasileira é a exclusão social".
Ao mesmo tempo, o testemunho do Luiz Carlos acaba por mostrar que, contrariamente ao que afirma José Francisco Soares (da UFMG) em entrevista publicada ontem na Folha de S. Paulo (e apresenada no Blog), há diretores de escolas públicas que já sabem utilizar e, estão utilizando, os indicadores educacionais. E o fazem segundo a lógica que tem sido dominante (a do controle administrativo).
Aliás, lógica privatista como depreendemos da própria entrevista citada (o entrevistado, ao ser indagado sobre a forma de escolher uma escola privada fez menção a uma escola de BH que seleciona os alunos para ter melhores índices de rendimento).
Oi, todos
Gente, é muito feio sugerir trabalho que nao se está com condições de fazer pessoalmente, mas estou super atolada, e acho indispensável refletir essas coisas de volta para o blogue. Luiz, você nao quer postar lá os últimos comentários que postou aqui? Exatamente no tópico sobre a entrevista desse cara citado pelo Paulo.
Um abraçao
AnaLú
Oi, Luiz Carlos e todos
Isso que você diz, Luiz, é mais um motivo para aproveitar as "janelas de oportunidade" de denunciar o jogo. O Blog do Nassif é um dos lugares onde isso é possível. Outro é o blog do Rovai. Abaixo o link para o tópico da entrevista sobre avaliação (de ontem).
Um abração
AnaLú


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